4 de junho de 2018

Uma análise teorrefente da música "(I Can't Get No) Satisfaction" do Rolling Stones


INTRODUÇÃO
A banda Rolling Stones está na estrada desde o início da década de 1960. Segundo Paul Friedlander, “em janeiro de 1963, todos os integrantes da estavam a postos e, assim, nasciam os Rolling Stones”.[1] Desde o início os grandes líderes dessa banda inglesa foram Mick Jagger (vocal, guitarra e gaita - desde 1962) e Keith Richards (guitarra e vocal - desde 1962); os outros componentes atuais são Charlie Watts (bateria - desde 1963) e Ronnie Wood (guitarra - desde 1974). Outros passaram pela banda: Brian Jones  (guitarra - 1962–1969), Mick Taylor (guitarra - 1969–1974) e Bill Wyman  (baixo - 1962–1993). Ian Steward era pianista e não era contado com um dos Stones, porém foi chamado de o 6° Stone e faz parte dos membros do passado no próprio site da banda.[2] Até 1965 a banda fazia sucesso apenas no Reino Unido. Não havia ainda alcançado os Estado Unidos.
A música “Satisfaction”, sob análise, faz parte do disco Out of Our Heads de 1965 lançado nos Estados Unidos (versão americana). O sucesso da música foi tão grande que o álbum tornou-se o número 1 nos Estados Unidos, alcançado disco de platina.
A proposta desse artigo é analisar a música no seu contexto histórico, sob o crivo das Escrituras Sagradas. O que a música pode inferir acerca dos aspectos criacionais, as distorções do pecado e se há nela algum elemento de redenção ou aspiração por ela. Em outras palavras, os elementos centrais que permeiam as Escrituras: criação-queda-redenção. Será uma análise tendo como fundamento o próprio Deus, por isso, teorrefente.

1. História da música
A música tem origem numa turnê pelos Estados Unidos em 1965. Enquanto estavam num hotel, surgem os primeiros acordes da música. Segundo o site Rolling Stone, “‘Satisfaction’ começa seu ataque musical e lírico sobre os sentidos com o que pode ser chamado, com pouca discussão, o riff de guitarra mais icônico de rock dos anos de 1960. O que é mais notável é que Keith Richards, literalmente, escreveu essa introdução durante seu sono. ‘Eu acordei no meio da noite. Havia um gravador ao lado da cama e um violão’ [...] ‘Na manhã seguinte, quando acordei, a fita tinha ido todo o caminho até o fim. Então eu corri de volta, e havia 30 segundos deste riff -. ‘Da-da da-da-da, não posso ter nenhuma satisfação - e o resto da fita sou eu roncando!’”[3] A letra foi escrita por Mick Jagger e Keith Richards. Eles terminaram de escrever a música no Hotel Fort Harrisson (Clearwater, Florida). Foi produzida por Andrew Loog Oldham.[4]  
Friedlander, historiador americano da música popular, diz que
“o lançamento, em maio de 1965, de (I Can´t Get No) Satisfaction, composição de Jagger-Richards que zombava da superficialidade da vida em turnê pela América, mudou isso. (Diz a lenda que Keith acordou no meio da noite em um hotel da Flórida para escrever o lendário solo de guitarra na introdução da música, o que o imortalizou nos anais do rock). A isso, Mick adicionou uma torrente de temas: homens na TV, anúncio de detergente e vozes de rádios dando informações sem importância. Embora a música tenha sido, geralmente, interpretada de maneira equivocada como um crítica violenta à incapacidade de encontrar satisfação sexual, apenas o último refrão alude à frustração de não ter encontrado um parceiro sexual adequado”[5]

2. Letra da música em inglês e tradução em português
(I Can't Get No) Satisfaction

I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction

'Cause I try and I try and I try and I try

I can't get no
I can't get no

When I'm drivin' in my car
And that man comes on the radio
He's tellin' me more and more
About some useless information

Supposed to fire my imagination
I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say

I can't get no satisfaction
I can't get no satisfaction

'Cause I try and I try and I try and I try

I can't get no
I can't get no

When I'm watchin' my TV
And that man comes on to tell me
How white my shirts can be
But he can't be a man 'cause he doesn't smoke
The same cigarettes as me

I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say

I can't get no satisfaction
I can't get no girl reaction
'Cause I try and I try and I try and I try

I can't get no
I can't get no

When I'm ridin' round the world
And I'm doin' this and I'm signing that
And I'm tryin' to make some girl
Who tells me baby better come back later next week
'Cause you see I'm on losing streak

I can't get no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, that's what I say
I can't get no, I can't get no

I can't get no satisfaction
No satisfaction, no satisfaction, no satisfaction
I can't get no


Tradução:

(Eu Não Consigo) Satisfação

Eu não consigo ter satisfação
Eu não consigo ter satisfação

Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento

Eu não consigo
Eu não consigo

Quando estou dirigindo meu carro
E um homem chega no rádio
Ele está me contando mais e mais
Sobre algumas informações inúteis

Para pôr fogo na minha imaginação
Eu não consigo, oh não, não, não
Hey, hey, hey, é o que eu digo

Eu não consigo me satisfazer
Eu não consigo me satisfazer

Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento

Eu não consigo
Eu não consigo

Quando eu estou vendo minha TV
E aquele homem aparece para me contar
O quanto as minhas camisetas podem ser brancas
Mas ele não pode ser um homem porque ele não fuma
Os mesmos cigarros que eu

Eu não consigo no, oh, no, no, no
Hey, hey, hey, é o que eu digo

Eu não consigo me satisfazer
Eu não consigo a reação de uma garota
Pois eu tento e eu tento e eu tento e eu tento

Eu não consigo
Eu não consigo

Quando eu estou andando ao redor do mundo
E eu estou fazendo isso e assinando aquilo
E eu estou tentando transar com uma garota
Que me diz baby, melhor voltar depois na próxima semana
Pois você vê que eu estou em maré de derrotas

Eu não consigo não, oh, não, não, não
Hey hey hey, é o que eu digo
Eu não consigo, eu não consigo

Eu não consigo ter satisfação
Nenhuma satisfação, nenhuma satisfação, nenhuma satisfação
Eu não consigo


3. Elementos da Criação
O título e o refrão deixam bem claros qual é o assunto principal da música: o não alcançar satisfação. Creio que a própria satisfação é elemento criacional. O ser humano foi criado pleno e satisfeito. Deus o fez a sua imagem e semelhança e o colocou num ambiente pleno de satisfação também, onde ele poderia desfrutar da criação e do Criador em plena harmonia. Deus cria todas as coisas em seis dias. Nos cinco primeiros dias ele cria os seres inanimados e os seres vivos: a flora e a fauna (irracional) e ao final de cada um desses dias, ele exclama que isso era bom. Mas depois que cria o homem, ele diz que “era muito bom” (Gn 1.31).

4. Elementos da Queda
Agostinho de Hipona, na sua obra quase biográfica, Confissões, logo no início, cunhou a célebre frase: “Tu nos despertaste para o prazer de te louvar, pois nos criaste para ti, e nosso coração não tem sossego enquanto não repousar em ti”.[6] Cremos que Deus nos criou plenamente satisfeitos, sendo que essa plenitude é encontrada nele mesmo como Criador. Com a entrada do pecado, o ser humano ficou sem aquele conhecimento nato original. Ele passou a não conhecer a Deus verdadeiramente. O pecado afastou o homem de Deus. Junte-se a isso à própria natureza pecaminosa que se inclina para o mal em forma de rebeldia. Assim, na linguagem de Gênesis 6.5, “a maldade do homem se havia multiplicado na terra e era continuamente mau todo desígnio do seu coração”.
O que está refletido na letra da música é o desassossego da alma. É um reflexo não apenas dos dois compositores, mas da humanidade sem Deus. A busca da saciedade da alma humana nas coisas deste mundo traz essa inquietação.
Vemos na letra coisas como notícias do rádio, propagandas de detergente na TV, assinatura de contrato de negócios e o prazer sexual, e mesmo tendo todas essas coisas, a insatisfação é latente. São como que deuses falsos que prometem significado e realização, mas nunca cumprem. Na linguagem do próprio Deus, o ser humano o abandona e cava cisternas rotas, que não retêm água. A sede continua (cf. Jr 2.13)

5. Elementos da Redenção
Os elementos de redenção estão implícitos, tácitos. A letra revela um anseio por algo maior que sacie verdadeiramente. Embora não saibam até hoje, pois a banda completou 50 anos de vida e eles continuam do mesmo jeito, cegos para as realidades espirituais, pois o diabo “cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4).

Conclusão
A música (I Can´t Get No) Satisfaction dos Rolling Stones reflete o estado da alma daqueles que não conhecem verdadeiramente a Deus. É um grito por saciedade espiritual. Pode também ser uma critica às promessas das propagandas comerciais. Pode-se usá-la para fazer uma ponte da alma seca para a fonte das águas vivas. Jesus disse que ele é a fonte de água viva que sacia eternamente a alma (João 4.10; 7.38). O seu convite continua até o último dia: “O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22.17).


Pr. Robson Rosa Santana
Igreja Presbiteriana do Brasil





[1] Paul Friedlander, Rock and Roll: uma história social. Tradução A. Costa, 3ª ed. Ro de Janeiro: Record, 2004, p.156.
[2] Os dados dos nomes dos atuais componentes e dos que fizeram parte, estão no site oficial da banda: www.rollingstones.com/band/. Acesso em: 12 ago. 2013.
[3] Disponível em: http://www.rollingstone.com/music/song-stories/i-can-t-get-no-satisfaction-the-rolling-stones. Acesso em: 12 de Ago 2013. Minha tradução.
[4] A capa desse álbum esta no apêndice. Extraído do site oficial da banda. Disponível em: www.rollingstones.com/release/out-of-our-heads-us/. Acesso em: 12 de ago 2013.
[5] Friedlander, Rock and Roll, p. 159-160.
[6]Hipona Agostinho, Confissões, trad. Almiro Pisetta, São Paulo: Mundo Cristão, 2013. Livro I.1. grifos meus.


17 de maio de 2018

O Universo ao Lado | James W. Sire: uma resumo


SIRE, James W. O Universo ao Lado: um catálogo básico sobre cosmovisão. Trad. Fernando Cristófalo. 4 ed. São Paulo: Hagnos, 2009. Original em inglês: The Universe next Door (2004).

O livro Universo ao Lado teve sua primeira edição em 1976, o que dista da sua última edição em inglês vinte e oito anos. E como algumas cosmovisões estavam ainda tomando forma, como o Movimento da Nova Era e Pós-modernismo, Sire faz alguns atualizações baseadas no conhecimento mais profundo que o intervalo entre a primeira e quarta edição em inglês produziu. Fundamenta as cosmovisões citando vasta pesquisa bibliográfica.
O que Sire faz nesse livro é mostrar as cosmovisões mais importantes que ainda estão em atuação no mundo, com o propósito de os leitores tomarem uma decisão pela cosmovisão que tenha mais coerência e não se contradiga. Nesse caso, como cristão, apresenta a cosmovisão do teísmo cristão como a mais convincente.
São oito as cosmovisões básicas examinadas: (1) teísmo cristão, (2) deísmo, (3) naturalismo, (4) niilismo, (5) existencialismo, (6) monismo panteísta oriental, (7) nova era e (8) pós-modernismo. Se o niilismo que é a negação de qualquer cosmovisão não for contada, são sete. São nove se o existencialismo for contado como duas, uma vez que é divido em ateísta e teísta. Ou até mesmo dez, contando com a breve explanação do animismo.
Na introdução, Sire diz que aperfeiçoou seu conceito de cosmovisão: “Uma cosmovisão é um comprometimento, uma orientação fundamental do coração, que pode ser expressa como uma história ou um conjunto de pressuposições (hipóteses que podem ser total ou parcialmente verdadeiras ou totalmente falsas), que detemos (consciente ou subconscientemente, consistente ou inconsistente) sobre a constituição básica da realidade e que fornece o alicerce sobre o qual vivemos, movemos e possuímos nosso ser” (p.16).
Para ele são sete as questões básicas da maioria das cosmovisões, pelas quais ele tenta definir as cosmovisões analisadas. As questões básicas são as seguintes: (1) O que é a realidade primordial, qual seja, o que é realmente verdadeiro? (2) Qual a natureza da realidade externa, isto é, o mundo que nos rodeia? (3) O que o ser humano é? (4) O que acontece quando uma pessoa morre? (5) Por que é possível conhecer alguma coisa? (6) Como sabemos o que é certo e errado? (7) Qual é o significado da história humana? No entanto, nem todas as cosmovisões respondem a todas as perguntas.
O capítulo 2 aborda as questões do Teísmo Cristão, onde ele as responde da seguinte forma: “(1) Deus é infinito e pessoal (trino), transcendente e imanente, onisciente, soberano e bom. (2) Deus criou o cosmos ex-nihilo para operar com uma uniformidade de causa e efeito e um sistema aberto. (3) Os seres humanos são criados à imagem de Deus e, portanto, possuem personalidade, auto-transcendência, inteligência, moralidade, senso gregário e criatividade. (4) Os seres humanos podem conhecer tanto o mundo que os cerca quanto o próprio Deus, porque ele colocou neles essa capacidade e porque ele desempenha um papel ativo na comunicação com eles. (5) Os seres humanos foram criados bons, porém, devido à queda a imagem de Deus tornou-se desfigurada, embora não tão destruída de modo a não ser mais passível de restauração; através da obra de Cristo, Deus redimiu a humanidade e começou o processo de restaurar as pessoas à bondade, muito embora qualquer pessoa possa escolher rejeitar essa redenção. (6) Para cada ser humano a morte representa tanto o portão para a vida com Deus e seu povo quanto para a separação eterna da única coisa que poder satisfazer as aspirações humanas definitivamente. (7) A ética é transcendente e alicerçada no caráter de Deus como bom e (santo e amoroso).”
No capítulo 3, acerca do Deísmo, conclui com as respostas: “(1) Um Deus transcendente, como primeira causa, criou o universo, mas, então, o deixou funcionar por conta própria. Deus é, portanto, não imanente, não totalmente pessoal, não soberano sobre os assuntos humanos e não providencial. (2) O cosmo criado por Deus é determinado, pois foi criado como uma uniformidade de causa e efeito em um sistema fechado; nenhum milagre é possível. (3) Os seres humanos, embora pessoais, fazem parte do mecanismo do universo. (4) O cosmo, este mundo, é compreendido como estando em seu estado normal; ele não é decaído ou anormal. Podemos conhecer o universo e por meio de seu estudo determinar como Deus é. (5) A ética é restrita à revelação geral; pelo fato de o universo ser normal, ele revela o que é certo. (6) A história é linear, pois o curso do cosmo foi determinado na criação”.
O capítulo 4 trata da cosmovisão do Naturalismo, e tem como respostas às questões básicas: (1) A matéria existe eternamente e é tudo o que há. Deus não existe. (2) O cosmo existe com uma uniformidade de causa e efeito em um sistema fechado. (3) Os seres humanos são “máquinas” complexas; a personalidade é uma interrelação de propriedades químicas e físicas ainda não totalmente compreendidas. (4) A morte é a extinção da realidade e da individualidade. (7) A história é uma corrente linear de eventos ligada por causa e efeito, porém, sem uma proposta abrangente. Tem como teóricos maiores Darwin e Marx. O naturalismo na prática desembocou no (1) Humanismo secular; e (2) Marxismo.
Quando trata do Niilismo no capítulo 5, as respostas àquelas questões básicas não existem. Pois é mais um sentimento do que uma filosofia. Na verdade, nega qualquer verdade filosófica, qualquer tipo de conhecimento e valor de todas as coisas. “Nega até mesmo a realidade de sua própria existência” (p.109). Em suma, nega a realidade de tudo. Essa negação de todas as coisas leva, inexoravelmente, à perda de significado. E como se vive sem significado para nada, até mesmo para si? Sem sentido algum para a existência. O que Sire faz é mostrar as incoerências dentre do niilismo teórico, bem como na incoerência dentro da sua epistemologia prática, apresentando, assim, tensões dentro desse “sentimento” de nada ser, nem existir.
No capítulo 6 aborda a cosmovisão existencialista como uma filosofia que transcende o niilismo. Tem duas formas básicas: ateísta e deísta.  Sendo que a primeira é uma parasita do naturalismo e a segunda, do teísmo. As respostas às questões básicas do existencialismo ateísta são: “(1) O universo é composto apenas de matéria, porém para o ser humano a realidade se apresenta em duas formas – subjetiva e objetiva. (2) Para os seres humanos a existência precede a essência; as pessoas fazem de si mesmas o que são. (3) Cada pessoa é totalmente livre com respeito à sua natureza e ao destino. (4) O altamente elaborado e firmemente organizado mundo objetivo se coloca contra os seres humanos e parece absurdo. (5) No pleno reconhecimento e contra o absurdo do mundo objetivo, a pessoa autêntica deve revoltar-se e criar valores.”. Quanto ao existencialismo teista: “(1) Deus é infinito e pessoal (trino), transcendente e imanente, onisciente, soberano e bom. (2) O pessoal é que possui valor. (3) Os seres humanos são seres pessoais que, quando chegam à plena consciência, descobrem-se em um universo hostil; Se Deus existe ou não é uma questão difícil a ser resolvida, não pela razão, mas por meio da fé. (4) O conhecimento é subjetividade; a verdade total é com freqüência, paradoxal. (5) A história como registro de eventos é incerta, sem importância, mas a história como modelo, tipo ou mito a ser feito presente e vivenciado é de suma importância”. Há 2 passos além do teísmo tradicional: 1) desconfia da precisão histórica e 2)  perde o interesse em sua facticidade e enfatiza a sua implicação ou significado religioso].
O Monismo Panteísta Oriental é analisado no capítulo 7. Assim como o Movimento da Nova Era, não possui uma base doutrinária básica ou unificada, isto é, há algumas vertentes dentro da própria cosmovisão. Principais questões são respondidas da seguinte forma: “(1) Atma é Brahma, isto é, a alma de cada um e de todo o ser humano é a alma do cosmo. (“Deus” é a realidade única, infinita, impessoal e suprema, p.183). (2) algumas coisas são mais únicas que outras. (3) Muitos (se não todos) caminhos levam ao um. (Daí surge a idéia: “todos as religiões levam ao mesmo fim. Ao Um com a divindade. (4) perceber a unidade com o cosmo é ir além da personalidade. (Já que a realidade última – Atma – é impessoal. No final das contas o ser humano é em essência impessoal. (5) Perceber a unidade de alguém é ir além do conhecimento. O principio da não contradição não se aplica onde a suprema realidade está relacionada. (em outras palavras o ser é incognoscível e a verdade não existe). (6) Perceber a unidade com o cosmo é ir além do bem e do mal; o cosmo é perfeito a todo o momento. (7) A morte é o fim da existência pessoal, individual,mas não altera em nada de essencial na natureza do indivíduo (há imortalidade, mas não pessoal e individual). 8. Perceber a unidade com o um é ir além do tempo. O tempo é irreal. A história é cíclica.” Perceber a própria divindade é transcender a história. A seguir faz uma distinção entre o hinduísmo não dualista e o zen budismo. Por fim, Sire advoga que há um problema de comunicação com o Ocidente por ser as cosmovisões totalmente divergentes, embora muitos ocidentais estejam bebendo sedentos da cosmovisão oriental panteísta.
 O capítulo 8 aborda a cosmovisão do Movimento da Nova Era. Até aqui as cosmovisões têm suas origens no Ocidente, ao passo que a Nova Era é um “estrangeirismo” do oriente. Isso exige uma mudança grande no modo de pensar ocidental. Muitas das respostas apresentadas são difíceis de compreender pela tradição filosófica do Oeste. Ainda é um cosmovisão em desenvolvimento sem conceito unificado. Vejamos as respostas condensadas de Sire: (1) Qualquer que seja a natureza do ser (idéia ou matéria, energia ou partícula), o eu é o centro, a realidade fundamental. Como os seres humanos crescem em sua consciência e compreensão desse fato, a raça humana está no limiar de uma transformação radical na natureza humana; mesmo agora vemos alguns precursores da humanidade transformada e protótipos da Nova Era. (2) O Cosmo, embora unificado no eu, é manifesto em duas dimensões mais: o universo visível, que é acessível por meio da consciência comum, e o universo invisível (ou mente expandida), acessível por estados alterados de consciência. (3) A essência da experiência da Nova Era é a consciência cósmica, na qual categorias comuns de espaço, tempo e moralidade tendem a desaparecer. (4) A morte física não é o fim do eu; sob a experiência da consciência cósmica, o temor da morte é removido. (5) Três atitudes são consideradas para a questão metafísica da realidade sob o quadro geral da Nova Era: (1) a versão oculta, na qual os seres e coisas percebidos em estados alterados de consciência existem à parte do ser que é consciente, (2) a versão psicodélica, na qual essas coisas e seres são projetos do eu consciente e (3) a versão relativista conceitual, na qual a consciência cósmica é a atividade consciente de uma mente, utilizando um dos muitos modelos incomuns para a realidade, nenhum dos quais é “mais verdadeiro” do que qualquer outro”.
Por fim, é abordada a cosmovisão do Pós-modernismo. Respostas às questões básicas: “(1) A primeira questão que o pós-modernismo suscita não é o que está lá ou como sabemos o que está lá, mas como a linguagem funciona para construir significado. Em outras palavras, há uma mudança nas ‘primeiras coisas’ de ser para saber, para construir significado. (2) A verdade sobre a própria realidade está para sempre oculta de nós. Tudo o que podemos fazer é contar histórias. (3) As histórias propiciam às comunidades o seu caráter de coesão. (4) Todas as narrativas mascaram um jogo pelo poder. Qualquer narrativa utilizada como metanarrativa torna-se opressiva. (5) Não há substancial. Os seres humanos fazem de si mesmos o que são pelas linguagens construídas sobre eles mesmos. (6) A ética, como o conhecimento, é uma construção lingüística. O bem social é tudo que a sociedade assume ser.  (7) O pós-modernismo é instável.”
Não posso analisar com maior propriedade as cosmovisões abordadas, com exceção do Teísmo cristão. Nessa cosmovisão, Sire diz que não entraria na questão das divergências internas, como predestinação versus livre arbítrio (p.45), no entanto, deixa claro sua posição arminiana (p.43), e parece crer num universo aberto, lembrando o teísmo aberto (p.32-35).

Pr. Robson Rosa Santana
Igreja Presbiteriana do Brasil

25 de abril de 2018

10 verdades a serem lembradas sobre o evangelho, a igreja e a missão | Ronaldo Lidório

1. O evangelho de Deus é supracultural e transtemporal. Suficiente para comunicar a verdade de Deus a todo homem, em todas as culturas, em todos os tempos e em todas as organizações sociais, seja uma aldeia remota ou uma megacidade (Mt 24.14; Jo 3.16; At 1.8).

2. O evangelho não é apenas a verdade, mas também o poder de Deus. A mensagem bíblica é profundamente confrontadora e transformadora, atingindo e transformando o homem em todos os níveis de sua existência, inclusive o cultural (Rm 1.20; At 17.18-32; At 8. 12-23; Gl 1.16).

3. O evangelho começa em Deus e fala sobre a sua salvação. O evangelho não é a mensagem da igreja sobre Deus, mas de Deus sobre a salvação da igreja. A mensagem do evangelho não é a igreja e seus feitos, mas Jesus Cristo, sua morte e ressurreição (Rm 1.1-2, 16 e 15.16; Ef 2.14-22).

4. O pecado nos separa de Deus. O homem, em pecado, está distanciado de Deus e totalmente carente de sua graça e salvação. O evangelho convida o homem a compreender que está perdido e arrepender-se dos seus pecados (Gn 2.17; Is 59.2; Rm 1).

5. A igreja é a comunidade dos redimidos, originada em Deus e pertencente a Deus. Não foi formada para agradar aos desejos e preferências de homens, mas para agradar e obedecer a Deus (1Co 1.1-2; Ef 4.11).

6. A igreja não é uma comunidade alienante. Aqueles que foram redimidos por Cristo continuam sendo homens e mulheres, pais e filhos, fazendeiros e comerciantes que respiram e levam o evangelho onde estão (1 Co 6.12-20).

7. A igreja é uma comunidade sem fronteiras, portanto fatalmente missionária. É chamada a proclamar Jesus perto e longe, em todos os lugares e prioritariamente entre os que pouco ou nada ouviram do evangelho (Mt 28.18-20; Rm 15.20).

8. A vida da igreja, quando obediente às Escrituras, é um grande testemunho para o mundo perdido. É necessário, portanto, que viva aquilo que prega, que demonstre no dia-a-dia aquilo que confessa nos cultos públicos (Jo 14.26; 16.13-15).

9. A primeira missão da Igreja não é proclamar, mas morrer. Somente morrendo para nossos pecados e desejos viveremos para Cristo e seu Reino (Gl 2.20; 1Pe 2.9). 

10. A missão maior da igreja é glorificar a Deus. Nessa caminhada é preciso que a igreja se desglorifique para de fato glorificar ao Senhor (Sl 108.5; Fp 1.11; Rm 16. 25-27).

Ronaldo Lidório

Extraído do Facebook: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=1417769851578399&id=451921854829875

15 de janeiro de 2018

Evangelização: como criar uma cultura de evangelização na igreja local | Estudos adaptados de J. Mack Stiles



EVANGELIZAÇÃO É MAIS QUE UM PROGRAMA*
Passam-se alguns anos e as igrejas continuam se lançando à mais recente moda evangelística. Os líderes administram o novo programa, e os membros põem a mão na massa. Mas imagine uma igreja em que a evangelização simplesmente faça parte da cultura da igreja. Os líderes estão sempre compartilhando a fé e o fazem abertamente. Os membros os seguem, incentivando uns aos outros a tornar a evangelização uma forma da vida.
Esse é o conceito de evangelização apresentado neste livro pequeno, mas impactante. A questão aqui não é oferecer programas. Antes, ele apenas deseja propor à sua igreja uma nova maneira de viver e compartilhar o evangelho.
* Sinopse do site da Edições Vida Nova. Para adquirir o livro no site, clique aqui.

Estudos:
1. O que é evangelização?
2. Uma cultura de evangelização - parte 1
3. Uma cultura de evangelização - parte 2
4. Uma cultura de evangelização - parte  3
5.  Conectando a Igreja a uma cultura de evangelização
6.  Evangelistas intencionais numa cultura de evangelização - parte 1
7. Evangelistas intencionais numa cultura de evangelização - parte  2
8. Conectando a fé na prática - parte 1
9. Conectando a fé na prática - parte 2

Para baixar a apostila clique aqui

9 de novembro de 2017

O Lado Sombrio do Halloween - o que os cristãos devem pensar? | Albert Mohler


Há mais de cem anos, o grande teólogo holandês Hermann Bavinck previu que o século 20 "testemunharia um gigantesco conflito de espíritos". Sua previsão revelou-se um eufemismo, e este grande conflito continua no século 21.

A questão do Halloween se pressiona anualmente sobre a consciência cristã. Consciente dos perigos novos e antigos, muitos pais cristãos optam por retirar completamente seus filhos do feriado. Outros escolhem seguir um plano de batalha estratégico para o engajamento com o feriado. Ainda outros avançaram, buscando converter o Dia das Bruxas em uma oportunidade evangelística. O Halloween realmente é significativo?

Bem, o Dia das Bruxas é um grande negócio no mercado. Halloween é superado apenas pelo Natal em termos de atividade econômica. De acordo com David J. Skal, "números precisos são difíceis de determinar, mas o impacto econômico anual do Dia das Bruxas agora está em algum lugar entre 4 bilhões e 6 bilhões de dólares, dependendo do número e tipos de indústrias que se inclui nos cálculos".

Além disso, o historiador Nicholas Rogers afirma que "Halloween é atualmente a segunda noite de festa mais importante na América do Norte. Em termos de seu potencial de varejo, segue em segundo após apenas do Natal. Este comercialismo fortalece seu significado como um tempo de licença pública, uma oportunidade personalizada de ter uma explosão. Independentemente de suas complicações espirituais, Halloween é um grande negócio ".

Rogers e Skal produziram livros concordando sobre a origem e significado do Halloween. Nicholas Rogers é o autor de Halloween: From Pagan Ritual to Party Night [Dia das Bruxas: do Ritual pagão para a Festa Noturna – tradução livre]. Professor de História na Universidade York no Canadá, Rogers descreveu uma celebração do Dia das Bruxas como um feriado transgressivo que permite que o estranho e os elementos do lado negro entrem no mainstream. Skal, um especialista na cultura de Hollywood, escreveu Death Make it Holiday: A History Cultural of Halloween [A Morte fez um Feriado: uma História Cultural do Dia das Bruxas – tradução livre]. A abordagem de Skal é mais desapaixonada e focada no entretenimento, considerando o impacto cultural do Halloween na ascensão de filmes de terror e o fascínio da nação com a violência.

As raízes pagãs do Halloween estão bem documentadas. O feriado está enraizado no festival celta de Samhain, que começava no final do verão. Como Rogers explica: "emparelhado com a festa de Beltane, que celebrava os poderes geradores de vida do sol, Samhain acenava para o inverno e as noites escuras à frente". Os estudiosos discutem se Samhain foi celebrado como um festival dos mortos, mas as raízes pagãs do festival são incontestáveis. As questões de sacrifícios humanos e de animais e várias práticas sexuais ocultistas continuam como questões de debate, mas a realidade da celebração como um festival oculto focado na mudança das estações sem dúvida envolvia práticas que apontam para o inverno como estação da morte.

Como Rogers comenta: "na verdade, as origens pagãs do Dia das Bruxas geralmente não estão nessas evidências de sacrifício, mas em um conjunto diferente de práticas simbólicas. Estas giram em torno da noção de Samhain como um festival dos mortos e como um tempo de intensidade sobrenatural que anuncia o início do inverno.

Como os cristãos devem responder a esse passado pagão? Harold L. Myra do Christianity Today argumenta que essas raízes pagãs eram bem conhecidas pelos cristãos do passado. "Mais de mil anos atrás, os cristãos confrontaram ritos pagãos de apaziguamento do senhor da morte e espíritos malignos. Os começos desagradáveis ​​do Halloween precederam o nascimento de Cristo quando os druidas, onde agora é Grã-Bretanha e França, observaram o fim do verão com sacrifícios aos deuses. Era o início do ano celta e eles acreditaram que Samhain, o senhor da morte, enviava espíritos malignos ao exterior para atacar os humanos, que poderiam escapar apenas assumindo disfarces e aparências dos próprios espíritos malignos ".

Assim, o costume de usar figurinos, especialmente fantasias imitando espíritos malignos, está enraizado na cultura pagã celta. Como Myra resume, "a maioria das nossas práticas de Halloween pode ser rastreada até os velhos ritos pagãos e superstições".

As complicações do Halloween vão muito além de suas raízes pagãs, no entanto. Na cultura moderna, Halloween tornou-se não apenas um feriado comercial, mas uma temporada de fascínio cultural com o mal e o demoníaco. Mesmo que a sociedade tenha pressionado os limites em questões como a sexualidade, o confronto da cultura com o "lado sombrio" também empurrou muito além das fronteiras de homenagens ao passado.

Como David J. Skal deixa claro, o conceito moderno de Halloween é inseparável da representação do feriado apresentado por Hollywood. Como Skal comenta: "A máquina do Dia das Bruxas transforma o mundo de cabeça para baixo. A identidade de alguém pode ser descartada impunemente. Os homens se vestem como mulheres e vice-versa. A autoridade pode ser zombada e contornada, e, o mais importante, os túmulos abertos e o retorno dos que partiram.

Este é o tipo de material que mantém Hollywood no negócio. "Poucos feriados têm um potencial cinematográfico que é igual a Halloween", comenta Skal. "Visualmente, o assunto é incomparável, se apenas considerado em termos de design de vestuário e direção artística. Dramaticamente, as antigas raízes do Dia das Bruxas evocam temas sombrios e melodramáticos, maduros para serem transformados em linguagem de filme de sombra e luz".

Mas "It's the Great Pumpkin, Charlie Brown"[1] da TV (“É a Grande Abóbora, Charlie Brown - que estreou em 1966) deu lugar à série "Halloween" de Hollywood e ao surgimento de filmes de “terror” violentos. Bela Lugosi e Boris Karloff foram substituídos por Michael Myers e Freddy Kruger.

Esse fascínio com o oculto ocorre quando os Estados Unidos estão passando pelo secularismo pós-cristão. Enquanto os tribunais removem todas as referências teísticas da praça pública dos Estados Unidos, o vazio está sendo preenchido com um fascínio generalizado com o mal, o paganismo e novas formas de ocultismo.

Além de tudo isso, o Halloween tornou-se absolutamente perigoso em muitos bairros. Sustos sobre lâminas escondidas em maçãs e doce envenenado se espalharam por toda a nação em ciclos recorrentes. Para a maioria dos pais, o maior medo é o encontro com símbolos ocultos e o fascínio da sociedade pela escuridão moral.

Por esse motivo, muitas famílias se retiram completamente do feriado. Suas crianças não vão pedir doces ou fazer travessuras, eles não usam trajes e não participam de festas relacionadas ao feriado. Algumas igrejas organizaram festivais alternativos, capitalizando a oportunidade de férias, mas afastando o evento das raízes pagãs e o fascínio por espíritos malignos. Para outros, o feriado não apresenta nenhum desafio especial.

Esses cristãos argumentam que as raízes pagãs do Dia das Bruxas não são mais significativas do que as origens pagãs do Natal e outras festas da igreja. Sem dúvida, a igreja cristianizou progressivamente o calendário, aproveitando feriados seculares e pagãos como oportunidades de testemunho e celebração cristã. Anderson M. Rearick III argumenta que os cristãos não devem entregar o feriado. Como ele relata: "Estou relutante em desistir do que foi um dos destaques do meu calendário de infância para o Grande Impostor e Chefe da Mentira sem motivo, exceto que alguns de seus servos o reivindicam como seu".

No entanto, a questão é um pouco mais complicada do que isso. Ao afirmar que a fantasia e a imaginação são parte integrante do dom da imaginação de Deus, os cristãos ainda devem estar muito preocupados com o foco dessa imaginação e criatividade. Argumentar contra o Dia das Bruxas não é equivalente a argumentar contra o Natal. O antigo festival da igreja de "All Hallow's Eve" [Noite de Todos os Santos] não é, de modo algum, universalmente compreendido entre os cristãos como a celebração da encarnação no Natal.

Os pais cristãos devem tomar decisões cuidadosas com base em uma consciência cristã biblicamente informada. Algumas práticas do Dia das Bruxas estão claramente fora de limites, outras podem ser estrategicamente transformadas, mas isso leva muito trabalho e pode encontrar um sucesso misto.

A chegada do Dia das Bruxas é um bom momento para os cristãos se lembrarem de que os espíritos malignos são reais e que o Diabo aproveitará todas as oportunidades para trompear sua própria celebridade. Talvez a melhor resposta ao Diabo no Halloween seja oferecida por Martinho Lutero, o grande Reformador: "A melhor maneira de expulsar o diabo, se ele não ceder aos textos das Escrituras, é zombar e persegui-lo porque ele não pode suportar desprezo."

No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero iniciou a Reforma com uma declaração de que a igreja deve ser lembrada da autoridade da Palavra de Deus e a pureza da doutrina bíblica. Com isso em mente, a melhor resposta cristã ao Halloween pode ser desprezar o Diabo e depois orar pela Reforma da igreja de Cristo na Terra. Vamos colocar o lado sombrio na defensiva.

Albert Mohler



[1]It's the Great Pumpkin, Charlie Brown (no Brasil: Charlie Brown e a Grande Abóbora [Maga-SP] ou É a Grande Abóbora, Charlie Brown [VTI-Rio]) é um especial de TV dos Peanuts, lançado em outubro de 1966 após os sucesso dos especiais A Charlie Brown Christmas e Charlie Brown's All-Stars.[1] No Brasil foi exibido pelo SBT (nos anos 80) e pela Rede Record (em 2007/2008), além de também ter sido lançado em VHS e DVD.” (Wikipédia). Nota do tradutor.


Título original: Halloween and the Dark Side — What Should Christians Think?
URL do original: http://www.albertmohler.com/2014/10/31/halloween-and-the-dark-side-what-should-christians-think/
Acesso: 31/10/2017
Tradução: Pr. Robson Santana (Igreja Presbiteriana do Brasil)
Revisão: Pr. Walter Leite (Igreja Batista Betel – Aracaju – SE)
http://www.albertmohler.com/2014/10/31/halloween-and-the-dark-side-what-should-christians-think/