18 de agosto de 2026

Sete Estações da Plantação e Multiplicação de Igrejas














Introdução: Por que plantar e multiplicar igrejas?

Nas últimas palavras que proferiu antes de ascender aos céus, Jesus Cristo deixou aos seus discípulos — e a nós, dois mil anos depois — um mandato que não admite meio-termo nem acomodação. Segundo o relato de Mateus, Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: "Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos" (Mateus 28.18-20, NAA).

A ordem de Jesus não é "façam um culto" ou "façam um evento evangelístico". A ordem é “façam discípulos de todas as nações”. E discípulos, na dinâmica do Novo Testamento, não vivem soltos: eles são batizados, reunidos, pastoreados, disciplinados e enviados dentro de comunidades organizadas — em outras palavras, dentro de igrejas locais. Não existe, nas Escrituras, um plano de discipulado das nações que não passe pela multiplicação de igrejas.

Foi exatamente esse o padrão que vemos em Atos dos Apóstolos. Antes de subir ao céu, Jesus prometeu: "Mas vocês receberão poder, ao descer sobre vocês o Espírito Santo, e serão minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra" (Atos 1.8, NAA). O livro de Atos é, do primeiro ao último capítulo, a narrativa de como aquela promessa se cumpriu — não pela multiplicação de discípulos isolados, mas pela multiplicação de igrejas: em Jerusalém, depois em Samaria e Antioquia, depois pela Ásia Menor, pela Macedônia, pela Acaia, até chegar a Roma.

O apóstolo Paulo, o maior plantador de igrejas do Novo Testamento, tinha uma ambição declarada: "esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já foi anunciado, para não edificar sobre alicerce alheio" (Romanos 15.20, NAA). Ele não estava interessado apenas em pregar; estava interessado em ver igrejas nascendo onde ainda não havia nenhuma. E, ao mesmo tempo, reconhecia que o crescimento dessas igrejas não dependia de técnica humana: "Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento" (1 Coríntios 3.6-7, NAA).

Essa é a tensão saudável em que a igreja evangélica precisa viver: plantamos e regamos com estratégia, disciplina e trabalho árduo — mas é Deus quem dá o crescimento. É por isso que uma congregação local não pode se dar por satisfeita apenas em subsistir, cuidar de si mesma e manter seus programas internos funcionando. Uma igreja fiel à Grande Comissão vive com o coração voltado para fora: para o bairro sem testemunho evangélico, para a cidade vizinha sem uma igreja bíblica, para a próxima geração de plantadores e presbíteros que precisa ser formada. Como o apóstolo orientou Tito: "Foi por esta causa que deixei você em Creta: para que pusesse em ordem as coisas restantes, bem como, em cada cidade, constituísse presbíteros, conforme prescrevi a você" (Tito 1.5, NAA) — o evangelho avança quando levanta liderança local, cidade após cidade.

O quadro que orienta este artigo — as "Sete Estações da Plantação e Multiplicação de Igrejas", desenvolvido no âmbito de ministérios reformados/presbiterianos de plantação de igrejas (Global Church Advancement, sob Steven L. Childers e J. Allen Thompson) — não substitui a teologia bíblica da igreja, mas oferece algo que muitas igrejas carecem: um roteiro prático, com etapas reconhecíveis, para que pastores, presbíteros, diáconos e — de modo especial — a liderança leiga entendam onde estão, o que falta amadurecer e para onde precisam caminhar.


As sete estações do processo

O quadro descreve a trajetória de uma igreja como o crescimento de uma árvore: da semente à árvore frutífera que multiplica novas árvores. São sete estações, cada uma com pessoas envolvidas, processos próprios, um tempo estimado e um objetivo (meta) a alcançar.

1. Preparando — plantando a semente (6 a 12 meses)

Tudo começa antes do primeiro culto público. Nesta fase, o plantador (muitas vezes acompanhado de um mentor) confirma seu chamado e sua visão, define o público-alvo e a região de plantio, dedica-se à oração, recebe treinamento específico para plantação de igrejas, desenvolve sua filosofia de ministério, elabora um plano de ação e uma proposta formal de plantio, e constrói uma base de sustento financeiro e de intercessores.

Meta da estação: um plantador qualificado e preparado, com uma visão clara e uma estratégia definida.

2. Reunindo — reunindo uma comunidade de adoração (6 a 12 meses)

Com a preparação feita, o plantador reúne uma equipe de lançamento (o "launch team"): treina os primeiros colaboradores, estabelece relações de mentoria, faz evangelismo relacional para formar uma rede de contatos, organiza pequenos grupos e ministérios essenciais, administra os primeiros conflitos internos, alinha valores em torno de uma visão comum e, por fim, lança o culto público.

Meta da estação: uma comunidade adoradora reunida, com os ministérios essenciais já em funcionamento.

3. Desenvolvendo — ministérios centrados no evangelho (1 a 2 anos)

Aqui a igreja passa a investir na formação de discípulos em todas as idades: cultiva uma cultura de oração ativa desde a linha de frente da vida da igreja, prega e ensina o evangelho com clareza, forma comunidades de aprendizagem transformadora, desenvolve pequenos grupos de cuidado genuíno, promove evangelismo integral — de palavra e de ação, conforme as necessidades reais da comunidade —, capacita ministérios leigos e dons espirituais, e começa a criar as estruturas funcionais de que a igreja vai precisar para crescer de forma organizada.

Meta da estação: ministérios eficazes do evangelho, sustentados por líderes emergentes que já não dependem apenas do plantador.

4. Mentoreando — formando líderes centrados no evangelho (2 anos, de forma contínua)

À medida que a igreja cresce, cresce também a necessidade de multiplicar liderança. Esta estação é dedicada a desenvolver uma filosofia e uma estratégia de mentoria, e a criar processos de acompanhamento específicos para discípulos em geral, para líderes de pequenos grupos, para presbíteros e diáconos, e para líderes que um dia liderarão o próprio movimento de multiplicação.

Meta da estação: líderes ordenados e capacitados, supervisionando uma igreja saudável e verdadeiramente local (autócne, no sentido de já não depender de fora).

5. Crescendo — liderando a igreja ao crescimento (contínua, sem data de término)

Uma igreja saudável avalia periodicamente sua própria saúde espiritual, estabelece metas concretas de crescimento e lidera deliberadamente quatro frentes: o crescimento interno (maturidade dos membros), o crescimento por expansão (novos convertidos e novos grupos), o crescimento de "ponte" (alcançando grupos culturais ou geográficos vizinhos) e o crescimento organizacional (estruturas, finanças, governança).

Meta da estação: uma igreja local, saudável, em crescimento e já reproduzindo novos discípulos e novos líderes.

6. Localizando — estabelecendo presença na comunidade (2 anos, de forma contínua)

Chega o momento de decidir onde e como a igreja vai se estabelecer fisicamente: multiplicar-se em casas ou células, ou buscar (alugar, construir ou comprar) um espaço próprio. Essa decisão envolve levantar recursos, avaliar terrenos ou imóveis, e — quando necessário — repetir esse processo de busca de local mais de uma vez, à medida que a congregação cresce ou se multiplica em novas frentes.

Meta da estação: instalações adequadas para sustentar os ministérios que estão nascendo.

7. Multiplicando — estabelecendo um movimento de multiplicação de igrejas (contínua)

A estação final não é o fim, mas a virada: a igreja que foi plantada agora se torna plantadora. Isso pede uma visão e uma estratégia unificadas para a multiplicação, um cultivo constante de renovação espiritual (sem isso, o movimento esfria), superação corajosa das barreiras de liderança que normalmente travam o crescimento, sistemas de recrutamento e avaliação de novos plantadores, sistemas de treinamento e mentoria em escala, redes de apoio entre plantadores e igrejas, e uma estratégia de captação de recursos que sustente o movimento como um todo — não apenas uma igreja isolada.

Meta da estação: redes de plantação de igrejas e movimentos de multiplicação genuinamente reprodutivos.


Um detalhe que a liderança não pode perder de vista

Observe que, em todas as sete estações, o quadro original lista as pessoas envolvidas: o plantador, o mentor, a equipe de lançamento, presbíteros e diáconos, aprendizes e estagiários, e — em todas as fases, sem exceção — intercessores. Isso não é acidental. Plantação e multiplicação de igrejas nunca foi, e nunca será, tarefa exclusiva do pastor, evangelista ou missionário. É projeto de corpo inteiro. O leigo que ora com fidelidade, o casal que abre sua casa para um pequeno grupo, o jovem que aceita ser discipulado com o objetivo de discipular outros, o membro que contribui financeiramente para a plantação de uma nova congregação — todos eles são, no sentido mais literal, agentes de multiplicação da igreja de Cristo.


Conclusão

O quadro das sete estações não é uma fórmula mecânica capaz de garantir sucesso — nenhuma metodologia substitui a soberania de Deus sobre o crescimento da sua igreja, como o próprio Paulo reconheceu em 1 Coríntios 3. Mas é um instrumento útil, testado em muitos contextos, para que uma congregação avalie honestamente: em qual estação estamos? O que já amadureceu? O que ainda precisa ser desenvolvido antes de avançarmos para a próxima fase?

A imagem por trás do quadro — semente, muda, árvore jovem, árvore que floresce, árvore de raízes profundas, árvore que multiplica outras árvores frutíferas — é uma imagem profundamente bíblica. Ela nos lembra que a igreja é um organismo vivo, não uma organização estática; que o crescimento saudável é gradual, mas também que uma árvore que nunca dá fruto nem se multiplica não está cumprindo o propósito para o qual foi plantada.

A pergunta que fica para cada congregação, e para cada líder leigo dentro dela, não é apenas "nossa igreja está crescendo?", mas "nossa igreja está se multiplicando"? Estamos formando pessoas, recursos e visão suficientes para que, um dia, uma nova igreja nasça a partir da nossa — e, depois dela, outra, e outra?


Desafios para a liderança

1. O risco de estacionar na fase de "Desenvolvimento". Muitas igrejas nascem, reúnem uma comunidade e desenvolvem bons ministérios internos — e param aí. A multiplicação de líderes e, mais adiante, de novas igrejas, exige uma decisão intencional que nunca acontece "sozinha".

2. A escassez de mentores e formadores de liderança. A estação de "Mentoreando" costuma ser o gargalo mais comum. Sem um sistema deliberado de formação de novos presbíteros, diáconos e plantadores, o crescimento da igreja tem um teto.

3. A tentação do pragmatismo desligado da doutrina. Estratégia e método são bons servos, mas maus senhores. Toda ferramenta de crescimento — inclusive esta — precisa ser avaliada à luz da eclesiologia bíblica e da confessionalidade da igreja, e não o contrário.

4. A dependência excessiva do pastor. Enquanto a multiplicação de ministérios, o cuidado pastoral e o evangelismo dependerem de uma única pessoa, a igreja não estará pronta para plantar outra. A estação de "Multiplicação" só é alcançada por igrejas que já aprenderam a distribuir liderança.

5. A sustentabilidade financeira e estrutural. Levantar recursos para um novo templo, para o sustento de um novo plantador ou para uma rede de plantação exige planejamento de longo prazo — e isso é, em grande parte, responsabilidade da liderança leiga, não apenas do pastorado.

6. A perda da visão de geração em geração. Uma igreja pode ter multiplicado uma vez e, depois, esquecer por que o fez. Manter viva, em cada nova geração de membros, a convicção de que plantar igrejas é obediência direta à Grande Comissão — e não apenas um projeto pontual do passado — é talvez o maior desafio de todos.

A obra é grande, os obreiros são poucos, e o campo já está branco para a ceifa. Que cada líder leigo, dentro de sua esfera de dons e responsabilidade, assuma seu lugar nessa história — orando, servindo, discipulando e, quando chamado, indo plantar.


Robson Rosa Santana[1]

 

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Referência conceitual: quadro "Sete Estações da Plantação e Multiplicação de Igrejas" (Seven Seasons of Church Planting & Multiplication), desenvolvido por Steven L. Childers e J. Allen Thompson, Global Church Advancement. As sete estações foram reapresentadas e explicadas neste artigo com linguagem própria, para fins de reflexão e formação de liderança evangélica.
 



[1] Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil desde 2003. Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano Brasil Central (Goiânia, 2002), Mestre em Divindade (Magister Divinitatis) pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper (São Paulo, 2016) e Licenciado em Filosofia pela Universidade Paulista (UNIP, 2024). Atualmente pastoreando a Igreja Presbiteriana Solar Park (Inhumas-GO). 

25 de julho de 2026

Entendendo as Notícias Recentes Envolvendo o Nome "Igreja Presbiteriana"


Rev. Me. Robson Rosa Santana

Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil


Nas últimas semanas, diversas notícias envolvendo o nome "Igreja Presbiteriana" ganharam grande repercussão na imprensa nacional. Como consequência, muitos irmãos têm procurado seus pastores perguntando se tais acontecimentos representam a posição oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

A resposta, na maioria dos casos, é não.

Embora compartilhem a mesma raiz histórica na Reforma Protestante do século XVI, existem hoje diversas denominações presbiterianas no Brasil, cada uma com governo, constituição, concílios e posicionamentos doutrinários próprios. Assim, nem toda notícia que menciona "Igreja Presbiteriana" refere-se à Igreja Presbiteriana do Brasil.

Este artigo busca esclarecer os principais assuntos que recentemente ocuparam espaço na mídia nacional, distinguindo fatos, decisões, propostas e investigações.

1. O movimento Legendários e a Igreja Presbiteriana do Brasil

O primeiro assunto diz respeito ao movimento masculino Legendários, criado na Guatemala e presente em diversos países, inclusive no Brasil. O movimento promove retiros de imersão para homens, combinando desafios físicos, trilhas, atividades de sobrevivência, palestras e momentos devocionais, tendo como propósito o fortalecimento da masculinidade e da liderança masculina à luz de sua compreensão bíblica.

O tema chegou ao Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil após consulta encaminhada pelo Sínodo Tocantins. Em resposta, uma comissão permanente elaborou um parecer teológico avaliando a compatibilidade do movimento com a doutrina e a prática da IPB.

Segundo o parecer, alguns elementos do movimento suscitam preocupação, como o uso de metodologias inspiradas em coaching motivacional, forte apelo emocional, simbolismos próprios, linguagem que poderia relativizar a suficiência das Escrituras e possíveis impactos na vida da igreja local. Em razão disso, o documento recomenda que pastores, oficiais e membros não participem nem promovam o movimento. 

Entretanto, é fundamental esclarecer que esse parecer ainda não representa uma posição oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil.

O documento será apreciado durante a reunião ordinária do Supremo Concílio da IPB, realizada em Manaus, ocasião em que os comissários poderão aprová-lo, modificá-lo ou rejeitá-lo. Somente após eventual aprovação pelo Supremo Concílio haverá pronunciamento oficial da denominação sobre o assunto. 

2. A investigação envolvendo o Instituto Presbiteriano Mackenzie

Outro assunto amplamente noticiado envolve uma investigação conduzida pela Polícia Federal relacionada ao Instituto Presbiteriano Mackenzie, uma das autarquias educacionais ligadas à Igreja Presbiteriana do Brasil.

Segundo a reportagem do SBT News, a investigação apura a suposta utilização da estrutura institucional do Mackenzie para favorecer uma candidatura nas eleições municipais em Minas Gerais. Entre os fatos investigados estão possíveis reuniões, articulações políticas e eventual uso da influência institucional em benefício eleitoral, circunstâncias que, caso comprovadas, poderão caracterizar infrações à legislação eleitoral. A investigação também menciona o nome do presidente do Supremo Concílio da IPB, Rev. Roberto Brasileiro, em razão de seu vínculo institucional com a administração do Mackenzie. 

É importante, contudo, observar alguns princípios fundamentais.

Primeiramente, a investigação encontra-se em andamento e não representa condenação de qualquer pessoa. No Estado Democrático de Direito vigora o princípio constitucional da presunção de inocência, segundo o qual ninguém será considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença condenatória.

Em segundo lugar, eventual responsabilidade criminal, administrativa ou eleitoral recai sobre pessoas físicas que tenham participado dos fatos investigados, e não automaticamente sobre toda a Igreja Presbiteriana do Brasil.

O Instituto Presbiteriano Mackenzie é uma autarquia vinculada à IPB, mas isso não significa que toda a denominação compartilhe ou responda por eventuais atos praticados por seus administradores.

Caso a Justiça venha a comprovar qualquer irregularidade, os responsáveis responderão perante os órgãos competentes da República Federativa do Brasil e, como cristãos, também prestarão contas diante de Deus. Se, por outro lado, não houver comprovação das acusações, igualmente deve prevalecer o respeito ao devido processo legal e à honra das pessoas investigadas.

Como igreja, nossa postura deve ser de prudência, oração e confiança na justiça, evitando julgamentos precipitados ou generalizações que comprometam a reputação de toda uma denominação por causa de fatos ainda submetidos à apuração.

3. A ordenação feminina na Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

Outra notícia amplamente divulgada refere-se à decisão da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB) de permitir a ordenação de mulheres aos ofícios eclesiásticos.

É importante esclarecer que essa decisão não foi tomada pela Igreja Presbiteriana do Brasil.

A IPIB é uma denominação autônoma, organizada em 1903, após sua separação da IPB. Desde então, ambas possuem constituições, concílios e governos completamente independentes.

Em seu Supremo Concílio, a IPIB aprovou alterações constitucionais que permitem a ordenação de mulheres como diaconisas, presbíteras e pastoras.

Já a Igreja Presbiteriana do Brasil permanece fiel ao entendimento histórico expresso em sua Constituição e em sua interpretação das Escrituras, segundo a qual os ofícios de diácono, presbítero regente e ministro da Palavra são exercidos por homens vocacionados e regularmente ordenados.

Portanto, trata-se de uma decisão interna da IPIB, sem qualquer efeito jurídico ou doutrinário sobre a IPB. 

4. A Igreja Presbiteriana Unida e a inclusão de pessoas LGBTQIAPN+

Outro tema que gerou repercussão nacional foi a decisão da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) de admitir pessoas LGBTQIAPN+ como membros e também ao ministério pastoral.

Mais uma vez, essa notícia não envolve a Igreja Presbiteriana do Brasil.

A Igreja Presbiteriana Unida constitui uma denominação distinta, organizada em 1978, possuindo governo, constituição e posicionamentos doutrinários próprios.

A decisão pertence exclusivamente aos seus concílios internos.

A Igreja Presbiteriana do Brasil continua sustentando sua posição histórica acerca do casamento, da sexualidade e da ordenação ministerial, conforme sua interpretação das Escrituras Sagradas e dos Símbolos de Westminster.

Por essa razão, não se deve atribuir à IPB decisões tomadas por outra denominação apenas porque ambas utilizam o nome "presbiteriana". 

Considerações finais

Vivemos um tempo em que manchetes circulam rapidamente e, muitas vezes, são compartilhadas sem a devida contextualização. Como cristãos, somos chamados a examinar cuidadosamente os fatos (At 17.11), rejeitando tanto a desinformação quanto os julgamentos precipitados.

É importante lembrar que:

• a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB);

• a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (IPIB); e

• a Igreja Presbiteriana Unida (IPU)

são denominações distintas, independentes entre si, cada qual com sua própria Constituição, seus concílios e suas decisões.

Que Deus conceda discernimento à sua Igreja, sabedoria aos concílios, fidelidade às Escrituras e integridade aos seus líderes, para que "tudo seja feito para a glória de Deus" (1Co 10.31).


Referências

FEITOZA, Cézar. PF apura atuação de diretor do Mackenzie em eleição em MG. SBT News, São Paulo, 22 jul. 2026. Disponível em: https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/politica/pf-apura-atuacao-de-diretor-do-mackenzie-em-eleicao-em-mg. Acesso em: 25 jul. 2026.

FOLHA DE S.PAULO. Igreja Presbiteriana pode declarar Legendários incompatível com sua doutrina. Reproduzido por O Globo, Rio de Janeiro, 20 jul. 2026. Disponível em: https://share.google/rAWuiF7sYSKyxJ2V7. Acesso em: 25 jul. 2026.

GAZETA DO POVO. Igreja Presbiteriana avalia se Legendários é um movimento compatível com sua doutrina. Curitiba, 20 jul. 2026. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/igreja-presbiteriana-avalia-se-legendarios-e-um-movimento-compativel-com-sua-doutrina/. Acesso em: 25 jul. 2026.

GUIAME. Igreja Presbiteriana Unida do Brasil aprova incluir LGBTs como membros e pastores. São Paulo, 24 jul. 2026. Disponível em: https://guiame.com.br/amp/gospel/noticias/igreja-presbiteriana-unida-do-brasil-aprova-incluir-lgbts-como-membros-e-pastores.html. Acesso em: 25 jul. 2026.

JORNAL OPÇÃO. Igreja Presbiteriana do Tocantins propõe restrição ao Legendários e aponta possíveis desvios da tradição reformada. Tocantins, 20 jul. 2026. Disponível em: https://tocantins.jornalopcao.com.br/noticias/igreja-presbiteriana-do-tocantins-propoe-restricao-ao-legendarios-e-aponta-possiveis-desvios-da-tradicao-reformada-594542/. Acesso em: 25 jul. 2026.

METRÓPOLES. Igreja Presbiteriana aprova incluir LGBTQIAPN+ como membros e pastores. Brasília, 23 jul. 2026. Disponível em: https://www.metropoles.com/brasil/igreja-presbiteriana-aprova-incluir-lgbtqiapn-como-membros-e-pastores. Acesso em: 25 jul. 2026.

O GLOBO. Igreja Presbiteriana Unida aprova inclusão de pessoas LGBTQIAPN+ como membros e pastores. Rio de Janeiro, 23 jul. 2026. Disponível em: https://share.google/bl5iA6VdamN9ZVuGp. Acesso em: 25 jul. 2026.

RODRIGUES, Kellen Christiane. As mulheres ordenadas na IPI do Brasil. O Estandarte, São Paulo, ano 132, n. 3, mar. 2024, p. 27. Disponível em: https://ipib.org.br/wp-content/uploads/2024/08/03_2024_web.pdf. Acesso em: 25 jul. 2026.

24 de junho de 2026

Diálogos que Conectam: "Seguindo a Verdade em Amor" (comunicação no casamento)

 Texto-base: Efésios 4.15

 Há alguns anos, vivi um dos períodos mais desgastantes do meu ministério. Em questão de meses, vi três casais da nossa igreja desabarem. Divórcio. Sentar com eles era como fazer uma autópsia emocional: cada história tinha seus traumas específicos, mas todas partilhavam do mesmo DNA de destruição. Ninguém havia dito o que precisava ser dito, da forma como precisava ser dito, na hora em que precisava ser dito.

Aquilo me tirou o sono. Comecei a cavar atrás de respostas. Acabei saindo da bolha dos livros de teologia e esbarrei em um estudo comportamental denso da Universidade de Washington, liderado pelo psicólogo John Gottman. Ele passou décadas trancando milhares de casais em laboratórios para observar como eles brigavam. A conclusão dele foi um soco no estômago: o que mata um casamento a longo prazo não é, primordialmente, a crise financeira ou a infidelidade. É a falha crônica na comunicação.

Gottman deu nome aos monstros. Ele os chamou de os "Quatro Cavaleiros do Apocalipse Conjugal":

  • A crítica destrutiva;
  • O desprezo;
  • A postura defensiva;
  • O bloqueio emocional (o famoso "gelo").

Quando esses quatro se mudam para dentro de uma casa, o casamento morre por asfixia.

O que me impressionou não foi a precisão do cientista secular. Foi perceber que ele havia gastado milhões de dólares para descobrir o que o apóstolo Paulo já havia resumido em uma única linha, há dois mil anos, numa carta enviada a Éfeso:

"Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo." (Efésios 4.15)

Um versículo. Uma frase. Uma revolução debaixo do teto. É sobre essa mecânica da alma que precisamos conversar hoje.

 1. O Que Nos Impede de Conversar de Verdade?

 Antes de tentar consertar o diálogo, precisamos entender onde o motor fundiu. A falta de comunicação no casamento não é preguiça; é um sintoma de fraturas mais profundas.

 a)  O Peso da Mochila Invisível (Feridas Não Curadas)

Ninguém entra no casamento sem bagagem. Entramos com malas pesadas, cheias de traumas da infância. Gente que cresceu em lares onde o conflito era resolvido aos gritos, ou pior, trancado em um quarto escuro de silêncio absoluto.

Lembro de André e Marina. Oito anos juntos. Diante de qualquer tensão, André sumia mentalmente. Respondia com monossílabos. No aconselhamento, a raiz apareceu: o pai de André era um homem violento, que batia na mesa. O pequeno André aprendeu que, para sobreviver, ele precisava sumir, ficar invisível. O silêncio era sua segurança. O problema é que, no casamento, o mecanismo de defesa da infância virou uma arma de isolamento contra a esposa.

Como diz Provérbios 18.14: "O espírito firme sustenta a pessoa na sua doença, mas o espírito abatido, quem o pode suportar?" O Evangelho nos convida à honestidade. Casamentos saudáveis exigem pessoas dispostas a olhar para o próprio espelho antes de apontar o dedo para o outro.

 b) O Tabuleiro do Orgulho (Falar para Vencer)

Casamento não é debate político. Mas agimos como se fosse. Quando uma conversa difícil vira uma disputa de tribunal onde um precisa sair culpado e o outro inocente, a intimidade é sepultada. O objetivo deixa de ser a restauração e passa a ser o triunfo.

Uma esposa me disse uma vez: "Meu marido sempre tem a última palavra. E a última palavra dele é sempre: 'Você está errada'." Ele não conversava; ele contra-atacava. O resultado? Ela simplesmente cansou e se calou.

A Bíblia é cirúrgica aqui: "Da soberba só resulta a discórdia..." (Provérbios 13.10). Para o diálogo nascer, o desejo de ter razão precisa morrer.

 c) A Ilusão da Proximidade (A Tirania do Celular)

Nós nunca estivemos tão conectados e, paradoxalmente, tão sozinhos. Dois corpos na mesma cama, iluminados pela luz azul de telas de celulares, orbitando em galáxias completamente diferentes. O casamento raramente morre num acidente trágico; ele morre de fome, um dia de cada vez.

Uma pesquisa da Universidade de Michigan revelou que casais gastam, em média, apenas 27 minutos por semana em conversas profundas. O resto do tempo é logística pura: "Comprou o leite?", "Quem pega o menino na escola?", "A fatura venceu". São menos de quatro minutos por dia de conexão real.

Em Deuteronômio 6, a orientação era falar das coisas mais importantes da vida andando pelo caminho, deitando e levantando. Intimidade exige tempo de tela desligada e olho no olho.

 d) O Medo de Ser Visto (A Paz Superficial)

Existem casamentos que não têm brigas. Mas também não têm vida. Uma paz armada, fria, onde o diálogo não passa da previsão do tempo ou do cardápio do almoço. É o casamento do "está tudo bem" dito com um olhar deserto.

Temos pavor da vulnerabilidade. Brené Brown, que passou anos estudando isso, pontua bem: nós confundimos armadura com força. Mas a armadura que te protege de um ferimento é a mesma que te impede de receber um abraço.

Em Gênesis 2.25, o texto diz que o homem e a mulher "estavam nus e não se envergonhavam". Não era só falta de roupa. Era falta de máscaras. O pecado trouxe as folhas de figueira — o primeiro mecanismo de defesa da história. O Evangelho serve exatamente para rasgar essas folhas e nos dar coragem de sermos conhecidos de verdade.

 e) A Verdade Como Pedrada (Honestidade Cruel)

Há quem confunda sinceridade com falta de educação. Gente que joga a verdade na cara do outro como quem atira um paralelepípedo. Paulo não disse apenas "falem a verdade". Ele colocou uma condição: "em amor". A verdade sem amor não liberta; ela mutila. É o sino que tine de 1 Coríntios 13. Você pode estar coberto de razão teológica e jurídica, e ainda assim estar destruindo sua família pela forma como fala.

 2. A Reconstrução do Altar do Diálogo

 Se o diagnóstico é duro, o Evangelho não nos deixa no chão. Paulo nos dá o caminho prático para a restauração da mesa de conversa.

 

  • 1. A Reforma Começa no Quarto (Espiritualidade Pessoal): A sua comunicação não melhora mudando a técnica, muda quando o coração se dobra. Se você não está em paz com Deus no secreto, sua mesa de jantar será um campo de batalha. Salmo 51.6 diz que Deus se agrada da verdade no íntimo. Pare de orar para Deus mudar o seu cônjuge. Ore para que Ele exponha os seus próprios ídolos domésticos.

 

  • 2. A Sabedoria do Cronômetro (Timing): Escolha a hora de falar. Discutir a relação com o outro exausto, com fome ou prestes a sair para o trabalho é autossabotagem. "A palavra dita a seu tempo, quão boa é!" (Provérbios 15.23). Se o assunto é pesado, agende. "Preciso falar sobre algo sério com você. Quando podemos sentar com calma?" Isso desarma o espírito de defesa.

 

  • 3. Ouvir para Compreender, Não para Reater: A maioria de nós não ouve; apenas espera a nossa vez de falar enquanto formula a tréplica na mente. Tiago 1.19 deveria ser colado no espelho do banheiro: "Prontos para ouvir, tardios para falar". Faça o teste da escuta reflexiva: quando seu cônjuge terminar, diga: "Deixe-me ver se entendi: você está se sentindo assim por causa daquilo... é isso?" Só o fato de se sentir ouvido desarma metade do conflito.

 

  • 4. Troque a Acusação Pela Confissão: Pare de falar em segunda pessoa ("Você sempre faz...", "Você nunca..."). Isso põe o outro no banco dos réus. Fale em primeira pessoa: "Eu me sinto sozinho quando...", "Eu fico ansioso quando...". A acusação fecha portas; a revelação da própria fragilidade convida ao cuidado. Efésios 4.29 nos manda falar apenas o que edifica e concede graça.

 

  • 5. Queimar o Arquivo de Mágoas (Perdão Ativo): Tem casal que tem excelente memória para o erro alheio. Guarda tudo num arquivo mental para usar como munição na próxima briga. O perdão em Efésios 4.32 é claro: "perdoando-vos mutuamente, como também Deus vos perdoou em Cristo". Se Cristo cancelou nossa dívida impagável, quem somos nós para cobrar juros de quem dorme ao nosso lado? Resolveu? Arquivou. Caso encerrado.

 

  • 6. Joelhos no Chão (Oração em Duas Vozes): É praticamente impossível nutrir um ódio destrutivo por alguém com quem você ora todas as noites. A oração expõe nossa nudez diante do Criador. Não precisa ser uma oração longa ou teologicamente complexa. Cinco minutos. Agradecer por algo no outro e pedir graça para o dia seguinte. A oração de joelhos dobra o orgulho.

 

O Dia em que as Máscaras Caíram

Quero fechar lembrando de Ricardo e Fernanda. Dezesseis anos de casados. Eles não brigavam; eles apenas coexistiam. Eram dois estranhos dividindo o mesmo teto e as despesas do cartão de crédito. Ele, trancado em seu silêncio herdado da infância; ela, cansada de tentar puxar assunto, havia desistido.

A virada aconteceu num retiro. Numa dinâmica simples, o pastor pediu que escrevessem num papel algo que nunca tinham tido coragem de verbalizar.

  • Fernanda escreveu: "Tenho medo de que você não sinta mais nada por mim."
  • Ricardo escreveu: "Tenho medo de não saber como te amar do jeito que você precisa."

Quando leram o bilhete um do outro, o gelo que durava anos quebrou em forma de lágrimas. Não houve mágica, mas houve o início de um processo lento, doloroso e intencional. Buscaram ajuda, desligaram as telas, reaprenderam o alfabeto da vulnerabilidade.

Anos depois, conversando com o Ricardo, ele me disse algo marcante: "Entendi que minha esposa não quer um homem que tenha todas as respostas. Ela só precisa que eu esteja ali. Que eu converse. Que eu ouça."

Eles entenderam Efésios 4.15. Seguiram a verdade. Mas envolveram essa verdade em amor. E, finalmente, cresceram.

O que Deus quer de nós hoje não é a performance de um casamento perfeito de redes sociais. É a coragem da honestidade. É a disposição de guardar as armas, abrir os braços e dizer para quem está do seu lado:

"Eu estou aqui. Pode falar. Eu vou ouvir."

 

Pr. Robson Rosa Santana

Igreja Presbiteriana do Brasil

robsonsantana.teo@gmail.com

27 de novembro de 2025

"Um Filho se nos Deu": Profecias da Vinda de Nosso Salvador

Antes mesmo de dezembro, as cidades se enfeitam para as festas de fim de ano, especialmente o Natal. Luzes e sons se multiplicam, mas, apesar das ornamentações e presépios que lembram o maior evento da história, o verdadeiro Aniversariante muitas vezes permanece ofuscado. Por isso, é sempre oportuno voltar às Escrituras para compreender o significado e o propósito da vinda de Jesus.

Todo o Antigo Testamento aponta para o nosso Salvador. Já em Gênesis, Deus anuncia que a “descendência da mulher” esmagaria a serpente (Gn 3.15). A promessa passa por Abraão, cuja descendência abençoaria todas as nações (Gn 12.3; 22.18; Gl 3.16). Em Números 24.17, o cetro que se levanta de Israel se cumpre em Cristo, promessa ligada à tribo de Judá, da qual o “cetro não se arredaria” (Gn 49.10). Essa linhagem chega a Davi, a quem Deus garante um descendente que reinaria para sempre (2Sm 7.12-16; Sl 89.3-4). Assim, Jesus é reconhecido nos Evangelhos como o “Filho de Davi” (Mt 1.1; Lc 1.32-33).

Entre os profetas, nenhum é mais claro acerca do nascimento, obra e identidade do Messias do que Isaías, o “profeta evangélico”. Ele anuncia o nascimento virginal (Is 7.14), cumprido em Maria (Mt 1.22-23; Lc 1.34-35). Isaías descreve ainda o sofrimento do Servo do Senhor (Is 53), que carregaria nossas dores e pecados, profecia cumprida na cruz do Calvário.

Em Isaías 9.1-7 encontramos três aspectos da manifestação do Reino de Cristo, o Filho que nos foi dado. Primeiro, Sua doutrina: a luz que resplandece nas trevas espirituais. Essa luz é o evangelho na pessoa e obra de Jesus, como declara João (1.4-5; 8.12). Ele é quem traz a verdadeira alegria ao coração humano.

O segundo aspecto é que Jesus luta nossas batalhas espirituais e nos concede a vitória. Embora soframos derrotas na peregrinação terrena, a vitória final é garantida. Como afirma Romanos 8.37, “somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou”.

O terceiro aspecto é o modo como Ele governa. Jesus é o “Maravilhoso Conselheiro”, que nos guia com perfeita sabedoria; o “Deus Forte”, poderoso para salvar e guardar; o “Pai da Eternidade”, um com o Pai de eternidade a eternidade. Nosso Salvador é Pai do mundo porvir; e o “Príncipe da Paz”, que reconcilia pecadores e concede a paz que excede todo entendimento (Fp 4.6-7).

Você já desfruta da luz, da alegria e da paz de Cristo? Ele já reina em sua vida? São sábias as palavras de Angelus Silesius: “Mesmo que Cristo nasça mil vezes em Belém, se não nascer em ti, tua alma continuará desamparada.”


Pr. Robson Santana
Igreja Presbiteriana Solar Park
Inhumas-GO


31 de outubro de 2025

Evangelismo Relacional


Vivemos em um tempo de desconexão. As pessoas estão cercadas por tecnologia, mas carentes de relacionamentos significativos. É nesse contexto que o evangelho encontra um caminho poderoso: o evangelismo relacional. Ele não é uma estratégia fria ou um programa temporário, mas um estilo de vida. É a proclamação de Cristo por meio de vínculos reais — onde a amizade se torna ponte para a graça.

O Evangelismo de Rede, conforme a apostila de treinamento da ShareWord Global, nos desafia a enxergar nossa “rede” de contatos como um campo missionário. Família, vizinhos, colegas de trabalho ou amigos de longa data — todos fazem parte das oportunidades cotidianas que Deus coloca diante de nós. A evangelização começa quando decidimos nos conectar de forma intencional com as pessoas que já estão perto.

O modelo proposto apresenta quatro tipos de conversas que podem nos conduzir até o momento de anunciar Cristo:

1.    Bate-papo: interações simples, leves, que abrem espaço para relacionamento.

2.    Pessoal: troca de experiências e interesses, onde se aprende sobre o outro e também se compartilha algo de si.

3.    Espiritual: conversas que tocam temas de fé e propósito, naturalmente.

4.    Evangelística: quando apresentamos quem é Jesus e o que Ele fez por nós.


Essas etapas nos lembram que evangelizar é um processo. Jesus mesmo conversou com pessoas em diversos níveis — como com a samaritana (João 4) ou Zaqueu (Lucas 19). Ele se conectou primeiro, ouviu, mostrou interesse genuíno e, então, revelou o poder transformador da salvação.


O evangelismo relacional também envolve quatro habilidades essenciais: conectar, contar, compartilhar e entregar.

   Conectar: identificar quem está em sua rede e buscar contato significativo.

   Contar: testemunhar sua história de fé de forma simples e honesta.

   Compartilhar: apresentar a história de Cristo — Seu nascimento, ministério, morte, ressurreição e ascensão.

   Entregar: oferecer a Palavra de Deus, seja um texto bíblico, uma oração ou um convite para ler o Evangelho.

Evangelizar, portanto, é participar do movimento do amor de Deus no mundo. Não se trata de vencer debates, mas de revelar Jesus nas relações mais comuns. É permitir que o Espírito Santo use nossas palavras, atitudes e presença para conduzir outros à fé.

Que cada membro da nossa igreja viva o evangelismo como expressão natural da comunhão com Cristo. Que a fé seja visível nas conversas do cotidiano e nas amizades sinceras.

Para refletir e praticar:

1.    Quem está em minha rede de relacionamentos que ainda não conhece a Cristo?

2.    Que tipo de conversa eu tenho tido com essas pessoas — superficial, pessoal, espiritual ou evangelística?

3.    Como posso demonstrar o amor de Jesus de forma prática nesta semana?

4.    Que passo de fé posso dar para compartilhar minha história com alguém?

“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15)

Adaptado de Apostila de Treinamento — Evangelismo de Rede. ShareWord Global, 2023.

16 de outubro de 2025

Sete Soluções para a Falta de Dinheiro


Aprendendo princípios antigos para uma vida financeira próspera e equilibrada

Você já se perguntou por que algumas pessoas prosperam enquanto outras vivem sempre no limite, mesmo trabalhando tanto? A diferença, muitas vezes, está em princípios simples — e antigos. Neste artigo, descubra sete segredos de sabedoria financeira ensinados há séculos em O Homem Mais Rico da Babilônia (Ed. Harper Collins, 2017) e veja como aplicá-los hoje para viver com equilíbrio, segurança e propósito.

Tenho me dedicado à leitura de uma série de livros sobre administração financeira e planejamento para uma melhor qualidade de vida na fase final da jornada. Além de acompanhar especialistas em investimentos nas redes sociais, assistir a vídeos, podcasts e ler relatórios financeiros disponíveis gratuitamente, aprendi muito com três obras essenciais: Pai Rico, Pai Pobre (Robert T. Kiyosaki), Os Segredos da Mente Milionária (T. Harv Eker) e, atualmente, O Homem Mais Rico da Babilônia (George S. Clason). Resolvi, então, fazer um resumo adaptado de um dos capítulos deste último livro.

No capítulo 3, intitulado “Sete Soluções para a Falta de Dinheiro”, Arkad — personagem fictício — é convocado pelo rei da Babilônia para ensinar ao povo como tornar-se próspero. A cidade era rica, mas apenas poucos desfrutavam dessa riqueza. A seguir, vejamos como ele apresenta suas lições.

Primeira solução: Comece a fazer seu dinheiro crescer

Segundo o homem mais rico da Babilônia, é preciso começar com o que já temos e, a partir daí, reservar uma parte do que ganhamos. Sua orientação é clara: guardar 10% da renda. Esse é o ponto de partida para qualquer prosperidade duradoura.

Segunda solução: Controle seus gastos

Normalmente, adequamos nossas despesas ao que ganhamos. Para não gastarmos igual ou mais do que recebemos, é necessário focar no essencial e aprender a controlar nossos desejos. Um bom orçamento revela para onde o dinheiro está indo e nos ajuda a eliminar desperdícios. Assim, é possível viver de modo equilibrado, satisfazendo necessidades – incluindo o lazer - sem comprometer toda a renda.

Terceira solução: Multiplique seus rendimentos

Arkad ensina que o dinheiro deve “trabalhar para nós”. Ele ilustra com o exemplo de um empréstimo a um comerciante — o que, hoje, seria ilegal para pessoas físicas (agiotagem) —, mas o princípio permanece: fazer o dinheiro gerar mais dinheiro.

Atualmente, isso se aplica aos investimentos, seja em renda fixa, que oferece mais segurança e previsibilidade (como Tesouro Direto — Selic ou IPCA+, CDBs, LCIs, LCAs, Debêntures), seja em renda variável, que envolve maior risco e potencial de lucro (como ações, fundos imobiliários — FIIs —, ETFs, BDRs ou criptomoedas). Em palavras simples, emprestamos nosso dinheiro a instituições que o usam para obter lucros — e nos recompensam por isso. Clason resume bem: “A riqueza de um homem não deve ser aquilatada pelas moedas que ele consegue juntar; ela se acha, sim, nos lucros que essa soma pode produzir” (p. 46).

Quarta solução: Proteja seu dinheiro contra a perda

Como o mercado financeiro e a política econômica são instáveis, é essencial proteger os investimentos. Arkad afirma que primeiro e principal princípio de um investimento é a “segurança do capital aplicado” (p. 48). É preciso estudar antes de investir e buscar orientação de pessoas experientes. Altos rendimentos sem segurança são armadilhas que levam à perda do capital principal. É sábio usar os conhecimentos dos melhores investidores e/ou consultores financeiros.

Quinta solução: Faça do lar um investimento seguro

Arkad aconselha: “Tenha seu próprio lar”. Ter uma casa própria, além de garantir estabilidade, geralmente é mais econômico do que pagar aluguel. O valor que se gasta mensalmente em aluguel muitas vezes equivale à prestação de um financiamento, mas sem retorno patrimonial.

Sexta solução: Assegure uma renda para o futuro

A vida se estende da infância à velhice — e a aposentadoria raramente mantém o mesmo padrão de vida da fase ativa. Por isso, é imperioso preparar-se. Investimentos em previdência privada, seguros de vida e imóveis são alternativas para garantir estabilidade no futuro. Como afirma Clason: “Seja previdente quanto às necessidades de sua velhice e quanto à proteção de sua família” (p. 53).

Sétima solução: Aumente sua capacidade de ganhar

Por fim, Arkad ensina que devemos ampliar nossas fontes de renda. Muitos reclamam do pouco que ganham, mas não buscam capacitação ou novas oportunidades. Reclamar não muda nada. É preciso agir: poupar, investir, qualificar-se e, se possível, diversificar as fontes de rendimento. Com atitude e disciplina — e a bênção de Deus — é possível prosperar.

Essas sete soluções mostram que prosperar não é questão de sorte, mas de sabedoria, disciplina e propósito. A Bíblia ensina: “Os planos bem elaborados levam à fartura, mas o apressado sempre acaba na miséria” (Provérbios 21.5). Deus não condena o dinheiro — Ele nos alerta sobre o amor a ele, a avareza, que é idolatria. Quando colocamos as finanças a serviço de propósitos justos e do bem, o dinheiro se torna uma ferramenta de bênção, e não de escravidão. Comece hoje mesmo a aplicar esses princípios. Pequenas atitudes diárias podem transformar sua vida financeira e abrir o caminho para uma vida mais estável, generosa e abençoada.

Robson Rosa Santana
Pastor da Igreja Presbiteriana Solar Park (Inhumas-GO)

21 de agosto de 2025

O valor incalculável do reino dos céus (Sermão em Mateus 13.44)

 ARA O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu. E, transbordante de alegria, vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.

 Introdução

Imagine-se caminhando em um terreno aparentemente comum. Aos olhos humanos, não há nada de especial: apenas pedras, terra dura e mato seco. Mas, de repente, ao cavar, você se depara com um cofre cheio de ouro, pedras preciosas e riquezas incalculáveis. Como reagiria? Certamente sua vida mudaria para sempre.

Foi exatamente essa a cena descrita por Jesus na Parábola do Tesouro Escondido. Um homem comum encontra um tesouro extraordinário — e, tomado de alegria, vende tudo para adquiri-lo.

Essa parábola não é sobre riqueza material, mas sobre algo infinitamente maior: o valor incalculável do reino de Deus. Jesus nos mostra que o maior bem da vida não está no que o mundo oferece, mas em pertencer a Ele, em viver sob Seu governo e experimentar a salvação em Cristo.

E aqui está a pergunta crucial: qual é o valor que você dá ao reino de Deus?

 1. O Tesouro Descoberto (v. 44a)

O reino dos céus é semelhante a um tesouro oculto no campo, o qual certo homem, tendo-o achado, escondeu.

Na Palestina antiga, era comum esconder riquezas na terra, já que não havia bancos. Muitas vezes, esses tesouros ficavam esquecidos quando o dono morria.

·  Esse homem não estava procurando especificamente, mas trabalhando, cavando a terra. Muitas vezes, Deus se revela justamente quando estamos em meio à vida comum (Itamir).

·  O tesouro aqui representa o reino dos céus, a salvação em Cristo, a plenitude de vida com Deus (Hendriksen, Hernandes, Matthew Henry).

·  O detalhe de “esconder novamente” mostra a consciência de que precisava adquiri-lo de forma legítima, sem violar a lei. Aqui entra a lei rabínica mencionada por Itamir:

o Se tirasse o tesouro, deveria devolvê-lo ao dono do campo.

o Se deixasse, poderia comprá-lo legitimamente e então tê-lo.

→ O homem escolhe o caminho correto, revelando que o acesso ao reino exige legitimidade e entrega verdadeira.

Aplicação: Muitos olham para a Bíblia e para a fé cristã e só veem “um campo comum”, sem perceber o tesouro escondido em Cristo. Quantos frequentam a igreja, mas não enxergam a preciosidade do evangelho!

 2. A Alegria da Descoberta (v. 44b)

“E, transbordante de alegria, vai, “

·  O homem não lamenta o preço, mas se alegra pelo que encontrou.

·  A salvação em Cristo não é apenas renúncia, mas sobretudo alegria incomparável.

·  Hernandes Dias Lopes observa que não se trata de uma troca amarga, mas de uma troca feliz: o evangelho traz a alegria suprema do coração humano.

·  A conversão não é perder, é ganhar o maior de todos os tesouros!

Aplicação: O verdadeiro cristão não vive uma vida triste de perdas, mas uma vida alegre em Cristo. Essa alegria não depende de circunstâncias, mas da certeza de ter encontrado o que é eterno.

 3. O Custo da Aquisição (v. 44c)

“...vende tudo o que tem e compra aquele campo.”

·  Aqui está o ponto central da parábola: o tesouro vale mais do que tudo o que possuímos.

·  Não significa que podemos comprar a salvação — ela é graça gratuita de Deus (Hendriksen). Mas significa que o discipulado exige renúncia total, prioridade absoluta de Cristo sobre tudo.

·  Matthew Henry diz: “Aqueles que discernem este tesouro nunca estarão em paz até torná-lo seu, custe o que custar.”

·  Jesus não pede um pedaço da nossa vida, mas a entrega total do coração.

Aplicação para o crente:

·  Renunciar pecados acariciados, hábitos mundanos, prioridades egoístas.

·  Viver o reino é obedecer à vontade de Deus acima de tudo (Itamir).

Aplicação para o incrédulo:

·  O evangelho exige decisão: ou Cristo é o tesouro supremo da sua vida, ou algo terreno ocupa esse lugar.

·  Vale a pena abrir mão do passageiro para ganhar o eterno.

 Conclusão: O Tesouro Maior

 A parábola nos leva a refletir: o que tem mais valor para nós?

·  Para muitos, o tesouro está no dinheiro, no status, nos prazeres deste mundo.

·  Mas o cristão verdadeiro sabe que tudo isso é pó diante da sublimidade de Cristo.

 O exemplo de Paulo é o comentário mais vivo desta parábola:

“Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele” (Fp 3.8-9).

 Apelo

Hoje, Jesus lhe mostra o tesouro do reino. Talvez você tenha olhado apenas para “o campo”, sem ver sua preciosidade. Mas Deus lhe revela: o verdadeiro tesouro é Cristo.

·  Crente, viva com alegria e entrega total, colocando o reino acima de todas as coisas.

·  Incrédulo, não desperdice sua vida com aquilo que perece. Corra para Cristo, e você terá o tesouro eterno.

  Pr. Robson Santana



Pesquisa:

LOPES, Hernandes Dias. As parábolas de Jesus. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 70-71.
HENDRIKSEN, William. Mateus. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. v. 2, p. 91-92.
NEVES, Itamir. Comentário Bíblico de Mateus: Através da Bíblia. 2. ed. São Paulo: Rádio Trans Mundial, 2012. p. 114-115.
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Mateus a João. São Paulo: CPAD, 2008. P. 172-173.