Uma análise dessa expressão cultural sob a ótica bíblica da Criação-Queda-Redenção
13 de julho de 2014
14 de junho de 2014
Intencionalidade na Evangelização
Certa feita uma jovem perguntou para seu pastor: - Por que a Igreja não
está crescendo?. Ele respondeu rápido e direto: - Porque você não está
evangelizando! Talvez você já tenha feito essa mesma pergunta e a resposta tem
de ser a mesma. Há uma ideia errada que somente os lideres é que devem evangelizar
e fazer discípulos. Ou a ideia igualmente errada de que “ovelha gera ovelha”.
Na verdade todos os discípulos de Jesus devem se esforçar para ganhar o máximo
possível de pessoas para Deus.
Existem algumas marcas de uma Igreja que faz
diferença. Dentre essas marcas a Igreja deve ter como centralidade a Palavra de Deus, ela deve ampliar sua visão de Deus, de si mesma e da sua missão (glorificar
a Deus) e conectar-se com nosso tempo
para que possamos alcançar os perdidos com uma abordagem adequada, sem
comprometer a mensagem. Outra marca igualmente importante é a intencionalidade da evangelização.
A
igreja tem feito muitas coisas, mas a maioria deles é voltada para nós mesmos
que já conhecemos a graça de Deus. Isso é importante, pois temos de viver em
comunhão como família de Deus e crescer na fé, porém não podemos perder de
vista que a vontade de Deus é “que todos
os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm
2.4) e Ele conta com você. Por isso o apóstolo Paulo disse: “ai de mim se não pregar o evangelho!”
(1Co 9.16).
Há algumas razões para
a omissão. Pode ser a secularização do coração, a preocupação com a autoimagem
(rejeição), o sentimento de que não está preparado (insegurança). No entanto,
creio que o motivo principal é a falta de intencionalidade em testemunhar da
obra salvadora de Deus.
Tomemos como exemplo o
Diácono Filipe em Atos 8 de alguém que tinha a vida disposta para a
evangelização. Nesse texto encontramos alguns aspectos:
1) Diferentes movimentos, mesma direção: Para Fora. Filipe saiu de Jerusalém para Samaria. De Samaria
para o caminho deserto – quanto evangelizou o eunuco Etíope. E desse caminho
para Cesareia. O foco dele era claro: alcançar àqueles que ainda não ouviram a
mensagem da Cruz. Dietrich Bonhoeffer disse que “a Igreja, só é Igreja, quando
existe para os de fora”.
2) Diferentes lugares, mesma tarefa: Anunciar. Nos vários lugares que Filipe foi, a partir de
Jerusalém, seu foco era anunciar o Evangelho. Seja em Samaria, no caminho
deserto ou Cesareia, ele sabia que tinha de anunciar o Cristo. Só Ele salva os
perdidos de todos os lugares. Como bem sintetizou o apóstolo, “como ouvirão, se não há quem pregue?”
(Rm 10.14). Para alcançar as pessoas próximas a nós precisamos atentar para os 3 Cs:
(1) Converse com Deus – ore pelas
pessoas. (2) Conecte-se com a pessoa
– [a] busque se relacionar, [b] escute bem a pessoa e [c] encontre espaço para
servir. Por fim, (3) Conte a sua
história – dê testemunho do que Deus fez por você e continua fazendo.
3) Diferente estratégias, mesma mensagem: Evangelho. Em Samaria e Cesareia Filipe pregou às multidões. Com
o eunuco a abordagem foi pessoal. Mas a mensagem era a mesma: testemunhar da
pessoa e obra de Cristo para a salvação.
Você tem estado
atento(a) e comprometido(a) com o interesse de Deus pela vida daqueles que lhe cercam?
Pense em pessoas de seu
círculo de relacionamentos e mova-se intencionalmente através dos 3 Cs.
Pr. Robson Rosa
Santana
Adaptado de estudos do Pr. Ricardo Agreste
31 de maio de 2014
“O Reino dos céus é tomado por esforço”
Há muitos textos que são fáceis de compreender.
Há outros em que sua interpretação é mais difícil. E há outros textos que não compreenderemos
plenamente aqui, pois o próprio Deus resolveu não deixar mais claro para nós.
Talvez na eternidade Deus queira revelar para nós. Talvez não.
Um desses textos difíceis
de compreender são as palavras de Jesus em Mateus 11.12, quando Ele diz que o “reino
dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Almeida
Atualizada). O contexto dessas palavras de Jesus é o testemunho que Ele dá a
respeito de João Batista. Primeiro, Jesus fala que João não era alguém que
pertencia aos grupos privilegiados da sociedade, que vestiam roupas finas e
morava em palácios. Pelo contrário, “as
vestes de João eram feitas de pelos de camelo; ele trazia um cinto de couro e
se alimentava de gafanhotos e mel silvestre” (Mc 1.6). Em segundo lugar,
Jesus deixa claro que João era um profeta. Na verdade, o maior dos profetas do
Antigo Testamento, pois ele foi o mensageiro profetizado por Malaquias (Ml 3.1),
que preparou o coração do povo judeu para a chegada do Messias prometido:
Jesus. Como Jesus mesmo disse, “os profetas e a lei profetizaram até João” (Mt
11.13). João viu o Cristo Jesus, mas morreu antes de ver a obra completa da
cruz e ressurreição. E em ultimo lugar, nesse testemunho sobre João (Mt
11.7-19), Jesus afirma que ele era o Elias profetizado em Malaquias 4.5. Não no
sentido da reencarnação, mas significando “no
espírito e poder de Elias” (Lc 1.17), ou seja, esses dois profetas foram os mais
semelhantes na Bíblia.
Expostos
estes fatos, qual o sentido de “reino dos
céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele”. A
expressão “tomado por esforço” é a
tradução do verbo grego biazetai, que
está na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo na voz média ou passiva.
Se ele estiver na passiva, significa que o reino de Deus é forçado, querendo
dizer que homens violentos o tomam pela força. Se estiver na voz média, pode-se
traduzir por “força seu caminho” como um vento impetuoso. Robertson, na obra Words Pictures, conclui a análise desse
verso dizendo que “estas difíceis palavras de Jesus significam que a pregação
de João levou uma multidão violenta e impetuosa a reunir-se em torno de Jesus e
seus discípulos”.
Diante do exposto e das palavras de Jesus que
aqueles se “esforçam se apoderam dele”, entendo que tomar posse do reino exige
esforço. Parece estranho para nós essa frase porque temos uma compreensão da
salvação pela graça como se isso não exigisse esforço e abnegação para sermos
santos e vencermos as tentações e provações aqui neste mundo. Palavras
semelhantes de Jesus foram registradas por Lucas: “A lei e o profetas vigoraram
até João; desde esse tempo, vem sendo pregado o reino de Deus, e todo homem se
esforça por entrar nele” (Lc 16.16).
Você está se esforçando para tomar posse do
Reino?
Pr. Robson Rosa Santana
24 de março de 2014
O sucesso crescente dos filmes de super-heróis

1. O SURGIMENTO DOS SUPER-HERÓIS DAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
O
surgimento desse tipo de ficção de super-heróis não é fácil de definir. Antes
de 1938 houve personagens heroicos como Pimpinela Escarlate (1903), Tarzan
(1912), Dr. Syn (1915), Zorro (1919), Buck Rogers (1929) e Flash Gordon (1934),
dentre outros, mas ainda no formato Pulp ou em tiras de jornal.
As
que perduram até hoje vem do contexto da Depressão de 1929, como Super-Homem, e
do pós inicio da 2ª Guerra, como Capitão América; Homem Aranha surge na década
de 1960; citando apenas alguns exemplos. Todos eles são frutos de seus
contextos, ou seja, têm uma ideologia política, por isso não podem ser vistos
apenas como entretenimento infantil. Capitão América, por exemplo, depois da II
Guerra desapareceu em 1948, voltou, saiu de circulação novamente e ressurgiu em
1964 em outro contexto de liberdade sexual, de gênero, guerra do Vietnã, etc. No
capítulo 1, do livro Cinema e Fé Cristã,
que trata sobre “História e Mitologias”, Brian Godawa afirma que a humanidade usa
as histórias “para dar um sentido e um propósito à vida”, e que “um exemplo de
adaptação mitológica em nossa sociedade secular pode ser visto nos heróis das
histórias em quadrinhos”.[2]
2. O
SUCESSO DOS SUPER-HERÓIS NO CINEMA
Havia
muita dúvida quanto ao sucesso ou lucro dessas HQs de super-heróis no formato
de filmes. A Era Reagan protagonizou a diluição total entre política e
entretenimento, fruto do pós-modernismo. Houve um deslocamento do sujeito, a
crise de identidade. Desse modo, “tais filmes trazem de forma exemplar as
características e os elementos apontados como fundamentais para se compreender
as fraturas de identidade potencializadas na e pela cultura midiática
contemporânea”.[3]
Superman foi o primeiro em 1980 e desencadeou uma série de adaptações de
outros super-heróis. A tendência moderna intensificou-se a partir do ano 2000
com X-Man, Homem Aranha (2002) e novamente Superman (2002), dentre outros.
Segundo o site Adoro Cinema, há uma
lista de 12 filmes de super-heróis para serem lançados entre 2013 e 2015: Homem
de Aço (2013), Wolverine Imortal (2013), Kick-Ass (2013), Thor: O Mundo Sombrio
(2013), Capitão América - O Retorno do Primeiro Vingador (2014), O Espetacular
Homem-Aranha 2 (2014), X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014), Tartarugas
Ninja (2014), Guardiões da Galáxia (2014), Quarteto Fantástico
(2015), Os Vingadores 2 (2015),
Homem-Formiga (2015).[4]
O artigo da BBC World News What's behind the current success of superhero movies? (O
que está por trás do atual sucesso dos filmes de super-heróis?) tenta trazer algumas
respostas para a questão, pois o sucesso é inegável. Apenas em 2006 – quando o
artigo foi escrito, os filmes O Cavaleiro das Trevas, Homem de Ferro, Hancock,
O Incrível Hulk e Hell Boy 2 faturaram mais de 2 bilhões de dólares somente nos
Estados Unidos.[5]
Ainda conforme esse artigo, “alguns acham que a crise econômica fez os
americanos famintos pelo escapismo de super-herói e é por isso que tem sido tão
popular”.[6]
Essa conclusão deve-se ao fato de que alguns acham que há uma estreita relação
entre as incertezas na área econômica e o sucesso dos filmes de super-heróis.
Existem outros
aspectos que vão além do cenário americano, uma vez que o sucesso tem se
tornado global, estimado em mais de 60 países. Lauren Schuker afirma: “eles
realmente têm um presença internacional de um modo que outras franquias não o têm.
Então eu acho que nós vamos começar a ver uma enorme quantidade desses filmes
nos próximos anos, e em adição, filmes desse tipo que combinam diferentes
super-heróis juntos”.[7]
No artigo Why are Superhero Movies so popular? (Por
que os filmes de super-heróis são tão populares), o site Wisegeek afirma o
reavivamento do gênero no cinema, e que o sucesso tem ultrapassado as
expectativas. Segundo o site, os filmes de super-heróis tem alcançado o top das
6 maiores bilheterias – dentre 12 – na semana de estreia de filmes.[8]
Assim como no artigo da BBC, este artigo diz que uma das possíveis causas é o
escapismo. Segundo a Wisegeek, os filmes de super-heróis,
são
tradicionalmente concebidos para ser uma mistura de educação e entretenimento,
e os filmes de super-heróis tendem fortemente para o último elemento. Esses
filmes tendem a ser potências de ação, acrobacias e emoção, envolvendo o
público em um mundo colorido e totalmente realizado. Assistir a um filme de
super-heróis é uma grande oportunidade para relaxar e não pensar em stress ou
coisas difíceis em sua vida.[9]
Como já nos situamos
em relação à questão histórica de dois heróis das HQs, Superman e Capitão
América, da mesma forma os filmes de super-heróis surgem em contextos
históricos que não podem ser desprezados. O sucesso dessa etapa pós ano 2000
também precisa ser considerado sob a perspectiva das Guerras do Iraque e Afeganistão
em 2002, e com isso os problemas dos conflitos armados. E os super-heróis
assemelham-se a oficiais militares que através da violência justificada – ou
não - procuram estabelecer a paz e a vida normal. Desse modo, “alguns membros
do público podem estar relacionados a este conceito, quer a nível pessoal ou em
relação às suas ideias sobre a guerra e todas as situações do mundo atual”.[10]
Os super-heróis são figuras que inspiram à esperança em tempos difíceis.
Promovendo assim a ideia de paz, segurança e liberdade.
Ainda conforme artigo
acima, “além dos motivos globais e psicológicos, filmes de super-heróis são
apenas um monte de diversão. Desde o sucesso dos primeiros exemplos recentes do
gênero, como X-Men e Homem-Aranha, a indústria cinematográfica de Hollywood
começou investindo enormes quantias de dinheiro para os filmes, com grande
retorno”.[11] Segundo
o crítico Ricardo Calil, na revista Bravo
(2007):
Ao
longo de sua fantástica trajetória ficcional, os super-heróis das
histórias em quadrinhos salvaram a mocinha, a América e a humanidade inúmeras
vezes. Na vida real, eles têm agora uma missão mais prosaica, mas nem
por isso menos exigente: tirar a indústria cinematográfica americana de uma das
maiores crises de sua história e acalmar os inseguros executivos de Hollywood,
amedrontados pelo avanço das novas tecnologias e da pirataria.[12]
Não se pode desconsiderar que existam
outros motivos para os sucessos desse gênero. Para os amantes das HQs, por
exemplo, uma história no papel ao ser passada para as telas com altas
tecnológicas e efeitos especiais, é um sonho realizado. Ainda segundo Godawa,
“A proliferação de histórias em quadrinhos que acabam sendo adaptadas para o
cinema é um sinal de que existe uma fome contemporânea pelo culto aos heróis, o
desejo de redenção por meio de atos salvífico de uma divindade”.[13]
3.
ELEMENTOS DA CRIAÇÃO NOS FILMES DE SUPER-HERÓIS
A
partir daqui iremos fazer uma análise dos filmes de super-heróis sob a ótica
bíblica da criação-queda-redenção. Como seres humanos criados à imagem de Deus,
não podemos fugir do nosso referencial existencial, que é Deus. A isso chamamos
de análise teorreferente. Usando as palavras de Davi Charles Gomes, “a ideia da
‘teo-referência’ da realidade é usada aqui em contraste com a ideia de que a
realidade pode ser conhecida tendo o homem como ponto de referência final”.[14]
Positivamente ou negativamente, quanto as suas ações, os homens sempre refletem
uma vida orientada por Deus conforme as Escrituras ou agem em emancipação
pecaminosa contra Deus. Deus é sempre a referencia para analisar as ações e subcriações
humanas, incluindo as histórias de super-heróis no cinema. Vamos então para
alguns paralelos do primeiro elemento bíblico: aspectos criacionais.
A
própria criatividade dos autores e empresas ligadas a esse ramo editorial, e
agora cinematográfico, revela um aspecto de subcriação.
As
regras são implícitas, existencialmente falando, envolvendo os contextos
históricos da América e do mundo, como as guerras ou questões socioculturais. No
entanto, para serem considerados super-heróis, alguns personagens ultrapassam
as regras das leis da física humana, seja de modo “natural”, como Superman, ou
fruto de resultados aleatórios de pesquisas científicas, como Homem-Aranha e Hulk.
Ou ainda, habilidades adquiridas pela “evolução” como Wolverine ou com ajuda de
tecnologias como Batman, Homem de Ferro e Flash Gordon.
Outro
aspecto criacional é a beleza plástica desses filmes, além das novas
tecnologias de materiais, há a qualidade fantástica dos efeitos especiais
feitos em altas tecnologias da computação gráfica (CG).
Embora
todos os super-heróis, sejam eles descendentes de subdeuses como Thor ou
Superman, como não são como o Deus da Bíblia, perfeito em todas suas virtudes,
ou heróis surgidos de mutações genéticas, eles apresentam falhas, e de alguma
forma, tentam aperfeiçoar-se.
Podemos
ainda destacar, dentro desse tópico, as ideias de unidade que os super-heróis
geram. Eles unem as pessoas por causa do bem comum que trazem a uma sociedade,
país ou, até mesmo, o mundo. E quando os super-heróis se unem, a
representatividade deles aumenta junto a opinião pública, seja ficcionalmente
ou realisticamente, a exemplo dos Vingadores da Marvel. Quanto ao anseio por
esses filmes e aquilo que representam, há até uma frustração dos fãs das HQs
quanto a não efetividade de filmes baseados na Liga da Justiça, da DC Comics.
4.
ELEMENTOS DA QUEDA NOS FILMES DE SUPER-HERÓIS
O
aspecto mais considerável dos super-heróis é o fato deles, pelo menos a
maioria, terem superpoderes que são usados para o bem público. E isso leva ao
aspecto idolátrico nessas subcriações e na vida real, quando o fanatismo chega
ao ponto da idolatria. Pois há uma intencionalidade dos criadores dos
super-heróis em divinizar seus personagens.
O
último filme do Superman – Homem de Aço (2013) - levantou de forma bem clara os
paralelos do personagem com Jesus Cristo. Ele de alguma forma se torna mediador
dos homens. Grant Morrison, no livro Superdeuses,
afirma:
O Super-Homem foi
criado para ser mais forte, rápido e durável que qualquer ser humano. Ele é
mais real que nós. Escritores vêm e vão, gerações de artistas o interpretam, e
ainda assim algo persiste, algo que é sempre Superman. Nós temos que nos
adaptar às regras dele, se quisermos adentrar seu mundo. Nunca podemos mudá-lo
demais, ou perdemos o que ele é. Há um grupo persistente de caraterísticas que
definem o Super-Homem, através de décadas de vozes criativas. O personagem
possui essa qualidade essencial e imutável, em qualquer de suas encarnações. E
isso tem nome: divindade.[15]
Há
distorções sexuais e vaidade a exemplo do Homem de Ferro. Há vingança no Homem
Aranha. Ira e descontrole no Hulk. Rebeldia no Thor. Culpa no Capitão América,
por exemplo. Pastores tem pregado uma série de estudos falando da supremacia de
Cristo sobre essas pretensas divindades falíveis e pecaminosas, intitulada Mais que um Vingador.[16]
Sejam
bem intencionados ou não, vê-se muita violência física e verbal. O filão no
mercado cinematográfico tem gerado um consumismo exacerbado. Há uma rede de
comida rápida (fast food) que já
atrela aos seus lanches bonecos dos personagens. Brinquedos, camisetas e outros
apetrechos são comercializados globalmente.
Farraraz e Magno depois de falar de algumas
cenas de Homem Aranha 3 e Superman afirmam da grande vaidade que há nesses
super-heróis ante seus feitos.[17]
5.
ELEMENTOS DA REDENÇÃO NOS FILMES DE SUPER-HERÓIS
Segundo
Brian Godawa, “a narrativa de histórias nos filmes resume-se à redenção, isto é, à recuperação de algo
perdido ou obtenção de algo necessário”[18].
E continua: “os filmes podem ser basicamente histórias, mas essas histórias são
no final, no fundo, acima de tudo quase
sempre a respeito da redenção”.[19]
É óbvio que o sentido de redenção aqui nem sempre corresponde ao sentido
bíblico, mas há paralelos na busca de significado e esperança, eternidade, que
mesmo sendo desfocado da verdade bíblica, tornam-se uma “redenção” humanista.
O
surgimento do Superman lembra a encarnação e a vida de Cristo. O último filme
(2013) fez questão de remontar aos aspectos originais desse super-herói. De
alguma forma ele é o mediador entre a humanidade e seu pai Jor-El (El em
hebraico significa deus). Os super-heróis representam em sua maioria deuses. Na
verdade, a maioria dos super-heróis salvam a mocinha, a América ou o mundo. Como
entretenimento, essas narrativas fazem um recorte da realidade, um momento
sabático (descanso), apontando para a esperança do descanso celestial na
eternidade (cf. Hb 4.9-11). Enfim, na maioria dos filmes há sempre aspectos
redentivos, nos de super-heróis ficam mais evidentes.
6. APLICAÇÕES
6.1 Doxológica
Devemos assistir
filmes in coram Deo, na presença de
Deus. Como diz 1 Coríntios 10.31: “
Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo
para a glória de Deus”. Nenhuma subcriação é neutra, especialmente aquelas que
são escritas pelas pessoas. Como já dissemos, é preciso levar em conta o contexto
histórico, social, psicológico e religioso dessas obras, pois sempre tem uma
mensagem, clara ou implícita (tácita), para passar.
6.2 Eclesiológica
Como
nenhum filme é neutro, de uma forma ou de outra é passada para as telas a
cosmovisão do escritor/roteirista, por isso é preciso estar atento para a
mensagem essencial dos filmes, que em sua maioria ficam implícitos. Por
exemplo, ao analisar o cerne do filme Wolverine Imortal (2013), chega-se à
conclusão que aqueles deuses falsos clássicos estão evidentes na história:
dinheiro, sexo e poder. Sendo que o poder e dinheiro tentam desenvolver avanços
tecnológicos que alcancem a imortalidade.
Além
do mais, olhando para o outro lado da tela, para os expectadores, é necessário
estar alerta contra o vício, a idolatria e o escapismo (fuga da realidade
material e espiritual). Como diria Godawa, não devemos ser glutões culturais,
nem anoréxicos culturais, mas devemos buscar assistir filmes com sabedoria e
discernimento. Pois “um dos propósitos da arte é estimular a discussão de
crenças e valores, para nos engajarmos em um discurso existencial mútuo”.[20]
Por outro lado, há situações que é preciso deixar de assistir se de fato não
trouxer nenhuma edificação, se não for conveniente ou dominar a vida da pessoa
(1 Co 6.12; 10.23).
6.3 Missiológica
A ponte missiológica que podemos extrair dos filmes é analisar qual a proposta redentora que eles apresentam. No caso dos filmes de super-heróis, eles evocam aspectos quase divinos ou até mesmo divinos através de seus superpoderes, que embora ficcionais, despertam “o desejo de redenção por meio de atos salvífico de uma divindade”.[21]
A ponte missiológica que podemos extrair dos filmes é analisar qual a proposta redentora que eles apresentam. No caso dos filmes de super-heróis, eles evocam aspectos quase divinos ou até mesmo divinos através de seus superpoderes, que embora ficcionais, despertam “o desejo de redenção por meio de atos salvífico de uma divindade”.[21]
A Igreja de Cristo, conhecedora do único meio
de salvação da humanidade, deve analisar os “falsos redentores” e proclamar que
somente Jesus salva verdadeiramente os pecadores (Jo 14.6, 1Tm 2.5).
No entanto, é preciso destacar o aspecto
subjetivo de cada pessoa. Alguns estão plenamente conscientes que histórias e
filmes são entretenimentos, mesmo que contenha uma cosmovisão embutida, e são apenas
recortes da realidade que trazem momentos de satisfação e alegria. Quanto às
aplicações práticas, é preciso tomar cuidado com o excesso de contextualização
da mensagem. Por exemplo, no caso citado anteriormente sobre a série de
mensagens baseadas nas falhas de caráter dos vingadores, a vinheta de chamada
para assistir a série dizia que eles precisam de um salvador. A pergunta que se
faz é: como personagens de ficção podem ser salvos?[22]
7.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Creio que o ponto geral a se destacar sobre
super-heróis é que a humanidade nunca passou sem eles. Na Antiguidade clássica
existiam os deuses e semideuses. Nos séculos seguintes tivemos os heróis da literatura,
nem sempre superpoderosos, mas sempre em atitudes de superação. De alguma forma
o ser humano projeta nos heróis em geral o que não são na vida real, sempre se
imaginando senhor das circunstâncias, podendo revertê-las ao seu bel prazer.
Em tempos recentes, os super-heróis têm sido
retratados mais em sua humanidade, como no último Homem de Ferro (quase que o
filme todo sem a armadura). Outro é O Homem Aranha 2, onde Peter Parker perde
temporariamente seus poderes. Outro ponto a ser destacado nesse sentido é a
figura do anti-herói, onde não se tem mais um padrão moral perfeito, apenas
atos que se julgam justos para servir ao bem da sociedade. As pessoas entendem
que o bem pode ser praticado por quem é mal (o que é até verdade biblicamente
falando), mas pior que isso, sentem-se atraídas por aqueles que equilibram uma
personalidade má, com atos de justiça.
Finalmente, os heróis evocam a realidade de
que precisamos de socorro, e como uma boa ficção, esses personagens provam o
que “a força do homem nada faz, sozinho está perdido”. Mais do que projetar a
força que se almeja, os autores projetam a fraqueza da humanidade, sempre
desprotegida diante de catástrofes, violência e injustiça. Seres que não
existem aliviam falsamente por algumas horas essas sensações reais da vida
cotidiana. Eles apontam para a necessidade de um verdadeiro salvador, que não é
superpoderoso, mas Todo-Poderoso.
Robson Rosa Santana
Revisão e sugestões:
Adalberto do Amaral Ribeiro Taques
Notas
[1] MAGNO, Maria Ignês Carlos, FERRARAZ, Rogério. Super-heróis ou
celebridades midiáticas? Crise de identidade e suas representações em filmes do
Homem-Aranha e do Super-Homem. In: Comunicação, Mídia e Consumo. São
Paulo, Vol. 6, N° 6, p. 129-147, Jul. 2009. p.135.
[2] GODAWA, Brian. Cinema e Fé
Cristã: vendo filmes com sabedoria e discernimento. Trad. Jarbas Aragão, Viçosa
(MG): Ultimato, 2004, p.26.
[3] MAGNO e FERRARAZ. Super-heróis ou celebridades midiáticas?,
p.138.
[4] 12 novos filmes de super-heróis
dos quadrinhos. Disponível
em: http://www.adorocinema.com/materias-especiais/filmes/arquivo-100288/.
Acesso em: 02 set. 2013.
[5] Disponível em:
http://www.bbcworldnews.com/Pages/ProgrammeFeature.aspx?id=41&FeatureID=901.
Acesso: 26 ago. 2013.
[6] Ibid.
[7] Ibid.
[8] Ver artigo online em: http://www.wisegeek.com/why-are-superhero-movies-so-popular.htm.
Acesso: 26 ago. 2013.
[9] Ibid.
[10] Idid.
[11] Ibid.
[12] MAGNO, Maria Ignês Carlos, FERRARAZ,
Rogério. Super-heróis ou celebridades midiáticas? Crise de identidade e suas
representações em filmes do Homem-Aranha e do Super-Homem. In: Comunicação,
Mídia e Consumo. São Paulo, Vol. 6, N° 6, p. 129-147, Jul. 2009. p. 139.
[13] GODAWA. Cinema e Fé Cristã, p.28.
[14] GOMES, Davi
Charles. A metapsicologia vantiliana: uma incursão preliminar. In: Fides
Reformata XI:1 (2006), p. 116, nota 14.
[15]
MORRISON, Grant. Superdeuses. 1ª Ed.
Trad. Érico Assis. São Paulo: Seoman, 2012. 496p.
[16] Veja a série ministrada em
algumas Igrejas Presbiterianas: Campolim:
www.comunidadecampolim.com.br/palestras_em_categoria.php?id=42. Chácara Primavera:
http://www.chacaraprimavera.org.br/serie-de-palestras/mais-que-um-vingador-a-supremacia-de-cristo-sobre-todos.
Esta série tem sido ministrada em várias outras igrejas.
[17] MAGNO e FERRARAZ. Super-heróis ou celebridades midiáticas? p.142.
[18] GODAWA. Cinema e Fé Cristã, p.15.
[19] Ibid.
[20] GODAWA. Cinema e Fé Cristã, p. 223.
[21] Ibid., p.28.
[22] O vídeo de chamada da série
está disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=2sq39DMJBu8. Acesso em: 04
set. 2013.
7 de março de 2014
A Importância da Mulher na Bíblia - Dia Internacional da Mulher
O dia 08 de março é
reconhecido internacionalmente como Dia da Mulher. Neste dia de 1857 operárias
de uma fábrica de tecidos de Nova York fizeram greve por melhores condições de
trabalho e salário. Foram reprimidas com total violência. Trancaram-nas na
fábrica que foi incendiada, morrendo cerca de 130 mulheres. A ONU oficializou
essa data em 1975. À parte desses eventos históricos que buscaram igualdade e
dignidade para as mulheres, o que a Palavra de Deus tem a nos dizer sobre elas?
1) Deus criou homem e mulher com dignidade igual. A mulher não é
inferior ao homem. Homem e mulher foram feitos à imagem de Deus. Por muito
tempo e até hoje, as mulheres sofrem o preconceito por ser mulher. Em
estatísticas do passado, somente os homens eram contados. Religiosos judeus da
antiguidade todos os dias agradeciam a Deus por não nascer “pagão”, e por não
nascer mulher. Até pouco tempo atrás as mulheres não estudavam. Somente
aprendia a ser uma boa esposa e boa dona de casa, em face do preconceito sexual
masculino. Pedro nos diz que homem e mulher são herdeiros da mesma graça de
Deus (1 Pe 3.7).
2) Mas Deus criou homem e mulher diferentes. Se não houvesse
diferença nenhuma entre homem e mulher, Deus criaria somente o homem. Mas Deus
diz que não era bom que o homem (macho) esteja só, assim criou a mulher. Uma
pessoa só se completa com alguém do sexo oposto. Isso se refere ao casamento
entre um homem e uma mulher.
E aqui entra algumas
funções das mulheres: esposa, mãe, dona de casa (ou
orientadora). Quanto ao papel do marido, a Bíblia nos instrui quanto ao trato
da mulher como esposa e dona do lar. “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida
comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher
como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente,
herdeiros da mesma graça de vida” (1 Pe 3.7). (A) o marido deve participar do
andamento de sua casa. Não deve ser omisso ou aproveitador. (b) O marido deve
conhecer a sua mulher – ela pensa e age diferente. É mais frágil, não na
dignidade ou inteligência, mas no emocional e na força física (homem que violenta mulher é
covarde). E ele deve (c) tratá-la com dignidade. A mulher é preciosa, Ela tem
seu valor. Que Deus lhe deu.
3) A mulher deve continuar lutando para conquistar essa
igualdade. Até
o século retrasado (XIX), as mulheres não estudavam. O pai escolhia os maridos
para as filhas, por interesses os mais diversos, principalmente, status na sociedade e estabilidade
financeira. Somente em 1932 as mulheres adquirem o direito de votar e serem
votadas no Brasil. Hoje as adolescentes colhem os frutos das lutas dos direitos
à igualdade das mulheres.
De fato, se as
mulheres executam os mesmos trabalhos devem ganhar o mesmo que os homens. AS
mulheres devem continuar lutando para que seus direitos constitucionais sejam,
de fato, cumpridos. (CF. Art 5º, Inciso I: “homens e mulheres são iguais em
direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”.
Conselhos às Mulheres:
1) Lutar por igualdade
é justo, mas não queira ser superior ao homem. Cuidado com o feminismo
exagerado. Igualdade é uma coisa, querer ser superior ao homem é inverter os
papéis. Há mulheres que têm aversão, raiva dos homens.
2) Cuidado para não se
sobrecarregar com os trabalhos dentro e fora de casa. Há mulheres cansadas,
desanimadas com a vida, por causa do excesso de trabalho. Lembre-se: Você tem
de cuidar do marido como ESPOSA. Você tem de cuidar dos filhos como MÃE. Você
tem de cuidar/administrar a CASA. Trabalhe fora, mas se não houver tanta
necessidade, não se afadigue demais. Se capacite o mais que você puder. Estude
o quanto você puder. Mas cuidado com o estresse. É preciso ver se vale a pena. Pondere
nessas questões. Deus abençoe o seu dia.
Pr. Robson Rosa Santana
Para meditação:
“A mulher foi feita de uma costela tirada do
lado de Adão; não de sua cabeça para governar sobre ele, nem de seu pé para ser
pisada por ele; mas de seu lado, para ser igual a ele, debaixo de seu braço
para ser protegida, e perto de seu coração para ser amada”.
(Matthew Henry)
Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o blog http://www.rrsanana.blogspot.com e comunicada sua utilização através do e-mail rrsantana@hotmail.com
15 de fevereiro de 2014
A Psicologia Ajuda ou Atrapalha?
Extraído de seu Facebook
Um dos conflitos mais persistentes e agudos no ministério pastoral é aquele relacionado com o uso da psicologia no aconselhamento e na cura de almas. O cuidado da alma, ou a “cura d’alma” como era chamado o ministério de aconselhamento no passado, sempre foi visto como parte integrante do ministério pastoral.
De fato, esse trabalho era visto como uma extensão do ministério da Palavra, uma chance de pregar a Palavra de Deus de forma individualizada, instruindo, repreendendo, corrigindo e educando o crente de forma personalizada, sensível ao indivíduo e as circunstâncias e vicissitudes da vida.
Hoje, o campo do aconselhamento, da psicoterapia e da “cura d’alma” tem sido transformado em campo de batalha. A psicologia secular a-religiosa, ou anti-religiosa, procura excluir o pastor do cuidado da psique, até mesmo sugerindo que a fé é um dos complicadores dos problemas psicológicos. Por outro lado, alguns pastores erroneamente aceitam a declaração de guerra e rejeitam a psicologia in toto, afirmando que uma visão bíblica invalida qualquer reflexão psicológica (anti-psicologia). E ainda alguns outros, pastores, psicólogos e psiquiatras cristãos acham que uma mistura entre os preceitos bíblicos e o conhecimento psicológico possibilita uma síntese (integração) que capacita tanto os pastores quanto os psicólogos para maior êxito. Talvez grande parte da discussão pudesse ser esclarecida se lembrássemos de alguns pontos chaves:
(1) Toda problemática humana nos relacionamentos com o próximo e consigo mesmo tem como pano de fundo a relação com Deus. Sendo assim, a tentativa de entender e ajudar o homem nas questões da alma, do coração, sem levar Deus em conta, sem considerar o que a revelação diz a respeito do homem e de seus problemas é fadada ao insucesso.
(2) Isso não significa que as observações e as perspectivas das psicologias não devam ser aproveitadas. Tal aproveitamento, entretanto, não pode ser uma mera síntese, uma mistura, ou uma integração, pois correríamos o risco de acabarmos com uma teologia pastoral psicologizada, como tem ocorrido muito em nosso tempo, ou uma psicologia pseudo-científica e teologizada.
Existe uma alternativa que evita estes perigos. Primeiro, reconhecer que só a Palavra de Deus oferece um retrato acurado do homem, em seu estado original (antes da queda), em seu estado atual (decaído e atormentado pelo pecado) e nas possibilidades de seu novo estado como ser redimido e progressivamente conformado à imagem do varão perfeito, Jesus Cristo (o padrão de uma alma, ou psique, saudável).
Segundo, reconhecer que só a Palavra de Deus estabelece os meios e os processos mediante os quais as pessoas podem ser auxiliadas na aplicação da Redenção nas diversas áreas de seus relacionamentos com Deus, com o próximo e com elas mesmas.
Terceiro, reconhecer que as observações e a sabedoria acumuladas mediante os esforços daqueles que se especializam em observar o comportamento e as dinâmicas da alma humana podem e devem ser aproveitados para o enriquecimento da prática pastoral do aconselhamento, desde que devidamente reorientadas pelos pressupostos e preceitos da Palavra.
Por fim, lembremos que a única paz completa e permanente que poderemos experimentar é aquela prometida por Jesus Cristo, “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14.27), a qual só se manifestará plenamente em sua vinda e no seu Reino.
De fato, esse trabalho era visto como uma extensão do ministério da Palavra, uma chance de pregar a Palavra de Deus de forma individualizada, instruindo, repreendendo, corrigindo e educando o crente de forma personalizada, sensível ao indivíduo e as circunstâncias e vicissitudes da vida.
Hoje, o campo do aconselhamento, da psicoterapia e da “cura d’alma” tem sido transformado em campo de batalha. A psicologia secular a-religiosa, ou anti-religiosa, procura excluir o pastor do cuidado da psique, até mesmo sugerindo que a fé é um dos complicadores dos problemas psicológicos. Por outro lado, alguns pastores erroneamente aceitam a declaração de guerra e rejeitam a psicologia in toto, afirmando que uma visão bíblica invalida qualquer reflexão psicológica (anti-psicologia). E ainda alguns outros, pastores, psicólogos e psiquiatras cristãos acham que uma mistura entre os preceitos bíblicos e o conhecimento psicológico possibilita uma síntese (integração) que capacita tanto os pastores quanto os psicólogos para maior êxito. Talvez grande parte da discussão pudesse ser esclarecida se lembrássemos de alguns pontos chaves:
(1) Toda problemática humana nos relacionamentos com o próximo e consigo mesmo tem como pano de fundo a relação com Deus. Sendo assim, a tentativa de entender e ajudar o homem nas questões da alma, do coração, sem levar Deus em conta, sem considerar o que a revelação diz a respeito do homem e de seus problemas é fadada ao insucesso.
(2) Isso não significa que as observações e as perspectivas das psicologias não devam ser aproveitadas. Tal aproveitamento, entretanto, não pode ser uma mera síntese, uma mistura, ou uma integração, pois correríamos o risco de acabarmos com uma teologia pastoral psicologizada, como tem ocorrido muito em nosso tempo, ou uma psicologia pseudo-científica e teologizada.
Existe uma alternativa que evita estes perigos. Primeiro, reconhecer que só a Palavra de Deus oferece um retrato acurado do homem, em seu estado original (antes da queda), em seu estado atual (decaído e atormentado pelo pecado) e nas possibilidades de seu novo estado como ser redimido e progressivamente conformado à imagem do varão perfeito, Jesus Cristo (o padrão de uma alma, ou psique, saudável).
Segundo, reconhecer que só a Palavra de Deus estabelece os meios e os processos mediante os quais as pessoas podem ser auxiliadas na aplicação da Redenção nas diversas áreas de seus relacionamentos com Deus, com o próximo e com elas mesmas.
Terceiro, reconhecer que as observações e a sabedoria acumuladas mediante os esforços daqueles que se especializam em observar o comportamento e as dinâmicas da alma humana podem e devem ser aproveitados para o enriquecimento da prática pastoral do aconselhamento, desde que devidamente reorientadas pelos pressupostos e preceitos da Palavra.
Por fim, lembremos que a única paz completa e permanente que poderemos experimentar é aquela prometida por Jesus Cristo, “deixo-vos a paz, a minha paz vos dou” (Jo 14.27), a qual só se manifestará plenamente em sua vinda e no seu Reino.
3 de dezembro de 2013
Avatar: mais uma investida do neopaganismo
1. História do filme
O
filme ocorre em 2154 d. C.. Thommy tinha uma missão em Pandora. No entanto,
morre uma semana antes. Seu irmão JakeSully, que também é um fuzileiro
(Marine), mesmo paralítico das pernas, resolve continuar a missão, pois tinha o
mesmo genoma. Ele participa de uma experiência em que seres foram criados a
partir do DNA dos nativos do planeta Pandora e o DNA dos humanos. Estes seres
são chamados de Avatar. Segundo fala de Jake, “o conceito é que o controlador
se conecte a seu avatar, para que o
sistema nervoso dos dois se sintonizem”. E assim tentar estabelecer relações
cordiais com os nativos humanoides chamados Na’vi[1],
com o objetivo maior de explorá-los “diplomaticamente”.
Jake
vem se juntar a um grupo de militares que agora se tornaram mercenários neste
outro planeta. Grace Augustine[2]
é a chefe do programa Avatar. O propósito é se infiltrar como um dos Na’vi,
“domesticá-los” e explorar o mineral Unobtanium do planeta deles - Pandora. Os
militares prefeririam resolver na força das armas, e o projeto Avatar tenta
alcançar o mesmo alvo de forma dissimuladamente amigável.
Em
determinado momento Jake em seu avatar vai com outros avatares numa missão de
reconhecimento, até que Jake se vê lutando e fugindo com animais de Pandora.
Ele se afasta e se perde dos outros. Uma das fêmeas Na’vi o encontra e o ajuda.
Depois, Jake é encontrado por outros nativos e é salvo pela “amiga” Na’vi,
sendo em seguida levado para a tribo deles. Ao encontrar-se com o líder do
grupo, a filha que encontrou o avatar de Jake disse que o trouxe a eles por
causa de um sinal de Eywa. Nesse diálogo passa a conhecer a mãe dela, que se
chama Tsahik (que significa “aquela que interpreta a vontade de Eywa”)[3].
Nessa conversa Tsahik decide que sua filha ensine ao avatar seus costumes. O
centro da aldeia dos Na’vi está em cima do maior depósito de Unobtanium num
raio de centenas de quilômetros. A ideia é retirar os nativos de lá e explorar
o mineral.
Depois
que ele retoma a consciência na base, é instruído por Grace sobre os nomes dos
principais dos Na’vi. Dentre eles está Neytiri, que foi a que o ajudou. Ela
será a próxima Tsahik. Até que Jake
pergunta que é Eywa, e lhe respondem: “só sua divindade, sua deusa, feita de
todas as criaturas vivas, e que conhecem”. E assim ele volta para o avatar para
aprender com Neytiri. A primeira lição é andar em um tipo de cavalo, sendo
feita uma ligação de um tipo de crina do animal com o cabelo dele. Essa ligação
é chamada de tsaheylu.
De
volta ao treinamento o avatar de Jake tem aprender a voar com uma ave com a
qual se tem a mesma ligação tsaheylu.
É ensinado a correr sobre as árvores, a atirar com flechas, etc. Essa ligação
não se dá apenas entre alguns animais e os Na’vis, mas entre eles e tudo ao
redor. Uma das indagações de Jake é justamente sobre isso. Em uma das suas
falas em pensamento ele diz: “Ela fala de uma rede de energia que conecta todos
os seres vivos. Ela diz que a energia é só emprestada, e um dia temos de
devolver”. Jake mata um animal e Neytiri diz que seu espírito voltaria para
Eywa e seu corpo ao ser comido faria parte do povo.
Depois
de tantas incursões no mundo de Pandora em seu avatar, Jake começa a entrar em
crise, questionando se lá de fato não era o mundo real. E o real fosse um
sonho. Há também um lugar sagrado para os na’vis chamado Árvore das Almas, onde
os seres humanos nunca tiveram permissão de conhecer.
Numa
cerimônia Na’vi, o avatar de Jake se torna um filho de Omaticaya e agora faz
parte do Povo. Todos vão pondo as mãos nos ombros uns dos outros fazendo uma
grande unidade. Neytiri leva Jake para a Árvore das Vozes – vozes dos
ancestrais – estes fazendo parte de Eywa. Para finalizar o treinamento, ela lhe
diz que ele precisa de uma mulher, a qual ele poderia escolher. Ele diz que
essa mulher teria de escolhê-lo, ela responde que ela já o escolheu. Então se
beijam e se amam. Ela diz: “eu faço parte de você agora”. Dormem juntos e
depois ele acorda e pensa: “o que é que eu fiz”.
Nesse
ápice de inserção no mundo de Pandora entre os Na’vis, eles acordam juntos com
o barulho das máquinas destruindo a floresta. Ele tenta se interpor. Segundo a
Drª Grace Augustine, ela acha que as árvores possuem uma rede de comunicação
entre as raízes como se fosse um grande cérebro com mais neurônios do que o
cérebro humano, por isso os Na’vis tentarão defender o seu meio ambiente a
qualquer custo. Jake e Grace são presos na base da missão, mas conseguem fugir
com mais alguns para outra base onde tem máquina que pode levar a mente ao
avatar deles. Grace morre, depois de tentarem salvar com a divindade de Pandora,
pois estava muito fraca.
Uma
batalha épica acontece. Além de outras tribos nativas, juntam-se aos Na’vis os
animais terrestres e voadores; que segundo Neytiri foram enviados por Eywa em
resposta à prece de Jake. Os nativos, juntamente com o avatar Jake, vencem. Os
invasores são mandados de volta. Jake vai à Árvore das Almas e os nativos numa
espécie de transe coletivo pedem que o espírito de Jake fosse transferido para
o avatar. Os olhos do avatar se abrem. Conseguiram. O filme termina.
2. Meta-história
O
escritor e diretor do filme James Cameron é bem conhecido diretor de cinema. É
um grande defensor de causas ambientais. A mensagem do filme é bem clara quanto
a isso: uma defesa da natureza e dos nativos, apresentando um choque de
cosmovisões. A cosmovisão pagã da adoração da natureza, contra o Ocidente
cristão. Somam-se a isso outros
elementos bem interessantes. Tentaremos expor esses elementos abordando os
aspectos centrais das Escrituras: Criação-Queda-Redenção.
3. Elementos da Criação em Avatar
Todo
espaço físico do filme se dá num ambiente do tipo da criação original de Deus.
A natureza é preservada pelos nativos. Destacam-se aspectos de comunidade; por
serem ainda tribais, a interdependência entre eles é grande. Há entre os Na’vis
representantes políticos e religiosos. As regras básicas têm a ver com a
diretriz da deusa Eywa. Enquanto que as regras dos “colonizadores” é a do maior
lucro no menor espaço de tempo. A beleza do lugar é impar; criação de um mundo
paralelo ao nosso. Ou seja, uma subcriação aos moldes da criação por Deus.
Somando-se o fato da grande tecnologia usada que dá uma beleza visual
impecável. Existe uma enorme diversidade de coisas e seres, mas, ao mesmo
tempo, isso tudo é um (abordaremos essa questão nos elementos da queda).
4. Elementos da Queda em Avatar
A
Bíblia faz uma clara distinção entre criação e Criador. Deus é onipresente, mas
é distinto das coisas que criou. No filme o elemento idólatra é gritante. Tudo
faz parte da divindade chamada Eywa. Essa divindade está em tudo e tudo faz
parte dela – como destacamos na história do filme. Existe a Árvore das Almas,
para onde vão as almas dos ancestrais mortos e aos quais invocam e pedem. A
ligação entre bestas parecidas com cavalos e dragões reforçam essa unidade (o tsaheylu). Enfim, no filme existem
alguns elementos do paganismo histórico. Há o animismo – todas as coisas possuem almas. Panteísmo – todas as coisas são manifestações da divindade; Deus é
tudo. Embora existam religiões panteístas na terra, Avatar evoca de forma
contundente que Pandora não é somente uma divindade que abrange a tudo
(panteísmo), mas que o planeta é um único organismo vivo. Essa ideia é chamada
de Hipótese de Gaia, proposta pelo
investigador inglês James Lovelock em 1972 – ainda discutida no meio acadêmico.
Conforme Fernando Rebouças, “A teoria de Gaia tem simpatizantes ambientalistas,
místicos e pesquisadores”.[4]. Além
do aspecto supracitado da idolatria pagã animista e panteísta e de resquícios
da Teoria de Gaia, há outros aspectos da queda, como avareza e violência.
5. Elementos de Redenção em Avatar
Há
vários elementos de Redenção, tais como a beleza impressionante da natureza
recriada por James Cameron em Pandora. Há harmonia dentro da própria “tribo”
Na’vi e do Povo com seu meio ambiente, uma harmonia que Deus queria que os
seres humanos tivessem com a Terra. Teólogos chamam isso de Mandato Cultural,
onde Deus fala para o homem cultivar a Terra, bem como cuidar dela (Gn 2.15).
O
tema da eternidade é subjacente e tácito, uma vez que a harmonia dos seres
vivos com o restante da natureza vira um círculo unitariano, pois os seres
vivos morrem e voltam à terra, ou seja, à Terra viva, à deusa mãe Eywa. Já que
o que existe é “uma rede de energia que conecta todos os seres vivos. [...] a
energia é só emprestada, e um dia temos de devolver”. Há também um aspecto
vicário no personagem de JakeSully, quando dar tudo de si pelo outro, até que
enfim se torna o outro.
6. Aplicações práticas
Como já dissemos o filme tem
uma abordagem idólatra própria do animismo-panteísmo. Diz o apóstolo Paulo em
Romanos 1.25: “pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e
servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém”.
Doxologicamente, vemos uma inversão das coisas como reveladas na Palavra. Deus
é Criador distinto da criação. Por meio dela glorificamos Aquele que fez todas
as coisas.
Numa
aplicação eclesiológica, temos de alertar aos nossos irmãos em Cristo para
estarem atentos ao consumirem cultura, seja popular ou não. Manifestações
culturais nunca são neutras. Elas sempre comunicam cosmovisões. No caso de
Avatar, a mensagem está lá e precisamos discerni-la.
O
filme também serve para analisar a cosmovisão dos incrédulos. Devemos
reconhecer que temos de cultivar/lavrar a terra, ou seja, usufruirmos dela, sem
exaurirmos seus recursos, dificultando a própria relação do planeta que provê
os recursos de subsistência nossa. No entanto, observar o mandato cultural de
cuidar/guardar a terra, não deve nos levar a adorá-la, como se, de fato, ela
fosse nossa “mãe”, ela como a origem de tudo, pelo contrário. “Porque dele, e
por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória
eternamente. Amém” (Rm 11.36).
Robson Rosa Santana
Texto apresentado como trabalho do módulo Hermenêutica Cultural e Ministério Pastoral, do Mestrado em Divindade (M. Div. - Missões Urbanas), do CPAJ.
[1] Há uma semelhança dessa palavra com palavra hebraica para profeta. Talvez querendo dizer que o povo era um tipo de profeta.
[2]
Chama a atenção que o nome da cientista chefe é Grace (Graça), nome de uma
doutrina central do cristianismo histórico; e o sobrenome Augustine (Agostinho)
refere-se a um dos pais da Igreja do século IV, que é considerado uma das
maiores influencias da civilização Ocidental.
[3] É a líder espiritual, tipo
de uma Xamã.
[4] REBOUÇAS,
Fernando.Teoria de Gaia, in: http://www.infoescola.com/ecologia/teoria-de-gaia/,
acesso em 14 de ago. 2013.
Assinar:
Postagens (Atom)

