5 de outubro de 2017

Martinho Lutero e a Reforma Protestante

    Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483 em Eisleben (Alemanha). Passou sua infância em Mansfeld, onde seu pai trabalhava como mineiro. Depois de estudar o primário em Mansfeld, fez colégio em Magdeburgo e depois foi para a escola superior em São Jorge, em Eisnach. Por ser um estudante pobre, Lutero teve de trabalhar para ganhar o seu sustento, fazendo parte do coro da igreja e até mendigando o pão. Porém, esta situação mudou quando seu pai melhorou de condição financeira e enviou-o a Erfurt para estudar leis. “Na Faculdade de filosofia e como preparação para as leis, estudou lógica, dialética e retórica, assim como física e astronomia”.[1] Em 1502 era bacharel e três anos depois mestre (licenciado). Seu pai ficou tão entusiasmado com seu êxito que deu o custoso Corpus Iuris Civilis pensando que Lutero se empenharia nos estudos de Direito. No entanto, subitamente, ele decidiu tornar-se monge e entrar para um mosteiro, apartando-se, assim, do mundo.
    Quase nada se sabe das causas dessa repentina mudança. Alguns biógrafos dizem que foi fruto de um voto feito durante uma tempestade, mas também por causa do temor das crenças católicas. Na sua concepção o monacato seria o meio mais seguro de se obter a salvação e escapar do inferno[2]. Assim, a tempestade contribuiu para que ele tomasse essa decisão.
    Lutero entrou na ordem mendicante eremita de Santo Agostinho, motivado pela vida piedosa e sábia de João Stauptiz, que então dirigia a Alemanha. Staupitz induziu Lutero a estudar Teologia, e em 1507 foi ordenado sacerdote. Dois anos depois de entrar na ordem, Staupitz enviou Lutero para ensinar em Wittenberg, e logo depois, por assuntos da ordem, enviou-o a Roma.
    A viagem de Lutero a Roma, em 1510, foi um marco importante em sua vida. A ilusão que tinha a respeito de Roma caiu por terra quando ele constatou a imoralidade e a falta de santidade da capital do papado. Ao regressar, foi nomeado prior do convento de Wittenberg e depois de doutorar-se em Teologia em 1512 iniciou sua docência naquela universidade.
    Todavia, a crise espiritual iniciada com a sua entrada no mosteiro não tinha sido resolvida. Nada do que tinha visto e estudado tinha lhe dado paz. Apesar de buscar a reconciliação com Deus, cada vez mais se sentia separado d’Ele por causa de seus pecados. Ele estava em desespero por causa dessa situação. Depois chegou a escrever: “Manter-se em pé com as próprias forças é o erro no qual eu também estive”. No entanto, seria as Escrituras que trariam a paz de espírito que tanto buscava.
    Nos próximos anos anteriores à Reforma, entre 1513 e 1516, os ensinos e pensamentos de Lutero podiam resumir-se do seguinte modo: “o homem obtém o perdão graças a livre graça de Deus. Quando o homem tem a fé nas promessas de perdão, converte-se em um novo ser; a confiança no perdão é o começo de nova vida de santificação”.[3] Nesse novo entendimento acerca do Evangelho, Lutero começou a separar-se rapidamente da teologia escolástica, e de seu fundamento, a filosofia aristotélica.
     Durante o estudo e exposição da epístola aos Romanos, Lutero chega ao ápice de sua conversão: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rm. 3:28). Com essa compreensão, ele se agarra na infinita graça de Deus, trazendo-lhe, assim, confiança e paz.
    A questão das indulgências acelerou ainda mais as divergências de Lutero e a Igreja Católica. O papa Leão X comissionou o arcebispo Alberto de Brandeburgo para pregar as indulgências na Alemanha, com a finalidade de arrecadar dinheiro para as obras da basílica de São Pedro. Como Alberto devia aos banqueiros Függer, encarregou o dominicano Tetzel para tal incumbência. Lutero já tinha se manifestado contra a doutrina das indulgências, e nesta ocasião conseguiu que o Eleitor Frederico negasse permissão a Tetzel de entrar em seus territórios. Porém, muitos súditos compraram as cartas papais. Lutero estava convencido de que o povo estava sendo enganado ao confiar em algo tão alheio à graça de Deus como as indulgências. Por isso negou publicamente a eficácia das indulgências.
    Assim, em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero coloca na porta da capela do castelo de Wittenberg as 95 teses, um documento contra as indulgências. Mas, em nenhuma delas, ele ataca o papa diretamente. “Pelo contrário, a Tese 9 diz: ‘O Espírito Santo nos beneficia através do papa’”[4]. "Estas teses, escritas em latim, não tinham o propósito de criar uma comoção religiosa, como tinha sido o caso das anteriores. Depois daquela experiência, Lutero parece ter pensado que a questão que tinha sido debatida era principalmente do interesse dos teólogos, e que, portanto, suas novas teses não teriam mais impacto que aquele produzido nos círculos acadêmicos".[5] Porém, estas teses tinham material suficiente para encolerizar a Tetzel e o arcebispo Alberto da Mongúcia.
    Num piscar de olhos as teses de Lutero se difundiram por toda a Alemanha, e apesar de se publicarem refutações, estas só serviram para realçar o conteúdo bíblico e teológico das teses. Quando Leão X tomou conhecimento não deu muita importância, pensando que seria algo regional envolvendo dominicanos e agostinianos. No entanto, Prieras, conselheiro do Papa, conseguiu dele uma ordem para que Lutero se apresentasse em Roma dentro de dois meses. Lutero, por sua vez, através de Spalatino, fez saber a Frederico e ao imperador, que isto era um ataque aos direitos das universidades alemãs. O imperador Maximiliano percebeu nesta disputa algo mais que uma discussão teológica e pediu prudência à Santa Sé, conseguindo do papa a revogação da convocação. O assunto passa às mãos de Cajetano, que exige de Lutero uma retratação total. Mas sua falta de sabedoria endureceu ainda mais as posturas.
    Leão X enviou um legado mais político e sagaz, Militz. As conversações chegaram a tal ponto que quase se chega a uma reconciliação, se não fossem as intransigências dos dominicanos. Lutero não queria uma cisão da igreja. Na verdade, ele era contra o rompimento da Igreja Romana. No entanto, sua posição muda diante dos acontecimentos.
    A celeuma crescia. O legado achava que isto havia se tornado num movimento nacional contra Roma. Isto pareceu ficar claro quando, em julho de 1519, Lutero e João Eck se enfrentaram numa grande controvérsia. Após esta, Lutero se convencia do abismo que separava a Bíblia da teologia escolástica. Alguns humanistas, como Filipe Melanchton, o povo e muitos nobres davam provas de apoio a Lutero. "Em junho de 1520, Leão X lançou a bula 'Exsurge Domine', que resultou eventualmente na excomunhão de Lutero. Em resposta, Lutero prontamente queimou em público a bula de Leão”, [6] para espanto de toda Alemanha.
    Neste mesmo ano, 1520, Lutero escreve três obras importantes: A Liberdade do Homem Cristão, O Cativeiro Babilônico da Igreja e A Nobreza Cristã da Nação Alemã. As duas primeiras atacavam doutrinas da Igreja, a última, convocava seu povo à unidade contra Roma. Alguns eruditos ficaram contra ele, um dos principais foi Erasmo de Roterdã. Este escreveu um livro defendendo o livre arbítrio, Diatriba de Libero Arbitrio, contestado energicamente por Lutero na obra De Servo Arbitrio[7], na qual são explicados os efeitos do pecado no homem.
     Após a morte do imperador Maximiliano, assume o poder seu neto Carlos V, cujo império a Alemanha fazia parte. Em 1521, Carlos V convocou uma Dieta em Worms, e Lutero também foi convocado. Ele compareceu acompanhado por nobres, teólogos, soldados e campesinos. Da parte do papa foram enviados os legados Marino Caraccioli e Jerônimo Aleandro, no intuito de que Lutero fosse entregue a justiça.
    Nesta Dieta foi exigido que Lutero se retratasse do que escreveu. Como não lhe foi dado o direito de se defender, ele pede tempo para meditar e lhe dão mais vinte e quatro horas. A segunda sessão foi dirigida por João Eck, que expôs novamente as acusações, sem lugar para debates. Lutero havia de se retratar ou sofrer as conseqüências. Quando chegou a sua vez de falar, foi brilhante. O que disse tinha o apoio dos doutores e santos, das Escrituras Sagradas, bem como das advertências de papas acerca do mau uso das indulgências. Eck queria uma retratação geral, e pedia que Lutero desse uma resposta direta e definitiva. Sua resposta foi: "é impossível retratar-me, a não ser que me provem que estou laborando um erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão evidente; não posso confiar nas decisões dos concílios e dos papas, pois é evidente que eles não somente têm errado, mas se tem contradito uns aos outro. Minha consciência está alicerçada na Palavra de Deus, e não é seguro nem honesto agir-se contra a consciência de alguém. Assim Deus me ajude. Amém".[8]
    Em meio a um grande alvoroço, em que os espanhóis pediam a fogueira e os alemães o trataram como um cavaleiro vitorioso de um torneio, Lutero saiu da audiência. Restava-lhe somente esperar a sentença do imperador. Sob pressão, o imperador proclamou o Édito de Worms, em que se ordenava a queima de seus livros, assim como a difusão de sua doutrina e ameaça de morte aos seus colaboradores. Os legados e o papa ficaram satisfeitos com o édito. Os príncipes alemães, por sua vez, temendo uma revolução popular, foram remissos e indispostos a executar as ordens do édito. Muitos deles eram simpáticos a sua atitude.
    Lutero, entretanto, escrevia a todo vapor em Wartburg. De lá saíram novos tratados, recompilação de seus sermões e início da tradução da Bíblia para o alemão. "Em 1522, Lutero voltou para Wittenberg para tratar das desordens que tinham irrompido na sua ausência".[9] Lideradas por alguns de seus colaboradores, tais como Carlstadt e o iluminista Tomás Muntzer. A ordem voltou à cidade e os líderes expulsos da cidade.
    O número de discípulos se multiplicava. Das várias ordens, monges e monjas deixavam os mosteiros para viver uma vida cristã mais normal. Porém, nesse contexto de aceitação dos ensinamentos do reformador, surgiram três crises graves. A primeira foi a revolta da pequena nobreza do sul da Alemanha. A segunda foi o ressurgimento de Carlstadt e Muntzer, líderes do movimento que depois recebeu o nome de anabatistas. E a terceira foi A Guerra dos Camponeses[10].
    Apesar desses contratempos e dos consequentes desvios doutrinários, a reforma se fortalecia. Carlos V abandonou a Alemanha de 1522 a 1530. Suas lutas lhe impediram de dedicar-se à causa luterana. O norte da Alemanha já havia abraçado a reforma, e de lá se estendeu para Danzig.
    Em meados de 1525, Lutero contraiu matrimônio com Catarina Van Bora, uma ex-freira. Em fins do mesmo ano, a cisão entre católicos e luteranos se aferrava e cada grupo defendia-se mutuamente. Em 1526 aconteceu a Dieta de Spira, na qual Fernando da Áustria ordenou a aplicação do Édito de Worms. Mas como a maioria dos príncipes era luterana, ficou resolvido que cada estado se responsabilizaria diante de Deus e da religião de seu povo. As igrejas reformadas se organizaram rapidamente e o culto evangélico foi estabelecido oficialmente em muitas cidades.
    "Uma segunda Dieta, realizada em Spira, em 1529, revogou a decisão da Dieta anterior e declarou que a fé católica romana era por lei a única fé. Os príncipes luteranos leram um 'Protesto'. A partir daí foram chamados de 'Protestantes' por seus opositores".[11]
    Durante muitos anos os luteranos tentaram melhorar suas relações com Roma. Quando Carlos V voltou a Alemanha, em 1530, tentou resolver essa questão religiosa, que estava convulsionando o império. Assim, nesse mesmo ano, na Dieta de Augsburg, a questão foi debatida. "Numa declaração de princípios, os luteranos apresentaram a famosa Confissão de Augsburg. Melanchton, que se tornara um líder, apenas superado por Lutero, foi o principal autor dessa declaração".[12] Melanchton a redigiu em termos suaves e conciliadores, mas não houve entendimento. Então, o imperador ordenou a aplicação do Édito de Worms, a restauração da autoridade papal e a restituição dos bens eclesiásticos.
    Essas medidas foram uma declaração de guerra. Os príncipes luteranos criaram a Liga de Esmalcalda. A ela se uniram cidades do sul da Alemanha e da Suíça. Porém, não era dessa vez que a reforma seria suplantada. Em 1546, ano em que realmente a guerra começou, a situação ficava mais tensa. Do lado protestante veio à tona a bigamia de Filipe de Hesse, ao casar novamente, por causa da esterilidade da esposa. Do lado católico havia planos para uma Contra-Reforma, que culminou no Concílio de Trento (1543-1563).
    Por causa de uma viajem a Mansfeld no rigoroso inverno de 1546, Lutero ficou muito doente e morreu dias depois. Poucos meses após sua morte sobreveio a guerra. O Eleitor Frederico foi derrotado pelo imperador em Mühlberg, e os espanhóis ocuparam cidades protestantes. Carlos V, por sua vez, tentou impor um credo misto, que não satisfazia a ninguém. A princípio a vitória do imperador contra os protestantes era visível em toda parte. "Pouco tempo depois, porém, Maurício da Saxônia, expulsou-o da Alemanha. Entristecido por isto, e por outros fracassos, Carlos entregou a direção do Império às mãos do seu irmão Fernando. Sob o governo deste, foi feita a Paz de Augsburg na Dieta de 1555, a qual determinava que cada príncipe decidisse qual seria a religião do seu próprio território".[13] Essa paz legalizava o protestantismo na Alemanha, e eram assegurados os frutos da grande cisão com Roma. Somente a Confissão de Augsburg era tolerada, para outros grupos protestantes não havia liberdade. Todavia, a Paz de Augsburg foi o primeiro passo para uma completa liberdade religiosa.
    A influência de Lutero foi sentida em toda a Europa. Sua cisão com Roma espalhou-se rapidamente. Seus escritos tiveram grande aceitação. "Foi assim que seu movimento se fortificou na Boêmia, Hungria, Polônia. Inglaterra, Escócia, França, Países Baixos, Escandinávia, e mesmo na Espanha e Itália. Em alguns desses países, o movimento de reforma religiosa tinha tido início antes mesmo que Lutero surgisse como reformador".[14] Nos países escandinavos, Dinamarca, Noruega e Suécia, a Reforma foi um movimento exclusivamente luterano.

Pr. Robson Santana
IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL

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[1]Ricardo CERNI, Historia del Protestantismo, p.39 (tradução minha).
[2] Idem, p. 39.
[3] Idem , p. 40, 41.
[4] Idem p.42
[5] Justo L. González, A Era dos Reformadores, p. 54.
[6] Earle E. Cairns, O Cristianismo através dos Séculos: uma História da Igreja Cristã, p. 237.
[7] Temos uma obra condensada deste livro, Nascido Escravo, editora Fiel.
[8] Citação extraída do livro História da Igreja Cristã, de Robert Hasting Nichols, p. 166.
[9] R. W. Heinze, Martinho Lutero, in Walter A. Elwell, ed., Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, p. 457, vol. ii.
[10] Cerni, op. cit., pp. 48, 49.
[11] Cairns, op. cit., p. 239.
[12] Robert Hasting Nichols, História da Igreja Cristã, p. 169.
[13] idem, p. 171.
[14] Idem, p.171.

29 de agosto de 2017

Antes de demitir seu pastor | Thom S. Rainer

Isso aconteceu novamente esta semana.

Um pastor me contatou para me informar que seus diáconos pediram sua renúncia. O motivo? Nenhum deles foi realmente claro sobre isso. O melhor que posso discernir a questão é a mudança, ou o passo da mudança.

A igreja é conhecida na região negativamente como uma "igreja devoradora de pastor". Figurativamente, eles comem pastores e os cospem. E está acontecendo de novo.

Eu compreendo. A culpa nem sempre reside na igreja. Os pastores não são perfeitos, e muitos deles fizeram algumas coisas que podem merecer dispensá-los. Mas esse não é o caso da grande maioria das igrejas onde tenho detalhes e boa familiaridade.

Dito de formar simples, pastores demais estão sendo demitidos. Parece uma epidemia.
Então, por favor, líder da igreja, considere estas palavras antes de dispensar seu pastor. 

Por favor, respire e veja se alguma das minhas advertências acertou em cheio.

1. Ore com mais fervor. Você está prestes a tomar uma decisão que moldará sua igreja, o pastor e a família do pastor nos próximos anos. Certifique-se de ter orado e orado e orado sobre essa decisão.

2. Compreenda plenamente a consequência para sua congregação. Uma igreja é marcada uma vez que dispensa um pastor. Membros saem. Visitantes costumeiros que podem se tornar membros se afastam. O moral é devastado. A igreja tem que passar por um período prolongado de cura, onde pode não ter muito foco externo.

3. Ouça outras vozes. Muitas vezes, comitês de pessoal, diáconos ou presbíteros decidem dispensar um pastor porque escutam alguns descontentes. Conheço uma igreja com um comitê de pessoal fraco que demitiu um pastor depois de ouvir um pastor executivo e um diácono mandão. E eles nunca pediram para ouvir o lado da história do pastor.

4. Considere a reputação da igreja na comunidade. Você está prestes a receber o rótulo: "A igreja que demitiu seu pastor". Essa será sua identidade por algum tempo.

5. Procure a mediação. Existem algumas fontes de mediação muito boas disponíveis. Por que não, pelo menos, dar uma chance antes de tomar uma decisão precipitada e muitas vezes desinformada?

6. Deixe o seu pastor saber o porquê. Olhe para o número três novamente. Essa igreja nunca disse ao pastor por que ele estava sendo dispensado. Sério. Acho que é difícil explicar que o diácono e o pastor executivo orquestraram um golpe de sucesso. Estou impressionado com quantos pastores não sabem por que estão sendo afastados. Isso é covarde. Isso não é parecer com Cristo.

7. Considere um plano de transição. Outra igreja abordou sua situação com maior sabedoria e ação cristã. Eles compartilhavam com tristeza ao pastor que a química não estava funcionando entre ele e muitas pessoas da congregação. Mas, ao invés de demiti-lo, deixaram que ele continuasse por até um ano para encontrar outra igreja. É sempre mais fácil encontrar uma igreja se você tiver uma igreja.

8. Seja generoso. Se sua igreja tomar a decisão de despedir seu pastor, seja generoso com indenizações e benefícios. Não trate seu pastor como uma organização secular pode tratar um empregado. Mostre ao mundo a compaixão e generosidade cristãos.

Términos de relacionamento pastor-igreja abruptos são infelizmente comuns. Considere estes oito pensamentos antes de sua igreja tomar uma decisão tão séria e duradoura.

Thom S. Rainer

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Título original: Before you fire your pastor
URL do original:  http://thomrainer.com/2017/08/before-you-fire-your-pastor/
Acesso: 29/08/17
Tradução: Pr. Robson Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)
Revisão: Pr. Walter Leite (Igreja Batista Betel – Aracaju – SE)

27 de agosto de 2017

Como saber se você é um verdadeiro discípulo de Cristo?


Quando Jesus ministrava a palavra aos discípulos, seu foco era mostrar o que significava seguir a Ele e o custo desse discipulado. Em alguns momentos Jesus deixava claro quais eram as marcas ou características de um verdadeiro discípulo. Os escritos do apóstolo João, tanto no Evangelho, como na 1ª Epístola, contêm 3 passagens que se referem ao genuíno discipulado.

1. Os verdadeiros discípulos creem em Jesus e guardam seus mandamentos. Não basta apenas acreditar em Jesus ou até mesmo ter um conhecimento profundo a respeito da pessoa e obra de Cristo. Quem ama a Jesus concorda com Seus ensinos e obedece (João 8.31-32). O Rev. Ricardo Barbosa alerta para uma nova classe de ateus, o ateu crente. Ele sabe tudo acerca de Deus e da religião, mas não vive a fé na prática.

2. Os verdadeiros discípulos amam uns aos outros. Aquele que se considera um discípulo de Jesus deve parar e se perguntar: “eu realmente amo outros discípulos”. Jesus em um dos seus últimos discursos aos discípulos mais próximos, disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13.35). O amor é principal virtude cristã e a base de relacionamentos saudáveis e do nosso serviço ao próximo.

3. Os verdadeiros discípulos frutificam. Jesus é a videira verdadeira, seus discípulos são os ramos. Quem está enxertado nEle, esse dá muito fruto. É uma alegoria muito lógica. E esse é o propósito maior da nossa existência. Por isso Jesus afirmou: “Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos” (João 15.7)

Qual o resultado de seguir a Jesus? Jesus se refere a essa questão em Mateus 4.19 e Marcos 1.17 quando disse aos irmãos Pedro e João:: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Com certeza Jesus estava se referindo ao evangelismo e missões, até porque é isso que vemos os apóstolos fazendo nos Evangelhos, em Atos e nas Epístolas. O chamado de Jesus aos seus discípulos é para a salvação e o serviço, sendo que o principal é esforçar-se para que outros se tornem discípulos verdadeiros e maduros.

Pr. Robson Santana

Adaptado do livro Strategic Disciple Making, de Aubrey Malphurs
Há uma resenha do livro neste blog, veja qui 

21 de agosto de 2017

Por que leva cinco a sete anos para tornar-se o pastor de uma igreja | Thom S. Rainer



Você é o novo pastor da igreja. As expectativas são importantes da sua parte e da parte dos membros. Talvez você celebre com algum tipo de culto de instalação.

Você está pronto para liderar e mover a igreja para a frente. Afinal, você é o pastor. Certo?

Errado.

Na maioria das igrejas estabelecidas, há um período prolongado antes que os membros da igreja como um todo o abracem como pastor. Quando chega esse tempo, a maioria dos pastores desfruta dos seus melhores e mais alegres anos de ministério.
Mas a maioria dos pastores nunca chegou ao quinto ano, muito menos ao sétimo ano. Então, por que leva cinco a sete anos para ser abraçado como o pastor das igrejas mais estabelecidas? Aqui estão sete razões comuns.

1. Demora muito tempo para entrar em padrões de relacionamento estabelecidos. Muitos dos membros existem há décadas. Eles têm seus amigos, familiares e grupos de relacionamento. Os pastores não entrarão significativamente em muitos desses relacionamentos por vários anos.

2. Você está criando novas maneiras de fazer as coisas. Você pode não pensar que você é um grande agente de mudança, mas sua presença como o pastor muda as coisas de forma significativa. Você lidera de forma diferente. Você prega de forma diferente. Sua família é diferente. A igreja tem que se ajustar a todas as mudanças que você traz antes de começar a abraçá-lo completamente como pastor.

3. A maioria dos relacionamentos não se estabelece totalmente até que eles passem por um ou dois grandes conflitos. O primeiro ou segundo ano são seus anos de lua de mel. A igreja acha que você é absolutamente excelente. Então você faz algo, lidera algo, ou muda algo que seja contrário às suas expectativas. Acontece o conflito. Você não é mais o melhor. Então você tem dois anos de lua de mel, um a dois anos de conflito, e um a dois anos para chegar do outro lado do conflito. Então você se torna pastor em cinco a sete anos.

4. A igreja está acostumada a pastores de curto prazo. Muitas igrejas raramente veem um pastor chegar ao quinto, sexto ou sétimo ano. Eles nunca aceitam completamente o pastor, porque eles não acreditam que o líder irá superar o primeiro grande conflito.

5. Pastores anteriores feriram alguns membros da igreja. Há muitas razões para essa realidade, algumas compreensíveis e outras não. Em ambos os casos, um pastor anterior prejudicou alguns membros da igreja, e os membros levam vários anos para aceitar um novo pastor e aprender a confiar novamente.

6. A confiança é cumulativa, não imediata. Essa realidade é especialmente verdadeira em igrejas estabelecidas. Independentemente de como o ministério se desenrola, simplesmente leva tempo antes que os membros da igreja estejam dispostos a dizer com convicção: "Esse é o meu pastor".

Eu sei. Gostaria que pudéssemos estalar os dedos e desfrutar da confiança imediata. Mas, na maioria das igrejas, simplesmente não vai acontecer rapidamente. Serão necessários cinco a sete anos.

Você está disposto a ficar para desfrutar o fruto de um pastorado de longo prazo?


Thom S. Rainer
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Título original: Why it takes five to seven years to become the pastor of a church
Acesso: 21/08/17
Tradução: Pr. Robson Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)

9 de agosto de 2017

Não se ponham em jugo desigual (2 Coríntios 6.14-7.1)

     INTRODUÇÃO
     J. C. Ryle, num pequeno texto intitulado “O Temor de um Pastor", disse:
"O que eu temo em relação a você? Tudo.Temo que você persista em continuar rejeitando a Cristo, até que perca a sua alma. Temo que você seja entregue a uma mente reprovável e não desperte jamais. Temo que você chegue a tal dureza de coração e morte, que nada romperá o seu sono, exceto a voz do arcanjo e da trombeta de Deus. Temo que você se agarre a este mundo fútil, com tanto apego que nada poderá separá-lo dele, exceto a morte. Temo que você viva sem Cristo, morra sem perdão, ressuscite sem esperança, receba julgamento sem misericórdia e seja lançado inevitavelmente no inferno".
 De fato, não há maior tristeza para um pastor do que saber que suas ovelhas estão doentes espiritualmente, que estão em pecado, que estão se colocando em zona de perigo, que estão desprezando a Palavra do Senhor, envergonhando o nome de Jesus e da igreja que frequenta.
Quanto a isso Pedro adverte: “No passado vocês já gastaram tempo suficiente fazendo o que agrada aos pagãos. Naquele tempo vocês viviam em libertinagem, na sensualidade, nas bebedices, orgias e farras, e na idolatria repugnante" (1 Pe 4.3)

   A TESE DE PAULO (v. 14a:): "O CRENTE NÃO PODE SE COLOCAR EM JUGO DESIGUAL COM OS INCRÉDULOS"
"Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos"
Jugo desigual era colocar numa mesma canga um boi e um burro. Eles são diferentes fisicamente. Um maior do que o outro. As passadas eram diferentes. (Lv 19.19; Dt 22.10). Logo, a terra que seria arada ficaria irregular, ficaria um trabalho mal feito. Porque a canga deve ser posta em animais da mesma espécie.
Desse modo, de um modo espiritual, o crente é diferente de um incrédulo. Isso não quer dizer que não devemos falar com pessoas descrentes ou ter certa amizade com eles. Porque se fosse assim Jesus nos tiraria do mundo.
Mas, de acordo com a Bíblia, há certo tipo de relacionamento com os incrédulos e com a sua prática de viver, que é totalmente oposta ao modo de viver de um cristão verdadeiro. Não tem como o cristão compartilhar certas coisas com os incrédulos. Paulo é enfático: "não se ponham em jugo desigual com eles!".

     OS EXEMPLOS DE PAULO (v.14b-16a): COMUNHÃO IMPOSSÍVEL
5 comparações vigorosas de Paulo:
“(1) porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidadeOu (2) que comunhão, da luz com as trevas? (3) Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou (4) que união, do crente com o incrédulo? (5) Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos?”

Paulo adverte contra:
(1) Relações fixas namoro, noivado, casamento. A tendência é que os que não têm Deus influenciem os que têm.
1 Co 2.14: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”
1 Co 7.39: “A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor”.
(2) Em conversas comuns
1 Co 15.33: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”.
(3) Não se unir em comunhão religiosa com eles.
Ecumenismo. Participar de outros tipos de cultos, que não verdadeiramente a Deus.

   O MOTIVO DA SEPARAÇÃO DESSAS COISAS (v.16-18): SOMOS SANTUÁRIO DE DEUS.
“16b Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 17 Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei18 serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.”

    CONCLUSÃO
   2 Co 7:1 "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.
 C. H. Spurgeon: “Se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo”.
Charles E. Fuller: “Comunhão com Deus significa luta com o mundo”.
Leonard Ravenhill: “As grandes águias voam sozinhas; os grandes leões caçam sozinhos; as grandes almas andam sozinhas - sozinhas com Deus”.
João Calvino: “Nada é mais perigoso do que nos juntarmos aos ímpios”.
 Pr. Robson Santana

3 de agosto de 2017

Duas Verdades para Fortalecer sua Fé | Paul Tripp

Você acredita que Deus existe? Eu suponho [...] que você acredita. Se você acredita na existência de Deus, isso significa que você tem fé, certo? Sim ... mas não é tão simples. De acordo com a definição da Bíblia, se você tem fé, também deve significar que você se aproximou de Deus, que você procura agradá-lo e que você valoriza o que ele valoriza (Hebreus 11:6).
Essa é a realidade de sua fé cristã diária? Eu vou ser sincero - eu sei que minha fé nem sempre é tão forte. Embora eu acredite absolutamente na existência de Deus, há momentos em que eu me sinto longe dele. Há momentos em que eu só procuro me agradar. Há momentos em que valorizo o tesouro terrestre mais do que recompensas eternas.
Isso é muito importante compreender: nossa fé cristã é dramaticamente mais do que apenas uma crença intelectual. Não basta que a sua fé simplesmente acredite na existência de Deus. Uma fé forte deveria mudar sua vida radicalmente nos níveis mais básicos.

Então, como fortalecemos nossa fé de onde está para onde Deus quer que ela esteja? Há muitas maneiras, mas aqui estão duas verdades que eu tento meditar em todo tempo:

1. Deus é soberano (Atos 17:26) - "De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar” (NVI).
É fácil para nós dizer que Deus está no controle; é muito mais difícil para nós acreditar em fé que ele realmente é. Muitos de nós estão paralisados pelo pesar de ontem. Muitos de nós vivemos com medo do amanhã. Muitos de nós também queremos controlar situações, locais e relacionamentos de hoje.
Mas se meditarmos sobre a soberania de Deus, nossos corações podem descansar independentemente das circunstâncias externas. Precisamos sempre nos lembrar que tudo o que experimentamos foi determinado antecipadamente pela boa vontade de nosso Pai, e nada pode nos tocar que ele não tenha ordenado amorosamente.
2. Deus está perto (Atos 17:27) - “Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós” (NVI).
Se você for estudar a história da humanidade, quase todos os soberanos (isto é, um líder de governo) governaram à distância. Era, e ainda é, impossível para uma pessoa comum obter uma audiência pessoal com um chefe de estado.
Mas não é assim para o cristão. Lembre-se de que, em qualquer momento, você pode alcançar e tocar o Rei do universo, o Criador dos céus e da terra. Quando você está no chuveiro, quando você está dirigindo, quando você está lutando para dormir no meio da noite, você pode se aproximar de seu Deus e dizer: "Senhor, por favor, ajude-me. Eu preciso de ti".
Nos bons momentos e nos maus, Deus está governando todos os detalhes de sua vida, e ele está fazendo isso intimamente. Diante dos problemas de hoje, lembre-se de que sua fé é muito mais do que intelectual: é profundamente transformadora.
Deus abençoe,
Paul Tripp


Perguntas para meditação
1. Identifique uma área da sua vida cristã, onde a fé tem sido mais intelectual e não tão transformacional. Quais podem ser algumas razões por trás da luta?
2. Como Deus provou ser soberano em sua vida no passado? Identifique uma área de sua vida onde sua soberania comprovada deve dar-lhe descanso hoje.
3. Quais são algumas das possíveis barreiras espirituais que você colocou, que faz com que Deus pareça distante, quando ele realmente não está longe de você?
4. Além de ser soberano e estar perto, escolha outro aspecto do caráter de Deus para meditar nesta semana. Como isso irá incentivá-lo, independentemente das circunstâncias?

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Título original: Two Truths To Strengthen Your Faith
URL do original: https://www.paultripp.com/wednesdays-word/posts/two-truths-to-strengthen-your-faith
Site: www.paultripp.com
Acesso: 03 ago. 08/17
Tradução: Pr. Robson Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)

25 de julho de 2017

Choremos por nós mesmos e pelo mundo

Toda vez que leio as últimas horas de Jesus até sua morte fico profundamente emocionado. É impossível não ser tocado na alma ao ver Jesus realizando a última ceia da antiga aliança, como um teatro vivo da sua morte na cruz no dia seguinte. Pensar que um dos discípulos que comia no prato de Jesus, saiu de fininho e foi entregá-lo por 30 moedas. Comove ver a angústia de Jesus no monte das oliveiras, no lugar chamado Getsêmani (prensa da oliva), e o mesmo discípulo vendido se aproximar de Jesus e saudá-lo com um beijo que deveria ser de carinho, amor e amizade, no entanto, foi o ósculo da hipocrisia e traição. Emociona ver Jesus sendo levando como um malfeitor por gentios pagãos. E ser julgado de modo injusto por causa da inveja e ódio de toda uma liderança religiosa - e política. 

É impenetrável a humildade de Jesus ao ser zombado por Herodes e julgado politicamente por Pilatos. É triste ver uma parte do povo que saudou Jesus com hosanas e ramos de oliveiras, que deu boas vindas ao Rei Messias, esses mesmos gritarem: crucifica-o. É doído constatar que Jesus morreu até muito rapidamente (mesmo que tenha ficado pregado por 6 horas), pois Pilatos se admirou e pediu confirmação ao centurião. 

No entanto, tudo que Jesus fez não deve apenas nos levar a uma reflexão de pesar por todo o sofrimento e humilhação que Ele passou. Pelo contrário, deve nos levar a refletir no amor infinito dele por nós pecadores. Que tudo que passou foi em nosso lugar. Que ao invés de pena, ele quer a inteireza de nosso coração, amor e devoção. Que Jesus quer que abandonemos nossos ídolos, visíveis e invisíveis. Que coloquemos toda nossa confiança nele, pois Deus cuida dos seus, em quaisquer circunstâncias. Mesmo em profunda dor e sofrimento, todo ensanguentado e exausto, ao ver mulheres chorando e batendo no peito, ele disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!" (Lc 23.28). 

Podemos sim nos emocionar e até chorar por todo sofrimento de nosso Salvador, mas não devemos esquecer, principalmente, que temos de chorar por causa da rebeldia recorrente em nós mesmos. Temos de chorar pelos nossos filhos para que a graça de Deus os alcance dia a dia. Temos de continuar chorando por pessoas do mundo inteiro que continuam rebeldes contra o Filho, mas que ainda podem ser encontrados por Ele. Deus nos ajude e nos use, para sua glória.


Pr. Robson Santana

9 de julho de 2017

O surdo-gago, a identidade de Jesus e você | Mensagem em Marcos 7.31-37

    Mais uma vez Jesus faz uma obra maravilhosa. Ele cura um homem que era surdo, com muita dificuldade para falar alguma coisa (gago).
Como dissemos outras vezes, Marcos é um evangelho que destaca Jesus em ação.
A forma como o evangelho foi escrito mostra Jesus sempre indo de um lugar a outro realizando coisas, seja ensinando, pregando ou curando.
Os milagres não beneficiavam apenas as pessoas que as recebiam, mas era um cumprimento profético acerca de Jesus como o Cristo/Messias (Ungido) de D eus.
A primeira parte do evangelho de Marcos enfatiza as realizações de Jesus que apontam para a sua identidade e a segunda parte mostra qual o propósito de Jesus.
Em outras palavras, toda a vida e obra de Jesus em Marcos é para nos mostrar quem Ele era (e continua sendo) e o que o que Ele fez para nos salvar.

Esse milagre contrasta com o milagre anterior. Com a mulher siro-fenícia houve muita relutância para Jesus atender o pedido de libertação da sua filha.
Enquanto com este surdo ele foi de pronto para responder: “tira-o do meio da multidão, toca seus ouvidos, cospe e toca na língua, olha para o céu, suspira e diz: “abre-te!”
Vemos em outros milagres que Jesus não precisou fazer essas coisas, Ele tem poder de ordenar e as coisas acontecerem, mas talvez aquele homem surdo-gago precisasse.
A linguagem dos surdos é não verbal, talvez não houvesse uma língua de sinais como temos. A linguagem principal dos surdos – e por isso mudos – é não verbal. Talvez, por isso, Jesus procedeu daquela forma.
Ele fala com o surdo através do tato e da visão; e talvez ainda com a leitura labial de Jesus, pois Ele falou apenas uma palavra: efatá.
Esse suspiro de Jesus também não era comum.  Foi como um gemido, quando alguém está sentindo dor.
Seria isso por que Jesus se identifica com o drama daquele homem? Pode ser. Mas também poder ser porque há uma identificação mais profunda estava acontecendo: havia um custo maior para Jesus curar aquele homem.
Apenas UMA PALAVRA (grega: mogylalos) é a tradução de “que também falava com dificuldade” ou “gago”
É a mesma palavra traduzida no Antigo Testamento grego (versão Septuaginta - LXX) que está em Isaias 35.6.
Essa palavra é usada somente aqui em Marcos e em Isaias 35.
Vejamos o texto de Is 35.4-6: “digam aos desanimados de coração: "Sejam fortes, não temam! Seu Deus virá, virá com vingança; com divina retribuição virá para salvá-los". Então se abrirão os olhos dos cegos e se destaparão os ouvidos dos surdos. Então os coxos saltarão como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria. Águas irromperão no ermo e riachos no deserto.”
Marcos está dizendo: “os cegos estão vendo? Os surdos estão ouvindo? Os mudos estão falando e louvando com suas línguas?”
Quem estava vendo todas essas coisas acontecendo poderia concluir: Deus veio como está prometido em Isaías 35, Deus está em nosso meio. Esse Deus é Jesus de Nazaré.

Mas há um detalhe nesse texto que nos leva a perguntar: onde está a vingança?
Ele não veio trazer vingança, Jesus veio para receber a vingança do Pai em si mesmo na cruz!
Por isso clamou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
O verso de 2 Coríntios 5.21 explica muito bem isso: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (cf. Rm 8.3).

Finalizando
Esse texto e o da mulher siro-fenícia nos mostram que Deus é aquele que abre os caminhos para nos aproximar dele. Jesus é o Caminho.
Ele foi a Tiro e Sidom (na Filístia). Foi Ele quem quis passar pelas terras de Decapólis (região que o havia rejeitado antes - Gadara).
Jesus está aqui rompendo as barreiras de Israel se dirigindo aos gentios, fazendo uma abertura para todas as nações.
E o propósito de todo agir e mover de Deus nesse mundo é para que pessoas sejam resgatadas da condenação eterna e Seu nome seja glorificado!
Aquelas pessoas ficaram maravilhadas com o que Jesus fez. Como está escrito em Mateus, eles glorificaram ao Deus de Israel.

Aplicação
James Hastings[1] diz que há 4 classes de pessoas:
1. Há pessoas que não veem nada em Cristo para admirar.
2. Outros admiram o que Cristo faz, mas não admiram quem Ele é.
3. Há muitos que O admiram, mas não O adoram.
4. Existem as pessoas que não somente o admiram, mas o adoram de todo coração.
A vida só valerá à pena se você compreender plenamente a mensagem do Evangelho: quem é Jesus e o que Ele fez por nós!
Que classe de pessoa você é?
Robson Rosa Santana



[1] The greek texts of the Bible, St. Mark.