2 de junho de 2017

A verdadeira felicidade

“... ainda assim eu exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação” Hc 3.18

Onde está Deus em meio a tanta injustiça e maldade? Essa dúvida permeia o coração de muitas pessoas em todos os tempos! Ontem e hoje, somos afligidos por situações de dor, angústia e indignação. O profeta Habacuque levantou esse mesmo questionamento: “até quando, Senhor?”.
Habacuque foi um profeta do Antigo Testamento, contemporâneo de Jeremias e Naum. O livro que leva o seu nome foi escrito no final do século 7° antes de Cristo, por volta dos anos 610 a 605 a.C. O quadro existencial dele não é diferente de nosso contexto brasileiro. Grassava a injustiça, opressão e propina dos líderes de sua época. Além disso, a ameaça imperialista da Babilônia jazia às portas de Jerusalém.
Por isso ele ora fervorosamente: “até quando, Senhor?”. Creio que ele conhecia a Deus e reconhecia sua soberania, mas a aflição do seu coração foi tanta que ele pensou: “por que demora tanto a ação do Senhor?”. “Será que o Senhor não vê a nossa situação calamitosa?”.
Entendo plenamente seus questionamentos. Sou homem igual a ele e, nas minhas angústias, tento entender os planos de Deus que não são claros para mim. Mas o que aprendemos desse livro é que não devemos duvidar dos propósitos soberanos dEle. Ele sabe o que faz.
Deus lhe responde. Mas a resposta nem sempre agrada. Deus lhe disse que usaria a Babilônia, exército poderoso e perverso, para castigar o reino de Judá. E diante de mais outro questionamento de Habacuque, o Senhor diz que no tempo certo trataria dos babilônios. Há cinco “ais” para eles.
Nesse contexto, podemos aprender da atitude do profeta. Ele se pôs na torre de vigia e esperou no Senhor. Não existe outra ação mais proveitosa para nossas almas do que colocar toda a nossa situação em oração e confiar no Senhor. Nada acontece por acaso, mesmo que achemos toda situação triste e angustiosa. Como disse bem o salmista, entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá” (Sl 37.5).
Na torre de vigia o profeta passa por uma renovação da sua visão sobre Deus. Deus é soberano, justo, santo e amoroso. Restou-lhe, assim, orar mais uma vez. Ele ficou alarmado e clamou: “aviva a tua obra, Senhor”. Suplica uma operação maravilhosa do Senhor no meio de seu povo.
Habacuque não apenas orou, esperou, viu as coisas pela ótica de Deus, mas também entendeu algo de suma importância: só Deus é nossa alegria e satisfação verdadeira. Tudo mudou depois desse derramar-se diante do Pai. Ele declara que mesmo que faltasse tudo, ele exultaria e se alegraria em Deus. Esse estágio poucos conseguem alcançar. É fácil estar feliz e satisfeito quando tudo vai bem. 
Davi, mesmo em face de todas as lutas que passou, dizia: “na tua destra há delícias perpetuamente” (Sl 16.11). Os apóstolos regozijaram-se mesmo sofrendo por causa do nome de Jesus (At 5.41). Paulo, embora preso, escreveu a carta aos Filipenses na qual a tônica é a alegria: Alegrem-se sempre no Senhor. Novamente direi: alegrem-se!(Fp 4.4).
Onde você está colocando sua identidade, satisfação e alegria? Se for em coisas ou na situação político-social-econômica, você será muito infeliz. Mas se for somente em Deus, no seu amor e graça, você encontrou o verdadeiro significado da vida e verdadeira felicidade. Bem disse Steven Lawson: “Se olho para mim, me deprimo. Quando olho para os outros me iludo. Quando olho para minhas circunstâncias me desencorajo, mas quando olho para Cristo estou completo”.
Robson Rosa Santana


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