29 de agosto de 2017

Antes de demitir seu pastor | Thom S. Rainer

Isso aconteceu novamente esta semana.

Um pastor me contatou para me informar que seus diáconos pediram sua renúncia. O motivo? Nenhum deles foi realmente claro sobre isso. O melhor que posso discernir a questão é a mudança, ou o passo da mudança.

A igreja é conhecida na região negativamente como uma "igreja devoradora de pastor". Figurativamente, eles comem pastores e os cospem. E está acontecendo de novo.

Eu compreendo. A culpa nem sempre reside na igreja. Os pastores não são perfeitos, e muitos deles fizeram algumas coisas que podem merecer dispensá-los. Mas esse não é o caso da grande maioria das igrejas onde tenho detalhes e boa familiaridade.

Dito de formar simples, pastores demais estão sendo demitidos. Parece uma epidemia.
Então, por favor, líder da igreja, considere estas palavras antes de dispensar seu pastor. 

Por favor, respire e veja se alguma das minhas advertências acertou em cheio.

1. Ore com mais fervor. Você está prestes a tomar uma decisão que moldará sua igreja, o pastor e a família do pastor nos próximos anos. Certifique-se de ter orado e orado e orado sobre essa decisão.

2. Compreenda plenamente a consequência para sua congregação. Uma igreja é marcada uma vez que dispensa um pastor. Membros saem. Visitantes costumeiros que podem se tornar membros se afastam. O moral é devastado. A igreja tem que passar por um período prolongado de cura, onde pode não ter muito foco externo.

3. Ouça outras vozes. Muitas vezes, comitês de pessoal, diáconos ou presbíteros decidem dispensar um pastor porque escutam alguns descontentes. Conheço uma igreja com um comitê de pessoal fraco que demitiu um pastor depois de ouvir um pastor executivo e um diácono mandão. E eles nunca pediram para ouvir o lado da história do pastor.

4. Considere a reputação da igreja na comunidade. Você está prestes a receber o rótulo: "A igreja que demitiu seu pastor". Essa será sua identidade por algum tempo.

5. Procure a mediação. Existem algumas fontes de mediação muito boas disponíveis. Por que não, pelo menos, dar uma chance antes de tomar uma decisão precipitada e muitas vezes desinformada?

6. Deixe o seu pastor saber o porquê. Olhe para o número três novamente. Essa igreja nunca disse ao pastor por que ele estava sendo dispensado. Sério. Acho que é difícil explicar que o diácono e o pastor executivo orquestraram um golpe de sucesso. Estou impressionado com quantos pastores não sabem por que estão sendo afastados. Isso é covarde. Isso não é parecer com Cristo.

7. Considere um plano de transição. Outra igreja abordou sua situação com maior sabedoria e ação cristã. Eles compartilhavam com tristeza ao pastor que a química não estava funcionando entre ele e muitas pessoas da congregação. Mas, ao invés de demiti-lo, deixaram que ele continuasse por até um ano para encontrar outra igreja. É sempre mais fácil encontrar uma igreja se você tiver uma igreja.

8. Seja generoso. Se sua igreja tomar a decisão de despedir seu pastor, seja generoso com indenizações e benefícios. Não trate seu pastor como uma organização secular pode tratar um empregado. Mostre ao mundo a compaixão e generosidade cristãos.

Términos de relacionamento pastor-igreja abruptos são infelizmente comuns. Considere estes oito pensamentos antes de sua igreja tomar uma decisão tão séria e duradoura.

Thom S. Rainer

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Título original: Before you fire your pastor
URL do original:  http://thomrainer.com/2017/08/before-you-fire-your-pastor/
Acesso: 29/08/17
Tradução: Pr. Robson Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)
Revisão: Pr. Walter Leite (Igreja Batista Betel – Aracaju – SE)

27 de agosto de 2017

Como saber se você é um verdadeiro discípulo de Cristo?


Quando Jesus ministrava a palavra aos discípulos, seu foco era mostrar o que significava seguir a Ele e o custo desse discipulado. Em alguns momentos Jesus deixava claro quais eram as marcas ou características de um verdadeiro discípulo. Os escritos do apóstolo João, tanto no Evangelho, como na 1ª Epístola, contêm 3 passagens que se referem ao genuíno discipulado.

1. Os verdadeiros discípulos creem em Jesus e guardam seus mandamentos. Não basta apenas acreditar em Jesus ou até mesmo ter um conhecimento profundo a respeito da pessoa e obra de Cristo. Quem ama a Jesus concorda com Seus ensinos e obedece (João 8.31-32). O Rev. Ricardo Barbosa alerta para uma nova classe de ateus, o ateu crente. Ele sabe tudo acerca de Deus e da religião, mas não vive a fé na prática.

2. Os verdadeiros discípulos amam uns aos outros. Aquele que se considera um discípulo de Jesus deve parar e se perguntar: “eu realmente amo outros discípulos”. Jesus em um dos seus últimos discursos aos discípulos mais próximos, disse: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13.35). O amor é principal virtude cristã e a base de relacionamentos saudáveis e do nosso serviço ao próximo.

3. Os verdadeiros discípulos frutificam. Jesus é a videira verdadeira, seus discípulos são os ramos. Quem está enxertado nEle, esse dá muito fruto. É uma alegoria muito lógica. E esse é o propósito maior da nossa existência. Por isso Jesus afirmou: “Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos” (João 15.7)

Qual o resultado de seguir a Jesus? Jesus se refere a essa questão em Mateus 4.19 e Marcos 1.17 quando disse aos irmãos Pedro e João:: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Com certeza Jesus estava se referindo ao evangelismo e missões, até porque é isso que vemos os apóstolos fazendo nos Evangelhos, em Atos e nas Epístolas. O chamado de Jesus aos seus discípulos é para a salvação e o serviço, sendo que o principal é esforçar-se para que outros se tornem discípulos verdadeiros e maduros.

Pr. Robson Santana

Adaptado do livro Strategic Disciple Making, de Aubrey Malphurs
Há uma resenha do livro neste blog, veja qui 

21 de agosto de 2017

Por que leva cinco a sete anos para tornar-se o pastor de uma igreja | Thom S. Rainer



Você é o novo pastor da igreja. As expectativas são importantes da sua parte e da parte dos membros. Talvez você celebre com algum tipo de culto de instalação.

Você está pronto para liderar e mover a igreja para a frente. Afinal, você é o pastor. Certo?

Errado.

Na maioria das igrejas estabelecidas, há um período prolongado antes que os membros da igreja como um todo o abracem como pastor. Quando chega esse tempo, a maioria dos pastores desfruta dos seus melhores e mais alegres anos de ministério.
Mas a maioria dos pastores nunca chegou ao quinto ano, muito menos ao sétimo ano. Então, por que leva cinco a sete anos para ser abraçado como o pastor das igrejas mais estabelecidas? Aqui estão sete razões comuns.

1. Demora muito tempo para entrar em padrões de relacionamento estabelecidos. Muitos dos membros existem há décadas. Eles têm seus amigos, familiares e grupos de relacionamento. Os pastores não entrarão significativamente em muitos desses relacionamentos por vários anos.

2. Você está criando novas maneiras de fazer as coisas. Você pode não pensar que você é um grande agente de mudança, mas sua presença como o pastor muda as coisas de forma significativa. Você lidera de forma diferente. Você prega de forma diferente. Sua família é diferente. A igreja tem que se ajustar a todas as mudanças que você traz antes de começar a abraçá-lo completamente como pastor.

3. A maioria dos relacionamentos não se estabelece totalmente até que eles passem por um ou dois grandes conflitos. O primeiro ou segundo ano são seus anos de lua de mel. A igreja acha que você é absolutamente excelente. Então você faz algo, lidera algo, ou muda algo que seja contrário às suas expectativas. Acontece o conflito. Você não é mais o melhor. Então você tem dois anos de lua de mel, um a dois anos de conflito, e um a dois anos para chegar do outro lado do conflito. Então você se torna pastor em cinco a sete anos.

4. A igreja está acostumada a pastores de curto prazo. Muitas igrejas raramente veem um pastor chegar ao quinto, sexto ou sétimo ano. Eles nunca aceitam completamente o pastor, porque eles não acreditam que o líder irá superar o primeiro grande conflito.

5. Pastores anteriores feriram alguns membros da igreja. Há muitas razões para essa realidade, algumas compreensíveis e outras não. Em ambos os casos, um pastor anterior prejudicou alguns membros da igreja, e os membros levam vários anos para aceitar um novo pastor e aprender a confiar novamente.

6. A confiança é cumulativa, não imediata. Essa realidade é especialmente verdadeira em igrejas estabelecidas. Independentemente de como o ministério se desenrola, simplesmente leva tempo antes que os membros da igreja estejam dispostos a dizer com convicção: "Esse é o meu pastor".

Eu sei. Gostaria que pudéssemos estalar os dedos e desfrutar da confiança imediata. Mas, na maioria das igrejas, simplesmente não vai acontecer rapidamente. Serão necessários cinco a sete anos.

Você está disposto a ficar para desfrutar o fruto de um pastorado de longo prazo?


Thom S. Rainer
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Título original: Why it takes five to seven years to become the pastor of a church
Acesso: 21/08/17
Tradução: Pr. Robson Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)

9 de agosto de 2017

Não se ponham em jugo desigual (2 Coríntios 6.14-7.1)

     INTRODUÇÃO
     J. C. Ryle, num pequeno texto intitulado “O Temor de um Pastor", disse:
"O que eu temo em relação a você? Tudo.Temo que você persista em continuar rejeitando a Cristo, até que perca a sua alma. Temo que você seja entregue a uma mente reprovável e não desperte jamais. Temo que você chegue a tal dureza de coração e morte, que nada romperá o seu sono, exceto a voz do arcanjo e da trombeta de Deus. Temo que você se agarre a este mundo fútil, com tanto apego que nada poderá separá-lo dele, exceto a morte. Temo que você viva sem Cristo, morra sem perdão, ressuscite sem esperança, receba julgamento sem misericórdia e seja lançado inevitavelmente no inferno".
 De fato, não há maior tristeza para um pastor do que saber que suas ovelhas estão doentes espiritualmente, que estão em pecado, que estão se colocando em zona de perigo, que estão desprezando a Palavra do Senhor, envergonhando o nome de Jesus e da igreja que frequenta.
Quanto a isso Pedro adverte: “No passado vocês já gastaram tempo suficiente fazendo o que agrada aos pagãos. Naquele tempo vocês viviam em libertinagem, na sensualidade, nas bebedices, orgias e farras, e na idolatria repugnante" (1 Pe 4.3)

   A TESE DE PAULO (v. 14a:): "O CRENTE NÃO PODE SE COLOCAR EM JUGO DESIGUAL COM OS INCRÉDULOS"
"Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos"
Jugo desigual era colocar numa mesma canga um boi e um burro. Eles são diferentes fisicamente. Um maior do que o outro. As passadas eram diferentes. (Lv 19.19; Dt 22.10). Logo, a terra que seria arada ficaria irregular, ficaria um trabalho mal feito. Porque a canga deve ser posta em animais da mesma espécie.
Desse modo, de um modo espiritual, o crente é diferente de um incrédulo. Isso não quer dizer que não devemos falar com pessoas descrentes ou ter certa amizade com eles. Porque se fosse assim Jesus nos tiraria do mundo.
Mas, de acordo com a Bíblia, há certo tipo de relacionamento com os incrédulos e com a sua prática de viver, que é totalmente oposta ao modo de viver de um cristão verdadeiro. Não tem como o cristão compartilhar certas coisas com os incrédulos. Paulo é enfático: "não se ponham em jugo desigual com eles!".

     OS EXEMPLOS DE PAULO (v.14b-16a): COMUNHÃO IMPOSSÍVEL
5 comparações vigorosas de Paulo:
“(1) porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidadeOu (2) que comunhão, da luz com as trevas? (3) Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou (4) que união, do crente com o incrédulo? (5) Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos?”

Paulo adverte contra:
(1) Relações fixas namoro, noivado, casamento. A tendência é que os que não têm Deus influenciem os que têm.
1 Co 2.14: “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente”
1 Co 7.39: “A mulher está ligada enquanto vive o marido; contudo, se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, mas somente no Senhor”.
(2) Em conversas comuns
1 Co 15.33: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes”.
(3) Não se unir em comunhão religiosa com eles.
Ecumenismo. Participar de outros tipos de cultos, que não verdadeiramente a Deus.

   O MOTIVO DA SEPARAÇÃO DESSAS COISAS (v.16-18): SOMOS SANTUÁRIO DE DEUS.
“16b Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 17 Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei18 serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso.”

    CONCLUSÃO
   2 Co 7:1 "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus”.
 C. H. Spurgeon: “Se formos fracos em nossa comunhão com Deus, seremos fracos em tudo”.
Charles E. Fuller: “Comunhão com Deus significa luta com o mundo”.
Leonard Ravenhill: “As grandes águias voam sozinhas; os grandes leões caçam sozinhos; as grandes almas andam sozinhas - sozinhas com Deus”.
João Calvino: “Nada é mais perigoso do que nos juntarmos aos ímpios”.
 Pr. Robson Santana

3 de agosto de 2017

Duas Verdades para Fortalecer sua Fé | Paul Tripp

Você acredita que Deus existe? Eu suponho [...] que você acredita. Se você acredita na existência de Deus, isso significa que você tem fé, certo? Sim ... mas não é tão simples. De acordo com a definição da Bíblia, se você tem fé, também deve significar que você se aproximou de Deus, que você procura agradá-lo e que você valoriza o que ele valoriza (Hebreus 11:6).
Essa é a realidade de sua fé cristã diária? Eu vou ser sincero - eu sei que minha fé nem sempre é tão forte. Embora eu acredite absolutamente na existência de Deus, há momentos em que eu me sinto longe dele. Há momentos em que eu só procuro me agradar. Há momentos em que valorizo o tesouro terrestre mais do que recompensas eternas.
Isso é muito importante compreender: nossa fé cristã é dramaticamente mais do que apenas uma crença intelectual. Não basta que a sua fé simplesmente acredite na existência de Deus. Uma fé forte deveria mudar sua vida radicalmente nos níveis mais básicos.

Então, como fortalecemos nossa fé de onde está para onde Deus quer que ela esteja? Há muitas maneiras, mas aqui estão duas verdades que eu tento meditar em todo tempo:

1. Deus é soberano (Atos 17:26) - "De um só fez ele todos os povos, para que povoassem toda a terra, tendo determinado os tempos anteriormente estabelecidos e os lugares exatos em que deveriam habitar” (NVI).
É fácil para nós dizer que Deus está no controle; é muito mais difícil para nós acreditar em fé que ele realmente é. Muitos de nós estão paralisados pelo pesar de ontem. Muitos de nós vivemos com medo do amanhã. Muitos de nós também queremos controlar situações, locais e relacionamentos de hoje.
Mas se meditarmos sobre a soberania de Deus, nossos corações podem descansar independentemente das circunstâncias externas. Precisamos sempre nos lembrar que tudo o que experimentamos foi determinado antecipadamente pela boa vontade de nosso Pai, e nada pode nos tocar que ele não tenha ordenado amorosamente.
2. Deus está perto (Atos 17:27) - “Deus fez isso para que os homens o buscassem e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora não esteja longe de cada um de nós” (NVI).
Se você for estudar a história da humanidade, quase todos os soberanos (isto é, um líder de governo) governaram à distância. Era, e ainda é, impossível para uma pessoa comum obter uma audiência pessoal com um chefe de estado.
Mas não é assim para o cristão. Lembre-se de que, em qualquer momento, você pode alcançar e tocar o Rei do universo, o Criador dos céus e da terra. Quando você está no chuveiro, quando você está dirigindo, quando você está lutando para dormir no meio da noite, você pode se aproximar de seu Deus e dizer: "Senhor, por favor, ajude-me. Eu preciso de ti".
Nos bons momentos e nos maus, Deus está governando todos os detalhes de sua vida, e ele está fazendo isso intimamente. Diante dos problemas de hoje, lembre-se de que sua fé é muito mais do que intelectual: é profundamente transformadora.
Deus abençoe,
Paul Tripp


Perguntas para meditação
1. Identifique uma área da sua vida cristã, onde a fé tem sido mais intelectual e não tão transformacional. Quais podem ser algumas razões por trás da luta?
2. Como Deus provou ser soberano em sua vida no passado? Identifique uma área de sua vida onde sua soberania comprovada deve dar-lhe descanso hoje.
3. Quais são algumas das possíveis barreiras espirituais que você colocou, que faz com que Deus pareça distante, quando ele realmente não está longe de você?
4. Além de ser soberano e estar perto, escolha outro aspecto do caráter de Deus para meditar nesta semana. Como isso irá incentivá-lo, independentemente das circunstâncias?

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Título original: Two Truths To Strengthen Your Faith
URL do original: https://www.paultripp.com/wednesdays-word/posts/two-truths-to-strengthen-your-faith
Site: www.paultripp.com
Acesso: 03 ago. 08/17
Tradução: Pr. Robson Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)

25 de julho de 2017

Choremos por nós mesmos e pelo mundo

Toda vez que leio as últimas horas de Jesus até sua morte fico profundamente emocionado. É impossível não ser tocado na alma ao ver Jesus realizando a última ceia da antiga aliança, como um teatro vivo da sua morte na cruz no dia seguinte. Pensar que um dos discípulos que comia no prato de Jesus, saiu de fininho e foi entregá-lo por 30 moedas. Comove ver a angústia de Jesus no monte das oliveiras, no lugar chamado Getsêmani (prensa da oliva), e o mesmo discípulo vendido se aproximar de Jesus e saudá-lo com um beijo que deveria ser de carinho, amor e amizade, no entanto, foi o ósculo da hipocrisia e traição. Emociona ver Jesus sendo levando como um malfeitor por gentios pagãos. E ser julgado de modo injusto por causa da inveja e ódio de toda uma liderança religiosa - e política. 

É impenetrável a humildade de Jesus ao ser zombado por Herodes e julgado politicamente por Pilatos. É triste ver uma parte do povo que saudou Jesus com hosanas e ramos de oliveiras, que deu boas vindas ao Rei Messias, esses mesmos gritarem: crucifica-o. É doído constatar que Jesus morreu até muito rapidamente (mesmo que tenha ficado pregado por 6 horas), pois Pilatos se admirou e pediu confirmação ao centurião. 

No entanto, tudo que Jesus fez não deve apenas nos levar a uma reflexão de pesar por todo o sofrimento e humilhação que Ele passou. Pelo contrário, deve nos levar a refletir no amor infinito dele por nós pecadores. Que tudo que passou foi em nosso lugar. Que ao invés de pena, ele quer a inteireza de nosso coração, amor e devoção. Que Jesus quer que abandonemos nossos ídolos, visíveis e invisíveis. Que coloquemos toda nossa confiança nele, pois Deus cuida dos seus, em quaisquer circunstâncias. Mesmo em profunda dor e sofrimento, todo ensanguentado e exausto, ao ver mulheres chorando e batendo no peito, ele disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos!" (Lc 23.28). 

Podemos sim nos emocionar e até chorar por todo sofrimento de nosso Salvador, mas não devemos esquecer, principalmente, que temos de chorar por causa da rebeldia recorrente em nós mesmos. Temos de chorar pelos nossos filhos para que a graça de Deus os alcance dia a dia. Temos de continuar chorando por pessoas do mundo inteiro que continuam rebeldes contra o Filho, mas que ainda podem ser encontrados por Ele. Deus nos ajude e nos use, para sua glória.


Pr. Robson Santana

9 de julho de 2017

O surdo-gago, a identidade de Jesus e você | Mensagem em Marcos 7.31-37

    Mais uma vez Jesus faz uma obra maravilhosa. Ele cura um homem que era surdo, com muita dificuldade para falar alguma coisa (gago).
Como dissemos outras vezes, Marcos é um evangelho que destaca Jesus em ação.
A forma como o evangelho foi escrito mostra Jesus sempre indo de um lugar a outro realizando coisas, seja ensinando, pregando ou curando.
Os milagres não beneficiavam apenas as pessoas que as recebiam, mas era um cumprimento profético acerca de Jesus como o Cristo/Messias (Ungido) de D eus.
A primeira parte do evangelho de Marcos enfatiza as realizações de Jesus que apontam para a sua identidade e a segunda parte mostra qual o propósito de Jesus.
Em outras palavras, toda a vida e obra de Jesus em Marcos é para nos mostrar quem Ele era (e continua sendo) e o que o que Ele fez para nos salvar.

Esse milagre contrasta com o milagre anterior. Com a mulher siro-fenícia houve muita relutância para Jesus atender o pedido de libertação da sua filha.
Enquanto com este surdo ele foi de pronto para responder: “tira-o do meio da multidão, toca seus ouvidos, cospe e toca na língua, olha para o céu, suspira e diz: “abre-te!”
Vemos em outros milagres que Jesus não precisou fazer essas coisas, Ele tem poder de ordenar e as coisas acontecerem, mas talvez aquele homem surdo-gago precisasse.
A linguagem dos surdos é não verbal, talvez não houvesse uma língua de sinais como temos. A linguagem principal dos surdos – e por isso mudos – é não verbal. Talvez, por isso, Jesus procedeu daquela forma.
Ele fala com o surdo através do tato e da visão; e talvez ainda com a leitura labial de Jesus, pois Ele falou apenas uma palavra: efatá.
Esse suspiro de Jesus também não era comum.  Foi como um gemido, quando alguém está sentindo dor.
Seria isso por que Jesus se identifica com o drama daquele homem? Pode ser. Mas também poder ser porque há uma identificação mais profunda estava acontecendo: havia um custo maior para Jesus curar aquele homem.
Apenas UMA PALAVRA (grega: mogylalos) é a tradução de “que também falava com dificuldade” ou “gago”
É a mesma palavra traduzida no Antigo Testamento grego (versão Septuaginta - LXX) que está em Isaias 35.6.
Essa palavra é usada somente aqui em Marcos e em Isaias 35.
Vejamos o texto de Is 35.4-6: “digam aos desanimados de coração: "Sejam fortes, não temam! Seu Deus virá, virá com vingança; com divina retribuição virá para salvá-los". Então se abrirão os olhos dos cegos e se destaparão os ouvidos dos surdos. Então os coxos saltarão como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria. Águas irromperão no ermo e riachos no deserto.”
Marcos está dizendo: “os cegos estão vendo? Os surdos estão ouvindo? Os mudos estão falando e louvando com suas línguas?”
Quem estava vendo todas essas coisas acontecendo poderia concluir: Deus veio como está prometido em Isaías 35, Deus está em nosso meio. Esse Deus é Jesus de Nazaré.

Mas há um detalhe nesse texto que nos leva a perguntar: onde está a vingança?
Ele não veio trazer vingança, Jesus veio para receber a vingança do Pai em si mesmo na cruz!
Por isso clamou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”
O verso de 2 Coríntios 5.21 explica muito bem isso: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (cf. Rm 8.3).

Finalizando
Esse texto e o da mulher siro-fenícia nos mostram que Deus é aquele que abre os caminhos para nos aproximar dele. Jesus é o Caminho.
Ele foi a Tiro e Sidom (na Filístia). Foi Ele quem quis passar pelas terras de Decapólis (região que o havia rejeitado antes - Gadara).
Jesus está aqui rompendo as barreiras de Israel se dirigindo aos gentios, fazendo uma abertura para todas as nações.
E o propósito de todo agir e mover de Deus nesse mundo é para que pessoas sejam resgatadas da condenação eterna e Seu nome seja glorificado!
Aquelas pessoas ficaram maravilhadas com o que Jesus fez. Como está escrito em Mateus, eles glorificaram ao Deus de Israel.

Aplicação
James Hastings[1] diz que há 4 classes de pessoas:
1. Há pessoas que não veem nada em Cristo para admirar.
2. Outros admiram o que Cristo faz, mas não admiram quem Ele é.
3. Há muitos que O admiram, mas não O adoram.
4. Existem as pessoas que não somente o admiram, mas o adoram de todo coração.
A vida só valerá à pena se você compreender plenamente a mensagem do Evangelho: quem é Jesus e o que Ele fez por nós!
Que classe de pessoa você é?
Robson Rosa Santana



[1] The greek texts of the Bible, St. Mark.

22 de junho de 2017

Definindo Missional

ALAN HIRSCH
 A palavra está em toda parte, mas de onde veio e o que realmente significa?

Tornou-se cada vez mais difícil abrir um livro sobre ministérios ou participar de uma conferência em igrejas e não ser abordado pela palavra missional. Uma busca rápida no Google descobre a presença de "comunidades missionais", "líderes missionais", "adoração missional", até "reuniões missionais informais" e "café missional". Hoje, todo mundo quer ser missional. Você pode pensar em um único pastor orgulhosamente anti-missional?
  
Mas, à medida que os líderes das igrejas continuam a embarcar no movimento missional, o verdadeiro significado da palavra pode ser enterrado sob uma pilha de pressupostos. É simplesmente uma nomenclatura atualizada para “igreja com propósitos” ou “igreja sensível às necessidades”? Será que Missional é uma nova e mais madura influência do movimento das igrejas emergentes?

É hora de parar e considerar a origem e o significado da palavra que está reformulando nossa compreensão do ministério e da igrejaEste diagrama em forma de árvore[1] mostra as raízes da palavra missional e como seu alcance se expandiu para diferentes áreas do ministério. Alan Hirschque se auto define como "ativista missional", também fornece uma definição concisa do termo abrangente.

Há consequências quando os significados das palavras ficam confusos. Isto é particularmente verdadeiro dentro de uma cosmovisão bíblica. Os hebreus desconfiavam das imagens como comunicadores da verdade, então guardavam as palavras e seus significados cuidadosamente. Parte da teologia, portanto, inclui a proteção do significado das palavras para manter a verdade dentro da comunidade de fé. 

É por isso que estou preocupado com a confusão que envolve o significado da palavra missional. Manter a integridade desta palavra é fundamental, porque a recuperação de uma compreensão missional de Deus e da Igreja é essencial não só para o avanço da nossa missão, mas também, eu creio, para a sobrevivência do cristianismo no Ocidente.
  
Primeiro, deixe-me dizer o que missional não significa. Missional não é sinônimo de emergente. A igreja emergente é principalmente um movimento de renovação tentando contextualizar o cristianismo para uma geração pós-moderna. Missional também não é o mesmo que evangelístico ou sensível às necessidades. Esses termos geralmente se aplicam ao modelo de atração da igreja que dominou nossa compreensão por muitos anos. Missional não é uma maneira nova de falar sobre o crescimento da igreja. Embora Deus deseje claramente que a igreja cresça numericamente, isto é apenas uma parte da maior agenda missional. Finalmente, missional é mais do que justiça social. Envolver-se com os pobres e corrigir as desigualdades faz parte de ser agente de Deus no mundo, mas não devemos confundir isso com o todo.

Uma compreensão adequada de missional começa com a recuperação de uma compreensão missionária de Deus. Por sua própria natureza, Deus é um "enviado" que toma a iniciativa de redimir sua criação. Esta doutrina, conhecida como missio Dei - o envio de Deus - está fazendo com que muitos redefinam sua compreensão da igreja. Porque somos o povo "enviado" de Deus, a igreja é o instrumento da missão de Deus no mundo. Como as coisas estão, muitas pessoas veem o contrário. Elas acreditam que a missão é um instrumento da igreja; um meio pelo qual a igreja cresce. Embora frequentemente digamos "a igreja tem uma missão", de acordo com a teologia missional, uma declaração mais correta seria "a missão tem uma igreja".

Muitas igrejas têm declarações sobre missões ou falam sobre a importância da missão, mas onde verdadeiramente as igrejas missionais diferem é na sua postura em direção ao mundo. Uma comunidade missional vê a missão como impulso originador e seu princípio organizador. Uma comunidade missional é modelada segundo o que Deus fez em Jesus Cristo. Na encarnação Deus enviou seu Filho. Da mesma forma, ser missional significa ser enviado para o mundo; não esperamos que as pessoas venham até nós. Esta postura diferencia uma igreja missional de uma igreja atracional.

O modelo de atração, que dominou a igreja no Ocidente, busca alcançar a cultura e atrair as pessoas para a igreja - o que eu chamo de busca e apreensãoMas este modelo só funciona onde nenhuma mudança cultural significativa é necessária quando se move de fora para dentro da igreja. E à medida que a cultura ocidental se tornou cada vez mais pós-cristã, o modelo de atração perdeu sua eficácia. O Ocidente parece mais um contexto missionário transcultural em que os modelos de igreja atração são autodestrutivos. O processo de extrair pessoas da cultura e assimilá-las na igreja diminui a capacidade de falar com aqueles que estão lá fora. As pessoas deixam de ser missionais e, em vez disso, deixam esse trabalho para o clero.

Uma teologia missional não está contente com a missão de ser um trabalho baseado na igreja. Em vez disso, aplica-se a toda a vida de cada crente. Todo discípulo deve ser um agente do reino de Deus, e todo discípulo deve levar a missão de Deus em todas as esferas da vida. Todos somos missionários enviados para uma cultura não-cristã.

Missional representa uma mudança significativa no modo como pensamos a igreja. Como povo de um Deus missionário, devemos nos relacionar com o mundo da mesma forma que ele - indo ao invés de apenas alcançar. Obstruir este movimento é bloquear os propósitos de Deus em e através do seu povo. Quando a igreja está em missão, então ela é a verdadeira igreja.


Alan Hirsch é autor, palestrante e diretor fundador da The Forge Mission Training Network, uma organização internacional.

Usado com permissão do autor

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Título original: Defining Missional
Acesso05/06/17
Tradução: Pr. Robson Rosa Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)
Revisão: Pr. Walter Leite (Igreja Batista Betel - Aracaju – SE)
   


[1] Há link aqui mais não abre no site. Dá como erro.

2 de junho de 2017

A verdadeira felicidade

“... ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação” Hc 3.18

Onde está Deus em meio a tanta injustiça e maldade? Essa dúvida permeia o coração de muitas pessoas em todos os tempos! Ontem e hoje, somos afligidos por situações de dor, angústia e indignação. O profeta Habacuque levantou esse mesmo questionamento: “até quando, Senhor?”.
Habacuque foi um profeta do Antigo Testamento, contemporâneo de Jeremias e Naum. O livro que leva o seu nome foi escrito no final do século 7° antes de Cristo, por volta dos anos 610 a 605 a.C. O quadro existencial dele não é diferente de nosso contexto brasileiro. Grassava a injustiça, opressão e propina dos líderes de sua época. Além disso, a ameaça imperialista da Babilônia jazia às portas de Jerusalém.
Por isso ele ora fervorosamente: “até quando, Senhor?”. Creio que ele conhecia a Deus e reconhecia sua soberania, mas a aflição do seu coração foi tanta que ele pensou: “por que demora tanto a ação do Senhor?”. “Será que o Senhor não vê a nossa situação calamitosa?”.
Entendo plenamente seus questionamentos. Sou homem igual a ele e, nas minhas angústias, tento entender os planos de Deus que não são claros para mim. Mas o que aprendemos desse livro é que não devemos duvidar dos propósitos soberanos dEle. Ele sabe o que faz.
Deus lhe responde. Mas a resposta nem sempre agrada. Deus lhe disse que usaria a Babilônia, exército poderoso e perverso, para castigar o reino de Judá. E diante de mais outro questionamento de Habacuque, o Senhor diz que no tempo certo trataria dos babilônios. Há cinco “ais” para eles.
Nesse contexto, podemos aprender da atitude do profeta. Ele se pôs na torre de vigia e esperou no Senhor. Não existe outra ação mais proveitosa para nossas almas do que colocar toda a nossa situação em oração e confiar no Senhor. Nada acontece por acaso, mesmo que achemos toda situação triste e angustiosa. Como disse bem o salmista, entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).
Na torre de vigia o profeta passa por uma renovação da sua visão sobre Deus. Deus é soberano, justo, santo e amoroso. Restou-lhe, assim, orar mais uma vez. Ele ficou alarmado e clamou: “aviva a tua obra, Senhor”. Suplica uma operação maravilhosa do Senhor no meio de seu povo.
Habacuque não apenas orou, esperou, viu as coisas pela ótica de Deus, mas também entendeu algo de suma importância: só Deus é nossa alegria e satisfação verdadeira. Tudo mudou depois desse derramar-se diante do Pai. Ele declara que mesmo que faltasse tudo, ele exultaria e se alegraria em Deus. Esse estágio poucos conseguem alcançar. É fácil estar feliz e satisfeito quando tudo vai bem. 
Davi, mesmo em face de todas as lutas que passou, dizia: “na tua destra há delícias perpetuamente” (Sl 16.11). Os apóstolos regozijaram-se mesmo sofrendo por causa do nome de Jesus (At 5.41). Paulo, embora preso, escreveu a carta aos Filipenses na qual a tônica é a alegria: Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!(Fp 4.4).
Onde você está colocando sua identidade, satisfação e alegria? Se for em coisas ou na situação político-social-econômica, você será muito infeliz. Mas se for somente em Deus, no seu amor e graça, você encontrou o verdadeiro significado da vida e verdadeira felicidade. Bem disse Steven Lawson: “Se olho para mim, me deprimo. Quando olho para os outros me iludo. Quando olho para minhas circunstâncias me desencorajo, mas quando olho para Cristo estou completo”.
Robson Rosa Santana