Precisamos perdoar, em primeiro lugar, porque fomos perdoados. Pense na dívida imensa que tínhamos para com Deus, cancelada por Cristo na cruz (Colossenses 2:13-14). Como recipientes de tamanha graça, como podemos negar o perdão a quem nos deve muito menos?
Além disso, guardar ressentimento e amargura é como tomar veneno esperando que o outro morra. Esses sentimentos nos aprisionam, corroendo nossa paz, nossa saúde espiritual e nossos relacionamentos com Deus e com os outros (Hebreus 12.15). Perdoar é, em consequência, um ato de libertação para o nosso próprio coração.
A Bíblia nos presenteia com exemplos poderosos que nos inspiram. Pense em José, traído, vendido como escravo e injustiçado por seus próprios irmãos. Anos depois, quando eles, temerosos, se prostraram diante dele, José viu a mão soberana de Deus e declarou: "Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem" (Gênesis 50:20). Ele perdoou completamente, restaurando sua família.
E quem pode esquecer a comovente parábola do Pai do Filho Pródigo, contada por Jesus? Aquele pai, imagem do próprio Deus, não guardou rancor pelo filho que o desonrou e desperdiçou tudo. Ao avistá-lo retornando, humilhado, correu ao seu encontro, abraçou-o e o restaurou com alegria transbordante, antes mesmo de ouvir um pedido formal de perdão (Lucas 15:11-32). Esse é o perdão ativo, cheio de compaixão e graça que nos é oferecido e que somos chamados a imitar.
Diante dessas verdades e exemplos, somos desafiados a fazer uma pausa sincera e sondar nosso próprio coração. É um exercício necessário, embora por vezes, difícil. Precisamos nos perguntar com honestidade: Existe alguém cujo nome, quando mencionado, traz um nó no estômago ou um frio no coração? Guardamos recordações de ofensas passadas, remoendo-as em silêncio? Evitamos certas pessoas, alimentando uma barreira invisível de mágoa? Será que justificamos nossa falta de perdão, minimizando a imensa graça que nós mesmos recebemos dia após dia?
Lembremo-nos: perdoar não significa aprovar o erro, esquecer magicamente a dor (embora a memória possa se suavizar com o tempo) ou necessariamente restaurar uma confiança cega de imediato. Significa, pela graça que nos sustenta, decisivamente soltar o direito de retaliar, entregar a pessoa e a situação nas mãos justas de Deus (Romanos 12:19), e buscar uma disposição interior de não deixar que a mágoa controle nossa vida ou nosso precioso relacionamento com o Senhor.
Perdoar é um ato de obediência que flui da dependência do Espírito Santo. Pode ser um processo árduo, mas é profundamente libertador e agradável ao nosso Pai. Por isso, neste momento, convido você a fechar os olhos, silenciar diante dEle e perguntar: "Senhor, há alguém que preciso perdoar?". Se o Espírito trouxer um nome ou uma situação à mente, não o ignore. Clame pela força de Cristo. Decida perdoar, passo a passo, entregando o peso a Ele.
A liberdade e a paz genuínas que brotam da obediência a este mandamento são frutos preciosos da mesma graça que já nos alcançou e nos sustenta. Que Deus nos conceda corações sensíveis e dispostos a perdoar, assim como fomos e continuamos a ser perdoados em Cristo.
Em Cristo Jesus,
Pr. Robson Santana
robsonsantana.teo@gmail.com
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